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White Helmets/Reprodução

Uma tragédia que o mundo vira as costas e não enxerga. O pior inverno em anos traz mortes e sofrimento para deslocados e refugiados pela guerra na Síria. Duas meninas sírias morreram por causa do frio extremo no Noroeste da Síria, onde a neve e a chuva destruíram as barracas de centenas de famílias deslocadas pela guerra civil de mais de uma década no país, informou a Organização das Nações Unidas.

“Uma menina de sete dias e outra de dois meses morreram de frio na província de Idlib”, disse à AFP o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).


Segundo um correspondente da AFP no Norte de Idlib, as duas meninas foram transferidas para o hospital da cidade de Haranbush, que recebeu um grande fluxo de crianças doentes nos últimos dias.

A situação é ainda mais preocupante para os deslocados que precisam de atenção médica, já que muitos hospitais da província de Idlib correm o risco de fechar devido à redução da ajuda internacional e à escassez de medicamentos e equipamentos.


As mortes de crianças nos acampamentos de deslocados internos de Idlib são frequentes durante o inverno. “As crianças estão expostas ao frio. Vivem em barracas desgastadas. Falta roupa de inverno e combustível”, disse o porta-voz da OCHA, Patrick Nicholson.

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Conforme a OCHA, as condições meteorológicas de janeiro destruíram ao menos 935 barracas e danificaram mais de 9.000 em vários acampamentos de vítimas da guerra civil.

Refugiados sírios, assim como alguns libaneses que caíram na pobreza desde que o colapso financeiro do país começou em outubro de 2019, carecem de diesel para aquecedores, enquanto cortes de energia constantes tornam os aquecedores elétricos inúteis.

“A situação é muito, muito difícil”, disse o ativista social Baseem Atrash, falando da cidade libanesa de Arsal, no Nordeste do Líbano, perto da fronteira com a Síria. Arsal abriga uma das maiores concentrações de refugiados sírios no Líbano, com cerca de 50 mil pessoas, a maioria vivendo em barracas frágeis.

Atrash disse que refugiados sírios, assim como alguns libaneses que caíram na pobreza desde que o colapso financeiro do país começou em outubro de 2019, carecem de diesel para aquecedores, enquanto cortes de energia constantes tornam os aquecedores elétricos inúteis.

“Eles estão queimando qualquer coisa para manter seus aquecedores ligados, de plástico a roupas velhas”, disse Atrash. No início deste mês, uma mãe síria e seus três filhos morreram durante o sono depois de inalar fumaça tóxica da queima de carvão para aquecer seu quarto em uma vila no Sul do Líbano.

O Líbano, um país de 6 milhões de pessoas, abriga 1,5 milhão de sírios que fugiram da guerra civil de uma década em seu país. As Nações Unidas estimam que 90% das famílias de refugiados sírios vivem em extrema pobreza.

Com o Líbano enfrentando crise econômica sem precedentes, a pobreza se aprofundou tanto para libaneses quanto para sírios. O aumento vertiginoso dos preços dos combustíveis, juntamente com o colapso da moeda, significa que muitos produtos essenciais estão agora fora do alcance do libanês médio.

Os milhões de deslocados internos e refugiados que vivem em acampamentos na Síria há muito lutam para lidar com o inverno, mas as Nações Unidas disseram que este ano é muito pior, em meio ao aumento da pobreza e à diminuição da ajuda.

Uma esmagadora maioria de 97% das pessoas no Noroeste da Síria vive em extrema pobreza, e mais de dois terços dos quatro milhões dos moradores são deslocados internos. É o último reduto da oposição no país devastado pela guerra, e partes dele ainda são atingidas por ataques aéreos de rotina pelas forças sírias e russas.

Além das lacunas de financiamento para organizações humanitárias e agências da ONU, a crise cambial da Turquia agravou anos de miséria. Grupos de voluntários locais disseram à Al Jazeera que custa entre US$ 50 e US$ 75 por mês manter uma família adequadamente aquecida, um luxo para a grande maioria que vive com menos de US$ 2 por dia.

“O preço do diesel aumentou 19% e o da gasolina 36% nos últimos seis meses”, disse Santana Quazi, chefe do escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários na Turquia.

“As pessoas estão recorrendo à queima de qualquer material que possam encontrar para aquecimento, o que às vezes inclui material inseguro que produz fumaça tóxica ao ser queimado, como sacolas plásticas”. Mais de dois milhões de pessoas precisam de um abrigo melhor, disse Quazi, porque muitas das barracas eram velhas e não podiam mais ajudar as famílias a sobreviver ao inverno.

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