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As imagens de satélite têm sido uma das principais ferramentas dos cientistas e autoridades de emergência para monitorar e prever a evolução da erupção do vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, nas Ilhas Canárias, e que ontem completou uma semana. Da medição da emissão de gases poluentes à avaliação dos danos, os satélites Sentinel do sistema de monitoramento europeu Copernicus têm fornecido dados cruciais em quase tempo real para as autoridades e os serviços de Defesa Civil.

COPERNICUS/COMISSÃO EUROPEIA

As imagens de satélite em alta resolução permitem observar a evolução da lava diariamente e avaliar os danos graças a um mapeamento preciso.


O último balanço feito a partir de mapeamento por satélites indicou que o número de casas destruídas chegou a 513. As manchas de lava ocupam 237 hectares (cinco a mais do que no domingo) e 18 quilômetros de rodovias foram destruídos. As cinzas ocupam 1.507 hectares, quase 200 hectares a mais que no domingo.

O satélite Sentinel-5 é dos que está sendo usado para monitorar a evolução. Integrante da rede do Sistema Copernicus, o satélite é capaz de detectar as plumas de dióxido de enxofre emitidas para a atmosfera.

ANNAMARIA LUONGO/DIVULGAÇÃO

DAVID MOORE/DIVULGAÇÃO

Ontem, as emissões chegaram à Itália depois de terem alcançado Espanha e França, mas não há risco para a população porque o SO2 está em grande altitude e não na atmosfera perto da superfície. A partir dos dados do satélite e de modelos meteorológicos por computador torna-se possível prever para onde vai a pluma de dióxido de enxofre nos dias seguintes.

Olhar preciso do espaço

Os satélites também permitem ter uma ideia mais clara da situação e obter o relevo da área da erupção. O especialista Iban Ameztoy faz animações que permitem “sobrevoar” a área. O satélite Copernicus Sentinel-2 captou uma das primeiras imagens sem nuvens de parte do grande fluxo de lava no fim de semana. Em seguida, o satélite NASA/USGS Landsat 8 fez imagem semelhante. Os especialistas aplicam filtros especiais de tratamento de imagens para destacar aspectos como o fluxo de lava.

Cada satélite tem sua especificidade. O Sentinel-2 é o mais poderoso em termos de capacidade óptica. A União Europeia ativou, a pedido do serviço de defesa civil do bloco, o sistema de mapeamento rápido dos satélites Copernicus e vem utilizando desde então o satélite Sentinel-2 para avaliar a situação na região, de acordo com informações divulgadas pela Comissão Europeia.

A erupção nesta segunda-feira

O vulcão La Palma voltou a mostrar sua fúria depois de duas horas de calma na manhã desta segunda-feira. Depois do breve período de trégua, o Cumbre Vieja voltou a cuspir cinzas e outros materiais. A calmaria da manhã, que inicialmente gerava incerteza, foi definida como normal pelos especialistas que alertaram que poderia voltar a emitir lava e material piroclástico, como de farto ocorreu.


No final da tarde, o vulcão voltou a entrar numa fase explosiva, conforme detectado pelo Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias. Antes das 20h30, hora local, já se viam grandes jatos de lava saindo do cone do vulcão, assim como rios de magma escorrendo pelas encostas.

A chegada da lava ao mar também não é certa. Embora as emissões do fim de semana tenham dado um impulso aos fluxos de lava e tenham localizado um deles a apenas 800 a 1.000 metros da costa em Tazacorte, o magma não avançou nas últimas horas. Há preocupação com a chegada da lava ao mar pela liberação de gases tóxicos.

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