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Tempestade subtropical Ubá na manhã de 10 de dezembro de 2021 | Zoom Earth

A Marinha do Brasil classificou como tempestade subtropical o enorme ciclone sobre o Oceano Atlântico na altura da costa do Sul do Brasil em sua análise da manhã desta sexta-feira. Com isso, o sistema atípico recebe o nome de Ubá que significa canoa índigena na língua tupi-guarani.

Ontem à noite, a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha já havia classificado o sistema no oceano como uma depressão subtropical, mas com o seu aprofundamento das últimas horas o sistema foi promovido ao status de tempestade subtropical.


É o primeiro ciclone atípico a ser nomeado no Atlântico Sul desde o ciclone subtropical Raoni do final de junho e do começo de julho deste ano. É ainda o quarto ciclone anômalo na costa do Brasil neste ano.

Entre 4 e 6 de fevereiro de 2021, um ciclone na costa do Rio Grande do Sul que foi classificado pela NOAA como tempestade subtropical 01Q não foi nomeado pela Marinha do Brasil. Em abril se formou a tempestade subtropical Potira no litoral do Sudeste.


Na virada de junho para julho, um ciclone extratropical na costa do Prata incrivelmente atingiu características subtropicais – para a NOAA tropicais – durante uma poderosa onda de frio e se converteu no ciclone Raoni.

DHN/Marinha

De acordo com a análise da Marinha do Brasil da manhã de hoje, a tempestade subtropical Ubá estava com pressão mínima central de 997 hPa nas coordenadas 31ºS e 41ºW, movendo-se no sentido Sul com vento máximo sustentado de força 8 a 9 (62 km/h a 88 km/h) com rajadas de força 10 a 11 (89 km/h a 117 km/h) na escala de vento Beaufort usada.

Ciclone atípico é nomeado

A regra é que os ciclones (centros de baixa pressão) não tenham características subtropicais ou tropicais no litoral do Brasil, mas em quase todos os anos ocorre ao menos um. Já os ciclones extratropicais são comuns no Atlântico Sul e se formam principalmente das latitudes do Rio Grande do Sul para o Sul, não sendo nomeados.

Ciclones atípicos de natureza subtropical ou tropical recebem nomes na costa brasileira, mas apenas quando o sistema atinge patamar de vento sustentado mais forte. Depressões atmosféricas, mesmo subtropicais ou tropicais, com vento entre 30 km/h e 60 km/h não são classificadas por nome.

Por outro lado, se o sistema passar a apresentar vento sustentado de 60 km/h ou mais deixará de ser uma depressão e se converterá em tempestade subtropical ou tropical, recebendo a partir daí um nome.

Com efeito, de acordo com as Normas da Autoridade Marítima para Meteorologia Marítima (NORMAM-19), da Marinha, para que haja a classificação do ciclone como tempestade subtropical ou tropical e a sua nomeação, os ventos deverão ser iguais ou superiores a 34 nós ou 63 km/h.

O último ciclone atípico a ser nomeado no Atlântico Sul foi Raoni entre 29 de junho e 2 de julho deste ano. O sistema se formou na costa do Prata e avançou depois para o litoral do Rio Grande do Sul, tendo chegado a apresentar um olho. À época, Raoni causou intenso debate porque análises de satélite apontaram um ciclone tropical e não subtropical como definido pela Marinha brasileira e sistemas tropicais não ocorrem em meio a potentes incursões de ar polar como ocorria naquele momento na região.

Quais os riscos da tempestade subtropical?

A tempestade subtropical Ubá está com seu centro distante da costa do Sul do Brasil e a sua trajetória é para Sul com tendência de distanciamento da área continental. Assim, o ciclone extratropical não oferece riscos no Sul do Brasil. Ao contrário, como é comum este tipo de fenômeno impulsionar ar seco a Oeste da sua posição, o que traz é sol e predomínio do tempo firme.

NOAA

Como o centro de baixa pressão no Atlântico, previsto desde o começo da semana, está mais ao Norte do que se costuma observar neste tipo de formação, o mesmo ocorre com a frente associada. O ciclone organizou um corredor de umidade conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul que trouxe chuva excepcional no Sul da Bahia.

A chuva atingiu quase 500 mm em alguns pontos do Sul baiano com vítimas fatais e várias cidades submersas por inundações catastróficas. Pluviômetro do Centro Nacional de Prevenção de Desastres (Cemaden) registrou chuva de 450 mm no município baiano de Itamaraju e de 171 mm em Porto Seguro.

Qual deve ser a trajetória da tempestade subtropical Ubá

A previsão é de que o ciclone subtropical no Atlântico Sul se intensifique ainda mais ao longo desta sexta-feira, quando deve oscilar até um pouco mais para a Oeste em direção ao Sul do país, mas em nenhum momento se aproximando da costa. Sua pressão atmosférica central, de acordo com os modelos numéricos, deve cair para valores de 994 hPa a 995 hPa.

FSU/Divulgação

Em rodadas dos modelos no final da semana passada e no último fim de semana, projeções indicavam que este ciclone se moveria para Oeste e ficaria muito perto do litoral do Rio Grande do Sul.

Desde então os modelos numéricos como um todo firmaram a tendência de o sistema permanecer em mar aberto a uma grande distância da área continental sem se aproximar do litoral.

A previsão é que no decorrer deste fim de semana Ubá pouco mude de intensidade com a sua pressão mínima central permanecendo ao redor de 995 hPa ou 996 hPa, mas o sistema deve acelerar o seu afastamento do continente ao rumar para Sul e Sudeste até se dissipar entre dois centros de alta pressão no Atlântico Sul no começo da semana que vem.

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