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Imagem de satélite da tarde desta quinta-feira mostra o ciclone extratropical em alto mar na altura da costa do Sul do Brasil | Zoom Earth

Um ciclone extratropical se intensifica no Oceano Atlântico na altura da costa do Sul do Brasil. O sistema está neste momento, no começo da noite desta quinta-feira, nas coordenadas 32ºS e 40º W com pressão mínima central de 1.002 hPa. Desde o começo da semana se antecipava a formação deste sistema ciclônico na costa brasileira.

O ciclone surgiu a partir de uma área de baixa pressão de 1.010 hPa na costa do Rio de Janeiro no começo desta semana e à medida que se deslocou para o Sul passou a se aprofundar em mar aberto, começando a organizar uma espiral de nuvens típica de formação ciclônica durante esta quinta-feira.


A previsão é de que o ciclone extratropical no Atlântico Sul se intensifique ainda mais ao longo desta sexta-feira, quando deve oscilar até um pouco mais para a Oeste em direção ao Sul do país, mas em nenhum momento se aproximando da costa. Sua pressão atmosférica central, de acordo com os modelos numéricos, deve cair para valores de 994 hPa a 995 hPa.


Em rodadas dos modelos no final da semana passada e no último fim de semana, projeções indicavam que este ciclone se moveria para Oeste e ficaria muito perto do litoral do Rio Grande do Sul, mas desde então os modelos numéricos com um todo firmaram a tendência de o sistema permanecer em mar aberto a uma grande distância da área continental.

A previsão é que no decorrer deste fim de semana agora o ciclone pouco mude de intensidade com a sua pressão mínima central permanecendo ao redor de 995 hPa ou 996 hPa, mas o sistema deve acelerar o seu afastamento do continente ao rumar para Sul e Sudeste até se dissipar entre dois centros de alta pressão no Atlântico Sul no começo da semana.

Justamente por estar distante da costa, o ciclone extratropical não oferece riscos no Sul do Brasil. Ao contrário, como é comum este tipo de fenômeno impulsionar ar seco a Oeste da sua posição, o que traz é sol e predomínio do tempo firme. Esta tempestade no mar ainda foi responsável por trazer ar mais frio de trajetória marítima com geada no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de clima de inverno na cidade de São Paulo.

Como o centro de baixa pressão no Atlântico está mais ao Norte do que se costuma observar neste tipo de formação, o mesmo ocorre com a frente associada. O sistema frontal atua entre o Nordeste de Minas Gerais, o Norte do Espírito Santo, e o Oeste e o Sul da Bahia, onde o tempo segue instável com chuva e altos volumes isolados.

Esta frente ligada ao ciclone trouxe volumes absurdamente altos de chuva em pontos do Sul da Bahia, risco que a MetSul antecipava ainda no fim de semana. Pluviômetro do Centro Nacional de Prevenção de Desastres (Cemaden) registrou chuva de 450 mm no município baiano de Itamaraju e de 171 mm em Porto Seguro.

As administrações municipais de Itamaraju e Porto Seguro, no Sul da Bahia, decretaram estado de calamidade pública em consequência da chuva excepcional.

O decreto se dá a partir do comprometimento do governo local de fazer frente aos danos do desastre. Em Itamaraju, três pessoas de uma mesma família morreram e ao menos seis casas desabaram em deslizamento de terra.

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