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Segundo rio de lava do vulcão Cumbre Vieja chegou ao mar na ilha de La Palma | IGN/Involcan

A semana que passou foi marcada por incríveis imagens na ilha de La Palma, no arquipélago das Canárias, com um segundo rio de lava que chegou ao Oceano Atlântico. O magma se origina da erupção do vulcão Cumbre Vieja que teve início no dia 19 de setembro, cobrindo parte do Sudeste da ilha de La Palma de lava. O primeiro rio de lava a alcançar o oceano foi no dia 28 de setembro, logo na fase inicial do processo eruptivo.

Este segundo rio de lava chegou na terça-feira à praia de Los Guirres no município de Tazacorte e criou uma nova massa de magma em ressecamento na costa.

A lava percorreu os seis quilômetros que separam o vulcão Cumbre Vieja do Oceano Atlântico. Este novo ponto de chegada do magma ao mar bloqueou o caminho para fazendeiros e trabalhadores da região.

O contato da lava com a água provoca gases nocivos à saúde, porém como a área foi evacuada devido ao risco, não há perigo por inalação.

Mesmo assim qualidade do ar ao redor do vulcão permanece desfavorável. O Ministério dos Transportes e Mobilidade garantiu em suas redes sociais que todos os meios de resgate marítimo estão atentos a este novo fluxo de lava no oceano.

As imagens são verdadeiramente impressionantes do rio de lava descendo a encosta de uma falésia como uma cascata de fogo na praia de Los Guirres. O material vulcânico avança para o oceano com grande fluidez e reduz, assim, o risco de se acumular mais sobre terra com prejuízos adicionais para a população. O novo rio de lava ao chegar no oceano é o de número 2, situado ao Sul da montanha do Todoque, entre os rios de magmas 1 e 9.

Prejuízos com o vulcão

Os mais recentes dado do Sistema Copernicus, o consórcio europeu de monitoramento do clima e ambiente, indicou que a área afetada pela lava na ilha de La Palma alcança 1019 hectares. A erupção, de acordo com o Copernicus, já atingiu e destruiu mais de 1.600 casas e prédios na ilha.

A terra continua a tremer em La Palma em consequência da atividade vulcânica. A rede de vigilância vulcânica de 24 horas do Instituto Geográfico Nacional (IGN), da Espanha, registrou na última noite em La Palma um terremoto de 4,7. O abalo foi sentido em muitas partes da ilha.

O sismo ocorreu às 5h24, hora local, a Sudoeste do município de Villa de Mazo. Sua profundidade foi de 37 quilômetros. Moradores relataram terem percebido o abalo em El Paso, Villa de Mazo, Los Llanos de Aridane, Tazacorte, Puntagorda, Santa Cruz de La Palma, Breña Baja, Breña Alta e em Tijarafe.

A erupção do Cumbre Vieja

A erupção é a primeira em La Palma desde outubro de 1971, quando o vulcão Teneguia expeliu lava durante três semanas. La Palma, com 85 mil habitantes, é uma das oito ilhas do Arquipélago das Canárias. No seu ponto mais próximo com a África, dista 100 quilômetros do Marrocos. As Canárias estão a 460 quilômetros da ilha da Madeira, em Portugal, e a 1.428 quilômetros da Ilha do Sal, em Cabo Verde.


A atividade vulcânica na parte Sul da ilha de La Palma já dura pelo menos 125.000 anos e formou o vulcão conhecido como Cumbre Vieja, ou também simplesmente como Dorsal Sur. Apesar de serem estruturas diferentes, o Cumbre Vieja pode fazer parte do vulcão Taburiente. O Cumbre Vieja entrou em erupção em 1971, 1949, 1712, 1677, 1646 e 1585.

É o vulcão mais ativo das Ilhas Canárias. As erupções ocorreram em intervalos de 20-60 anos. Exceção foi a notável dormência de 237 anos entre 1712 e 1949. Cientistas especulam que a enorme erupção de seis anos na vizinha Ilha de Lanzarote, em 1730, induziu a longa dormência em Cumbre Vieja de mais de dois séculos até 1949.

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