
Erupção do vulcão Cumbre Vieja, na ilha espanhola de La Palma, no arquipélago das Canárias dá dura mais de um mês com constante emissão de magma, piroclastos, cinzas e uma pluma de dióxido de enxofre que se aproxima agora do Norte da América do Sul | JORGE GUERRERO/AFP/METSUL METEOROLOGIA
A pluma de dióxido de enxofre (S02) da erupção de La Palma se aproxima do Norte da América do Sul. Imagem divulgada na manhã de hoje pela Adam Plataform a partir da análise de satélites europeus do Sistema Copernicus de monitoramento ambiental mostra que a nuvem do gás liberado pelo vulcão estava no Atlântico Norte na altura do Caribe e cada vez mais perto de áreas mais ao Norte da América do Sul.

Pluma de dióxido de enxofre do vulcão de La Palma em 27 de outubro | Adam Plataform
De acordo com a meteorologista da MetSul Estael Sias, se a pluma de SO2 alcançar países como Venezuela, Suriname, Guiana Francesa ou mesmo o estado brasileiro do Amapá, a população nada perceberá e não há qualquer risco para a população destas regiões.
“O dióxido de enxofre está sendo transportado em grande altitude por correntes de vento na atmosfera, a sua concentração sobre o Caribe é baixíssima e não há qualquer risco para que as pessoas se preocupem com estas emissões que passarão totalmente despercebidas do público nas áreas em que chegar. É meramente uma curiosidade de como estas emissões podem ser transportadas pelo vento a distâncias muito grandes”, enfatiza Estael.
Leia tambémPacífico atinge condições históricas de Super El Niño

Pluma de dióxido de enxofre do vulcão de La Palma em 26 de setembro | Adam Plataform
A especialista da MetSul recorda que desde o começo da erupção em 19 de setembro, plumas de dióxido de enxofre do vulcão de La Palma já chegaram a países como Marrocos, Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Turquia, França e até mesmo à Alemanha e à região da Escandinávia. Em todos os locais, a presença do gás na atmosfera passou despercebida e foi identificada só a partir da análise das imagens de satélite.
Como está a erupção do vulcão de La Palma
O vulcão Cumbre Vieja apresenta atividade incessante de emissão de gases, lava, piroclastos e cinzas desde o dia 19 de setembro, quando teve início a erupção. Trata-se da erupção mais longa desde o século 16, conforme os geólogos da Espanha. O vulcão de La Palma hoje tem três bocas principais emitindo magma que avança por comunidades próximas da ilha, como mostram imagens ao vivo geradas na internet pela televisão local.
Leia tambémPoderoso rio atmosférico se aproxima da América do Sul
O Instituto Geológico Nacional (IGN) informou que o solo ao redor do vulcão segue apresentando deformações, possivelmente relacionadas com a sismicidade profunda, o que vem trazendo vários terremotos de magnitude acima de 4 na parte Sul da ilha de La Palma, alguns percebidos pela população local. Com a elevação do terreno em 10 centímetros durante as últimas 24 horas, os técnicos cogitam que pode haver um aumento do canal de lava ou mesmo a abertura de novas bocas que emitam magma.
Um novo terremoto de magnitude 4,8 foi registrado no começo do dia de hoje em Villa de Mazo, o segundo com apenas sete horas de diferença de mesma magnitude e na mesma área, segundo dados do Instituto Geográfico Nacional (IGN). Terremotos em profundidades superiores a 20 quilômetros foram menos frequentes ontem, porém,a magnitude ainda é elevada.
O magma expelido pelo vulcão continua a fluir sobre os fluxos de lava já existentes, o que levou a um aumento da altura das paredes de lava. O magma já cobre uma área de 879,6 hectares e mais de duas mil construções foram total ou parcialmente destruídas até o momento.