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Crianças se refrescam em uma fonte no Leste da França, em 13 de agosto, em meio a uma forte onda de calor no verão europeu que foi o mais quente da história e com recordes que jamais teriam ocorrido sem a intervenção humana no clima | SEBASTIEN BOZON/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Os europeus enfrentaram um verão neste ano como jamais tinha sido visto antes de tanto calor e uma nova análise mostra que a temperatura muito acima dos padrões históricos na estação teria sido impossível sem a mudança climática induzida pelo homem, informou em um comunicado o Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido. O verão de 2021 foi o mais quente já registrado na Europa, com temperaturas próximas a 1°C acima da média de 1991-2020 que já é muito mais alta que o período pré-industrial.

A fim de analisar o impacto das mudanças climáticas no padrão de temperatura observado em 2021 no verão do continente europeu, os cientistas usaram grande conjunto de dados de simulações por modelos de computador para comparar o clima como é hoje, com cerca de 1°C de aquecimento global, com o clima que teria sido sem a influência humana, usando os mesmos métodos de estudos anteriores revisados ​​por pares.


Os cálculos mostraram que a temporada recorde de calor no verão na Europa teria sido quase impossível sem a influência humana com um tempo de retorno de milhares de anos. No clima atual, o calor observado em 2021 tem um tempo de retorno estimado em cerca de três anos e no final do século o que se experimentou no último verão ocorreria todos os anos. O estudo usou um cenário de emissões médias (SSP 4.5) para projeções futuras de mudanças climáticas.

O cientista de atribuição climática do Met Office, Dr. Nikos Christidis, que liderou a análise, explicou que este último estudo de atribuição é outro exemplo de como a mudança climática já está tornando os extremos climáticos mais severos. “Nossa análise do verão europeu de 2021 mostra que o que agora é um evento de um em três anos teria sido quase impossível sem a mudança climática induzida pelo homem”, disse.

No verão de calor sem precedentes de 2021 na Europa, novo recorde europeu de temperatura máxima foi estabelecido em Siracusa, na Sicília, onde as temperaturas atingiram 48,8 ° C, batendo o máximo europeu anterior de 48 ° C registrado em Atenas em 1977.

Pesquisa será exibida hoje à noite na BBC

A pesquisa conduzida por cientistas do Met Office Hadley Center será apresentada em um documentário do programa Panorama da BBC na noite desta quarta-feira que examinará a ligação entre as condições climáticas extremas em todo o mundo e as mudanças climáticas induzidas pelo homem.

O Pesquisador Científico em Atribuição de Clima no Met Office Hadley Center, Professor Peter Stott, é entrevistado no programa que vai ao ar na noite de hoje no Reino Unido e disse estar “mais convicto do que nunca sobre a relação entre eventos climáticos extremos e as mudanças climáticas”.

Segundo Sott, as chances crescentes dos eventos extremos continuam a aumentar enquanto a humanidade continuar a emitir gases de efeito estufa. “A ciência é clara que quanto mais rápido reduzirmos nossas emissões de gases de efeito estufa, mais podemos evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas”, alertou.

A nova análise surge no momento em que líderes e formuladores de políticas de todo o mundo se reúnem para negociações na COP26, em Glasgow.

Verão sem precedentes na Europa

De acordo com o Sistema Copernicus, a temperatura média de junho a agosto deste ano foi cerca de 1ºC superior à média de 1991-2020 na Europa, confirmando a analiso do Met Office, o que fez do verão europeu deste ano o mais quente já observado.


As temperaturas em países europeus mediterrâneos como Itália, Grécia, Turquia e Espanha foram extremamente altas. A Europa Oriental registrou temperaturas mais altas que o normal em agosto, de acordo com o serviço, enquanto o Norte da Europa teve temperaturas abaixo da média.

A Europa foi atingida por uma série de eventos climáticos catastróficos no verão. Em meio a ondas de calor sufocantes, incêndios florestais ocorreram não apenas na Itália, Grécia, Turquia e Espanha, mas também na França, Portugal e Rússia. A maior enchente em décadas atingiu a Alemanha, Bélgica e vários outros países europeus, matando um total de 242 pessoas.

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