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A primeira metade do mês de dezembro no Sul do Brasil foi marcada logo no seu começo por um evento extremo de chuva que teve início no final de novembro no Leste de Santa Catarina e do Paraná com inundações e um deslizamento fatal na BR-376, no Litoral Sul paranaense.

Na maior parte do Sul do país, entretanto, a chuva foi escassa na primeira metade do mês com o quadro mais agudo de escassez hídrica verificado no Rio Grande do Sul com o agravamento da estiagem e o aumento das perdas na cultura de milho que levam a uma quebra da safra superior a 50% em alguns municípios.


No caso do estado gaúcho, na primeira quinzena de dezembro, os acumulados de chuva foram altos em pontos isolados dos vales e da Serra com marcas de mais de 100 mm, casos de Cambará do Sul (136 mm), Rio Pardo (121 mm), Campo Bom (114 mm) e Serafina Correa (113 mm).

Ocorre que mesmo nestas regiões onde mais choveu, como os vales e a Serra, a precipitação não foi homogênea e muitas localidades terminaram a primeira metade deste mês com um crescente déficit hídrico.


No Oeste e no Sul, então, o cenário é cada vez pior. Os índices de chuva acumulados durante os primeiros 15 dias de dezembro não excederam 10 mm ou 15 mm em muitas cidades e, com o sol e o calor, a perda de umidade se acelerou. O resultado é uma deterioração cada vez maior das lavouras em necessidade de água.

No Centro-Oeste, a chuva neste mês está muito irregular com áreas de precipitação acima e abaixo da média no Mato Grosso e Goiás, mas no Mato Grosso do Sul quase todo o estado está com precipitações abaixo da média.

Já no Sudeste do Brasil, a irregularidade da chuva se repete com locais em que a precipitação está abaixo e acima da climatologia de dezembro até o momento. As áreas de chuva acima do normal se concentram em partes de São Paulo, Espírito Santo e mais no Leste de Minas Gerais.

Como resultado da intensa e abrangente onda de calor registrada no Cone Sul, grande parte do Sul do Brasil terminou a primeira metade de dezembro com temperaturas mínimas e máximas acima da média, sendo que em alguns locais com grandes desvios positivos.

Tendência de chuva

No Sul do Brasil, a tendência é de uma segunda metade de dezembro de chuva abaixo a muito abaixo da média na maioria das áreas com poucos dias de instabilidade. A Metade Oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, em especial, devem ter chuva escassa na maior parte da segunda quinzena de dezembro.

No Centro-Oeste, a chuva aumenta em Goiás e no Mato Grosso assim como em parte do Mato Grosso do Sul, mas algumas áreas mais ao Sul e Oeste do território sul-mato-grossense ainda podem se ressentir de precipitações mais regulares e abundantes.

Embora chova, muitos locais de São Paulo, Rio de Janeiro e do Sul de Minas devem ter chuva abaixo da média nesta segunda metade do mês. O Norte de Minas, o Espírito Santo e a Bahia devem ter chuva acima a muito acima da média, repetindo o que ocorreu no final de 2021.

É importante assinalar que estamos no período quente do ano e que, com isso, ocorrem vários temporais isolados que despejam enorme quantidade de chuva em curto período em setores localizados. Assim, mesmo em regiões para o qual o indicativo é de chuva abaixo da média haverá temporais isolados com altos volumes.

No fim do ano, nos últimos dias de 2022, perto da virada, segundo alguns modelos, poderia haver um aumento da chuva no Rio Grande do Sul e outras áreas do Sul do Brasil, uma vez que até o Natal o quadro será de chuva muito escassa.

E a temperatura?

A segunda metade de dezembro não será tão quente como a primeira no Sul do Brasil, o que não significa que deixará de fazer calor. Os dados indicam muitos dias de temperatura abaixo da média desta época do ano no Centro-Sul do Brasil. Como as médias são altas pelo verão, não significa frio e sim marcas agradáveis ou menos calor.

Onde os dias quentes serão mais frequentes será mais a Oeste do Sul do Brasil com tardes de intenso calor precedendo o Natal na região com máximas entre 35ºC e 40ºC. Mais ao Leste da região, o que inclui as capitais, a perspectiva é de aquecimento maior perto e ao redor do Natal com tardes de calorão.

No Sudeste do Brasil, a maior parte das localidades não deverá ter excessivo calor. Os dias vão ser quentes e alguns abafados, mas marcas extremas de calor não devem ser esperadas à medida que a massa de ar cobrindo a região nesta segunda metade de dezembro não será muito quente. Ao contrário, a segunda quinzena de dezembro deve ter marcas abaixo da climatologia histórica em muitas localidades do Sudeste.

Como consultar os mapas

Todos os mapas neste boletim podem ser consultados pelo nosso assinante (assine aqui) na nossa seção de mapas. A plataforma oferece mapas de chuva, geada, temperatura, risco de granizo, vento, umidade, pressão atmosférica, neve, umidade no solo e risco de incêndio e raios, dentre outras variáveis, com atualizações duas a quatro vezes ao dia, de acordo com cada simulação. Na seção de mapas, é possível consultar ainda o nosso modelo WRF de altíssima resolução da MetSul.

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