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Crianças refugiadas da guerra passam por barracas durante uma tempestade de poeira nos arredores da cidade rebelde de Dana, na província de Idlib, no Noroeste da Síria, perto da fronteira turco-síria, nesta quinta-feira | AAREF WATAD/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Depois de ser castigado por grandes nevascas no inverno, o Noroeste da Síria foi atingido nesta quinta-feira por uma massiva tempestade de areia que deixou o céu da região laranja e marrom. A intensidade do fenômeno assustou os moradores que já estão acostumados às ocorrências de tormentas de poeira e areia na região, duramente castigada por mais de uma década de guerra civil.

A tempestade de hoje atingiu em cheio acampamentos de refugiados, onde milhares de pessoas que são deslocados pela guerra civil vivem há anos em tendas de entidades humanitárias e da Organização das Nações Unidas. Diplomatas e voluntários envolvidos no atendimento aos refugiados usaram as suas redes sociais para noticiar o fenômeno e publicar as imagens de como ficaram os acampamentos.


Duas semanas atrás, a Síria já tinha sido duramente castigada por uma tempestade de areia e que deixou mortos. As tempestades atingiram campos de deslocados e danificaram redes de eletricidade e comunicação nas províncias sírias de Deir Al-Zour e Al-Hasaka, bem como nas províncias iraquianas de Anbar, Bagdá e Kirkuk.

Um homem e seu filho morreram no domingo de ferimentos graves na cabeça e no corpo depois que os ventos fortes causaram a queda de um muro em Deir Ezzor, de acordo com Mamoun Heza, diretor do Hospital Al-Assad. “A poeira cobriu tudo, obscurecendo a visão, e os ventos fortes causaram o desmoronamento de muros e árvores caídas. Isso fez com que muitas tendas voassem nos campos de refugiados de Abu Khashab”, disse o ativista Omar al-Bukamali ao Al. -Araby Al Jadeed.


O Oriente Médio teve tempestades de poeira quase todas as semanas desde março. A mais recente cobriu a Síria nesta quinta-feira, envolvendo a província de Idlib em uma nuvem laranja. Na semana passada, uma tempestade de poeira se espalhou pelo Iraque, Irã, Síria e Kuwait, interrompendo voos e enviando pessoas para hospitais com problemas respiratórios, enquanto as autoridades pediram que as pessoas ficassem em casa durante a perigosa tempestade.

Houve mais de 10 tempestades de poeira nos últimos dois meses. De acordo com a Associated Press, as tempestades levaram milhares a hospitais. Experts dizem que a grande quantidade de tempestades de poeira este ano se deve à seca, à rápida desertificação, La Niña e às mudanças climáticas.

Autoridades de alto nível no Iraque, Irã e Síria se reuniram na quinta-feira para falar sobre o combate às contínuas tempestades de poeira. O portal Mehr News informou que as autoridades tinham opiniões unificadas sobre como abordar o problema, mas os detalhes da reunião não foram relatados.

Um menino refugiado da guerra civil do lado de fora de sua barraca durante uma tempestade de poeira sobre a cidade de Zardana, no interior da província de Idlib, Noroeste da Síria, no dia de hoje | ABDULAZIZ KETAZ/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Especialistas alertam que o fenômeno só piora. É impulsionado em parte pelas mudanças climáticas que estão tornando as paisagens da região mais quentes e secas, e distorcendo os padrões climáticos para criar tempestades mais intensas. Cortado por três hidrovias estratégicas e quase metade das reservas de petróleo conhecidas do mundo, o Oriente Médio é crucial para o comércio global e o fornecimento de energia.

Um panorama do poder destrutivo das tempestades foi visto em março de 2021, quando o Canal de Suez foi bloqueado por seis dias por um navio que foi desviado por uma tempestade de areia, retendo quase US$ 60 bilhões em comércio. Doze por cento do comércio global passa por esse ponto estratégico. Mas as tempestades causam o maior estrago na saúde do povo do Oriente Médio e suas economias. Segundo o Banco Mundial, o fenômeno custa à economia da região US$ 13 bilhões por ano.

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