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Chuva na região de Recife passou de 200 mm em poucas horas, atinge 500 mm em apenas uma semana e alcança 700 mm no mês de maio com o dobro da média histórica de precipitação | DIEGO NIGRI/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A MetSul Meteorologia alerta para o risco de voltar a chover muito forte nas áreas mais afetadas por inundações e deslizamentos de terra nos últimos dias no Nordeste do Brasil. Os dados dos modelos meteorológicos analisados pela MetSul indicam potencial para pancadas de chuva em quase toda a costa Nordestina e com acumulados altos em diversos pontos do Norte da Bahia ao Maranhão nestes primeiros dez dias de junho.


O que mais preocupa, entretanto, são as projeções de alguns modelos, como o ECMWF, do Centro Meteorológico Europeu, de precipitação por vezes forte a torrencial com acumulados localmente altos a muito altos entre esta sexta e o domingo, e principalmente, durante o sábado, nos litorais de Pernambuco e Alagoas. São justamente os dois estados mais castigados por chuva nos últimos dias e que somados têm mais de 130 mortos e número superior a 100 mil pessoas que ficaram desabrigadas ou desalojadas.

O ponto central do desastre da chuva no Nordeste do Brasil é o Grande Recife com cidades como Recife e Jaboatão dos Guararapes como as mais castigadas pela chuva. Nesta quinta, pancadas isoladas se intercalaram com sol e nuvens na capital pernambucana, mas se espera que a partir desta sexta aumente a frequência das pancadas e que atingirão mais pontos do litoral do estado de Pernambuco.


A preocupação, contudo, é maior com o sábado. Uma semana depois da chuva extrema gerar inundações e deslizamentos fatais na região, o Grande Recife pode voltar a sofrer com chuva por vezes forte e localmente volumosa. Uma vez que o solo está saturado pelas recentes chuvas excessivas e os cursos d´água com os níveis acima do normal, a mera possibilidade de chuva com intensidade moderada a forte representa um risco acentuado de novos deslizamentos e de áreas alagadas.

A instabilidade diminuiria na região de Recife entre domingo e segunda-feira com sol, nuvens e pancadas apenas isoladas típicas da região tropical, mas voltaria a aumentar na terça com chuva localmente forte na região. No decorrer da quarta, a instabilidade cederia na área da capital pernambucana.

Cenário semelhante se esboça para Maceió e o litoral de Alagoas com o aumento das pancadas nesta sexta, com risco de chuva localmente forte, e chuva mais intensa durante o sábado. Já no domingo a capital alagoana deve seguir com instabilidade, mas a chuva diminui e ocorre como pancadas intercaladas com sol e nuvens. O tempo, entretanto, não firma em Maceió e durante a segunda persistem as pancadas que podem ser localmente fortes a torrenciais.

As autoridades de Pernambuco informaram nesta quinta que subiu para 127 o número de mortos na tragédia provocada pelas chuvas em Pernambuco, a maior neste século no estado do Nordeste do Brasil. Mais três corpos foram achados e o IML somou uma quarta vítima que não estava nas contagens oficiais. São 31 municípios em situação de emergência em Pernambuco e mais de 9300 pessoas desabrigadas.

Exceção da maior parte da costa da Bahia, a tendência é de todo ou quase todo o restante da faixa costeira do Nordeste do Brasil ter um mês de junho com chuva acima da média histórica. Já áreas mais afastadas do oceano como o Centro-Sul do Piauí e pontos mais a Oeste do estado de Pernambuco tendem a ter menos chuva que a região litorânea com índices mais próximos da média.

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