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A estiagem vai se agravar no Rio Grande do Sul neste fim de ano e a quebra da safra de milho, que ocorre pelo terceiro ano seguido, tende a piorar com aumento das perdas em diversas regiões e a possibilidade de perdas quase totais em algumas localidades, especialmente do Noroeste do estado.

A estiagem e as perdas pelo terceiro ano consecutivo ocorrem pela persistência do fenômeno La Niña que ingressa no seu terceiro ano. Aliás, não é uma surpresa, afinal a MetSul advertia em boletins ainda em agosto para o alto risco de chuva irregular e déficit hídrico no fim do ano com grave ameaça ao milho.


Grande parte do Rio Grande do Sul teve uma primeira metade de dezembro com chuva abaixo da média, exceção de áreas entre os vales e o Nordeste gaúcho que registraram precipitações mais abundantes e até isoladamente expressivas.

A falta de chuva nas últimas semanas foi maior nas Metades Oeste e Sul com o agravante que o Oeste foi a região que mais sofreu com a forte onda de calor da primeira quinzena de dezembro que trouxe temperatura acima de 40ºC em alguns locais.


O dezembro de chuva irregular se segue ao novembro que teve chuva abaixo da média em quase todo o Rio Grande do Sul com acumulados muito baixos em diversos municípios e que em alguns pontos sequer chegou a superar 30 mm ou 50 mm no mês. O Noroeste gaúcho, em especial, sofreu com a falta de chuva em novembro.

Na primeira quinzena de dezembro, os acumulados de chuva foram altos em pontos isolados dos vales e da Serra com marcas de mais de 100 mm, casos de Cambará do Sul (136 mm), Rio Pardo (121 mm), Campo Bom (114 mm) e Serafina Correa (113 mm).

Ocorre que mesmo nestas regiões onde mais choveu na primeira metade de dezembro, como os vales e a Serra, a precipitação não foi homogênea e muitas localidades desta parte do estado terminaram a primeira metade deste mês com um crescente déficit hídrico.

No Oeste e no Sul, então, o cenário é cada vez pior. Os índices de chuva acumulados durante os primeiros 15 dias de dezembro não excederam 10 mm ou 15 mm em muitas cidades e, com o sol e o calor, a perda de umidade se acelerou. O resultado é uma deterioração cada vez maior das lavouras em necessidade de água.

CRC-SAS

O agravamento da estiagem nas últimas duas semanas é possível se observar a partir do NDVI (índice de estado da vegetação) com a manutenção das condições muito ruins no Centro da Argentina e uma considerável piora no Rio Grande do Sul.

Projeção de chuva é muito ruim

O cenário de chuva de curto prazo para o Rio Grande do Sul é muito ruim. A expectativa da MetSul é de que chova pouco nos próximos dez dias na maioria das cidades gaúchas. Algumas cidades, a propósito, devem ter quase nada ou nada de chuva até o Natal.

O mapa abaixo mostra a projeção de chuva para dez dias do modelo meteorológico europeu, disponível ao assinante em nossa seção de mapas, em que se observa a tendência de chover muito pouco no estado gaúcho no intervalo de 10 dias.

Somando-se à escassez de chuva haverá elevada temperatura na Metade Oeste, justamente a mais castigada pela seca. A previsão é de calor na região todos os dias até o Natal e perto da data haverá máximas por demais elevadas, ao redor dos 40ºC em alguns municípios.

Sob este cenário de chuva escassa e alta temperatura em parte do Rio Grande do Sul, haverá uma perda de umidade acelerada do solo com um inevitável agravamento da estiagem. A situação, especialmente para a cultura de milho, deve se tornar crítica em algumas localidades, sobretudo do Oeste, do Centro e do Noroeste gaúcho.

Safra de milho vai quebrar

O que se temia e se alertava por meses vai ocorrer. A safra de milho no Rio Grande do Sul vai quebrar pelo terceiro ano seguido. Se hoje a situação já é grave em alguns municípios e piora rapidamente em outros, com a falta de chuva e o calor dos próximos dez dias o cenário vai se deteriorar demais com muitas perdas.

Dados da Emater-RS revelam que o plantio do cereal avançou somente um ponto percentual no Rio Grande do Sul na última semana, para 89% das áreas. Um ano antes, 91% das lavouras estavam semeadas e a média histórica para esta época do ano no estado é de 92%.

A lentidão do plantio se dá “em função da ausência de teores adequados de umidade nos solos e do escalonamento de produção”. Uma amostragem realizada pela empresa na semana passada, em 416 municípios, apontou redução próxima a 7% na estimativa de produtividade para o milho gaúcho, que passou de 7.337 para 6.845 quilos por hectare.

Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, excetuando algumas localidades com registro de pancadas de chuvas isoladas, o cenário de estiagem se intensificou, pois 77% das lavouras estão em fase reprodutiva, e as perdas se consolidaram.

Em São Borja, a expectativa de quebra já supera 50% nas lavouras mais afetadas, e as demais estão sob grande risco de sofrer graves prejuízos, considerando a previsão de continuidade do quadro de insuficiência de chuvas até o final de dezembro.

Na região de Ijuí, por sua vez, poucas lavouras de sequeiro apresentam condições satisfatórias de desenvolvimento. A grande maioria das lavouras já apresenta perdas consolidadas de potencial produtivo, e não é mais possível a reversão do quadro.

Na área de Santa Rosa, também no Noroeste, as condições de estresse hídrico continuam afetando negativamente a maior parte dos cultivos. Nas lavouras implantadas no cedo, os grãos avançaram para a maturação de forma antecipada, mas com redução no volume e na qualidade. Nas implantadas mais tardiamente, e que iniciaram o florescimento na última quinzena, as condições são críticas, pois há falhas na polinização e má-formação de espigas.

Em alguns municípios do Noroeste gaúcho, as perdas no cultivo do milho ultrapassam os 60%, com crescente demanda por cobertura de Proagro. Em muitas propriedades, os agricultores já manejaram as plantas de milho para a implantação de soja.

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