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A Europa encerrou a primavera meteorológica de 2026 (março a maio) com uma sequência impressionante de recordes de temperatura mesmo antes da atuação do fenômeno El Niño, que contribuiu para o aquecimento do planeta e favorece extremos de temperatura. França, Inglaterra, País de Gales e Noruega registraram a estação mais quente desde o início das medições, em mais um sinal da aceleração do aquecimento global no continente que mais rapidamente aquece no planeta.

JEROME GILLES/NURPHOTO/AFP/METSUL

Na França, o serviço meteorológico nacional informou que a temperatura média entre março e maio atingiu 13,8°C, cerca de 1,7°C acima da média histórica. O valor superou os recordes anteriores registrados em 2011 e 2020, tornando a primavera de 2026 a mais quente desde o início das observações meteorológicas em 1900.

O destaque ocorreu no fim de maio, quando uma onda de calor excepcional elevou os termômetros a níveis normalmente observados apenas durante o auge do verão europeu. Diversas cidades registraram recordes absolutos para o mês, enquanto o calor intenso provocou rápida secagem dos solos após um início de estação marcado por elevada umidade.

A situação não ficou restrita à França. O Reino Unido também registrou uma primavera histórica. Segundo o Met Office, a estação foi a mais quente já observada na Inglaterra e no País de Gales. Em alguns locais, os recordes anteriores para esta época do ano foram superados por margens de até 2°C, evidenciando a intensidade do aquecimento observado nas últimas semanas.

Portugal igualmente enfrentou temperaturas excepcionalmente elevadas durante maio. Uma extensa área de alta pressão, conhecida como “domo de calor”, favoreceu a entrada de ar extremamente quente oriundo do Norte da África, elevando as temperaturas muito acima dos padrões normais em grande parte da Europa Ocidental.

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Mais ao Norte da Europa, a Noruega também estabeleceu um novo recorde. O Instituto Meteorológico Norueguês informou que a primavera de 2026 foi a mais quente desde o início das medições, em 1901. A temperatura média nacional ficou 2,1°C acima da climatologia da estação.

Embora o país escandinavo não tenha sido diretamente afetado pela onda de calor do fim de maio, os meses de março e abril apresentaram temperaturas persistentemente elevadas. O aquecimento foi particularmente expressivo nas regiões árticas do país.

No arquipélago de Svalbard, situado entre a Noruega continental e o Polo Norte, algumas áreas registraram temperaturas entre 5°C e 6°C acima da média durante abril. O fenômeno reflete a chamada amplificação ártica, processo pelo qual o Ártico aquece em velocidade superior ao restante do planeta.

A redução da cobertura de neve e gelo marinho faz com que superfícies mais escuras, como oceanos e terrenos expostos, absorvam maior quantidade de radiação solar. Como consequência, o aquecimento regional se intensifica e retroalimenta o processo de elevação das temperaturas.

Climatologistas destacam que as mudanças observadas não podem ser explicadas apenas por fatores naturais. O aumento da concentração de gases de efeito estufa decorrente da queima de combustíveis fósseis é apontado como o principal responsável pelo aquecimento registrado nas últimas décadas.

As projeções mais recentes das Nações Unidas indicam que a temperatura média global deverá permanecer em níveis recordes ou próximos de recordes entre 2026 e 2030. Os sucessivos extremos observados nesta primavera europeia reforçam os alertas da comunidade científica sobre os impactos crescentes das mudanças climáticas em diversas regiões do planeta.