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Ciclone Raoni estava no final da tarde ao Sul do Rio de Janeiro e foi rebaixado para depressão subtropical | Zoom Earth

A tempestade Subtropical Raoni foi rebaixada pela Marinha nesta quinta-feira e uma depress        ão subtropical com a diminuição do vento em superfície do sistema sobre o Oceano Atlântico. A Marinha do Brasil observou ventos à superfície em torno de 30 nós (55 km/h) por meio de observações por satélite (Ascat). O sistema encontrava-se 26ºS 40.5ºW, em alto-mar, a cerca de 330 milhas náuticas (610 quilômetros) a Sudeste do estado de São Paulo no momento em que foi rebaixado de tempestade subtropical para uma depressão.

As previsões da Meteorologia da Marinha corretamente apontavam que este sistema reduziria sua intensidade, perdendo as suas características subtropicais, deixando de ser classificada como uma depressão subtropical. A MetSul já no começo da semana trazia a informação que o sistema, quando estava na costa do Uruguai, se deslocaria para o litoral do Sudeste do Brasil e que enfraqueceria muito, o que acabou se confirmando.


A saga do ciclone Raoni

A saga do ciclone Raoni é muito interessante, curiosa e peculiar. O mapa final de sua trajetória será um dos mais interessantes até hoje para um ciclone atípico no Atlântico Sul. O sistema surgiu a partir de uma área de baixa pressão que surgiu na oclusão de uma frente fria e segregou-se da frente no começo desta semana, avançando atipicamente de Leste para Oeste rumo à costa da província de Buenos Aires.

Na sequência, ao contrário de rumar para Sul ou Sudeste como é o normal nos ciclones da região, o sistema começou uma trajetória para Nordeste. Rumou para a foz do Rio da Prata e depois passou pelo litoral do Uruguai com vento de 104 km/h em Punta del Este com estragos no departamento uruguaio de Maldonado.

Depois, chegou ao litoral do Rio Grande do Sul e ao ingressar no mar territorial brasileiro passou a ser identificado pela Marinha como Raoni, apesar da armada brasileira já identificar o sistema como tempestade subtropical desde que estava na costa uruguaia. E, por fim, seguiu sua trajetória para Nordeste em mar aberto, perdendo força a cada dia, e hoje estava na costa do Sudeste do Brasil.

Em sua viagem da costa de Buenos Aires até o litoral do Rio de Janeiro hoje o ciclone despertou muita atenção nos países da região e no resto do mundo. O interesse cresceu a partir de um comunicado da NOAA na noite da segunda-feira que identificou o ciclone como tropical. O Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido e outra referência internacional em Meteorologia, foi na contramão da NOAA e informou o sistema como subtropical, tal qual o comunicado da Meteorologia estatal no Brasil.

A NOAA observou em seu boletim a formação de um olho no sistema na noite da segunda (hora de Brasília) e o resfriamento dos topos das nuvens ao redor do centro de circulação (CDO), indicando intensificação por convecção (instabilidade). No acompanhamento que iniciou, a NOAA ainda estimou a intensidade do ciclone na segunda-feira pela técnica de Dvorak para ciclones tropicais a partir das imagens de satélite em 3,5, o que corresponde no caso do Atlântico a uma tempestade tropical com vento sustentado de 102 km/h. Isso colocou o sistema no limite superior de uma tempestade tropical e perto do estágio de furacão que é a partir de 4.0 na escala de Current Intensity (CI) na técnica Dvorak.

Ciclone teve características singulares e comuns em furacão

Desde o Catarina em 2004, a MetSul nunca observou um sistema tão parecido com os estágios iniciais do Catarina como neste ciclone Raoni. Trata-se de um sistema que merecerá, certamente, muitos estudos porque apresentou diversas peculiaridades singulares como sua estrutura e sua formação muito ao Sul, fora do período quente do ano e ainda em meio a uma onda intensa de frio com neve. Isso fez com que não houvesse um consenso na comunidade meteorológica sobre a sua real natureza.


Este sistema, entretanto, teve algumas particularidades muito interessantes e incomuns de se observar nos freqüentes ciclones extratropicais que se formam em nossa zona. Um, o ciclone segregou ou se descolou da frente fria. Dois, adquiriu um centro de circulação fechado (CDO). Três, apresentou convecção ao redor do seu centro. Quatro, adquiriu um olho. Cinco, possuía uma configuração em imagens de satélite semelhante a de ciclones tropicais mais fortes.

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Algumas destas peculiaridades, incomuns nos ciclones que atuam em nossa região, são comumente vistas em um furacão, mas não há elementos hoje para afirmar que o sistema em algum momento tenha sido um furacão pela escassez de dados. Não há voos de reconhecimento como do Atlântico Norte em nossa região, como de resto em quase todo o mundo. Os ventos foram estimados com base em passagens de satélite e modelagem numérica.

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