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Violento temporal atingiu o município paulista de Pirassununga no último sábado, causando destruição na cidade. Centenas de postes caíram, centenas de casas foram destelhadas, mais de 500 árvores de pequeno, grande e médio porte caíram, e vários prédios públicos sofreram danos. O vento superou com folga os 100 km/h e foi causado por um downburst, uma microexplosão atmosférica que se caracteriza por uma corrente descendente de vento de uma nuvem de tempestade que ao alcançar o solo se irradia de forma radial, trazendo danos graves equivalentes a de um tornado em alguns casos.

Defesa Civil de Pirassununga/Divulgação

O episódio de Pirassununga do último fim de semana é mais um que se soma a uma lista de eventos meteorológicos severos que atingiram o Sudeste do Brasil nas últimas semanas e que inclui vendavais com grandes tempestades de areia que deixaram seis mortos no interior do estado de São Paulo e ainda granizo destrutivo que assolou parte de Minas Gerais, arrasando lavouras e causando danos em maquinários.


Estes vários episódios de tempo severo não chegam a ser incomuns na primavera, mas ocorrem em momento em que o padrão atmosférico na América do Sul acentua o risco de que ocorram na parte central do Brasil, em particular na Região Sudeste. Por isso, a MetSul avalia que o risco de tempestades fortes a severas no Sudeste, principalmente em estados como São Paulo e Minas Gerais, será mais alto do que o habitual no curto prazo.

O que ocorre? Como já destacado pela MetSul Meteorologia, a denominada Oscilação Antártica entrou recentemente numa fase negativa que teve início na última virada de mês. Soma-se ainda o fenômeno La Niña que está se instalando no Oceano Pacífico Equatorial. Com o enfraquecimento do cinturão de vento ao redor da Antártida (faz negativa da Oscilação Antártica ou AAO) e o Pacífico Equatorial mais frio, fica favorecido um padrão de maior frequência de frentes frias se deslocando pela América do Sul com mais ingresso de ar frio no Sul do país.

À medida que ar mais frio alcança com maior frequência o Sul do Brasil e passa a predominar na região, a região de transição das massas de ar frio e quente que tradicionalmente ocorre nesta época do ano no Sul com muitos temporais está deslocada mais para o Norte, o que leva a uma maior ocorrência de tempo severo em estados como o Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Enquanto isso, sob ar mais frio na maioria dos dias e menor alternância de massas de ar quente e frio, estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina não deixam de ter temporais, entretanto ocorrem com frequência menor que o costumeiro para a primavera.


Uma nova rodada de episódios de tempo severo é esperada no Sudeste do Brasil e em áreas do Centro-Oeste entre quinta-feira (14) e o começo da próxima semana com temporais isolados que podem ser localmente podem ser fortes a severos. O mapa acima mostra projeções do modelo GFS do CAPE (Convection Available Potential Energy), um dos vários índices de instabilidade usados para se avaliar o risco de tempestades.

Em São Paulo, o risco de temporais no período deve ser maior do Centro para o Norte do estado enquanto em Minas do Centro para o Oeste e o Sul mineiro, o que inclui a região do Triângulo. Fortes tempestades localizadas poderão atingir ainda áreas do Mato Grosso do Sul e do Sul de Goiás.

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