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O mês de junho começa com a faixa equatorial do Oceano Pacífico em condições típicas de El Niño com vários indicadores oceânicos e atmosféricos mostrando um episódio do fenômeno em seus estágios iniciais, conforme avaliação da MetSul Meteorologia.

Mapa de anomalia de temperatura do mar mostra El Niño em estágios iniciais

NOAA

Embora a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, ainda não tenha declarado o começo de um episódio de El Niño, tal anúncio por parte da agência de clima norte-americana deverá vir muito em breve.

A última anomalia de temperatura da superfície do mar informada pela NOAA no que se denomina de Região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste, a região designada para informar se há El Niño ou La Niña, foi de +0,5ºC. Trata-se do valor mínimo de patamar de El Niño.

É a terceira semana seguida em que esta área do oceano atinge anomalias de +0,5ºC, conforme o novo critério de monitoramento adotado pela NOAA e designado Índice Niño Oceânico Relativo (RONI).

Já pelo critério tradicional e usado pela NOAA até o começo deste ano, denominado de Índice Niño Oceânico (ONI), a anomalia de temperatura da superfície do mar está hoje em +1,0ºC.

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É a sétima semana seguida, pelo critério anteriormente usado pela agência de clima norte-americana, em que o Pacifico Equatorial Centro-Leste está em patamar de El Niño. As anomalias semanais foram de 0,5ºC em 15/4; 0,8ºC em 22/4/ 0,9ºC em 29/4; 0,8ºC em 6/5; 0,9ºC em 13/5; 1,0ºC em 20/5; e 1,0ºC em 27 de maio.

Já no Pacífico Leste, junto aos litorais do Peru e do Equador, onde ocorre o denominado El Niño Costeiro (diferente do El Niño clássico), as anomalias atuais na chamada Região Niño 1+2 são as mais altas desde o começo do aquecimento em fevereiro com 1,7ºC pelo sistema novo de monitoramento (RONI) e 2,2ºC pelo tradicional (ONI).

Fenômeno vai ganhar força neste mês de junho

Considerando que são necessárias várias semanas seguidas de aquecimento sustentado em patamar de El Niño com acoplamento das condições oceânicas e atmosféricas, o anúncio da NOAA de que o El Niño começou deverá vir neste mês de junho.

Os critérios oceânicos para a declaração do começo de um El Niño já estão consolidados pelo sistema antigo de monitoramento (ONI) e ingressam na janela que permite à NOAA anunciar o início de um evento pelo método novo de monitoramento (RONI).

O ONI (Oceanic Niño Index) monitora o El Niño apenas pela anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial comparada a uma média fixa de 30 anos. Já o RONI (Relative ONI) considera essa anomalia em relação à média dos oceanos tropicais globais, ajudando a distinguir aquecimentos regionais do Pacífico de aquecimentos globais mais amplos.

Além das condições oceânicas, também a atmosfera já dá sinais de que já responde ao aquecimento das águas do Pacífico, sinalizando um acoplamento oceânico-atmosférico. A chamada SOI (índice de Oscilação Sul) apresenta hoje uma média nos últimos 30 dias de -14, solidamente em território de El Niño. Quanto mais negativo o índice, maior é o sinal de atmosfera em modo de El Niño. A SOI teve média em abril de -9,8 e em maio de 13,2.

A tendência é que o Oceano Pacífico aqueça ainda mais no decorrer deste mês de junho com águas mais quentes das profundezas emergindo na superfície. O mês deve terminar com condições de El Niño moderado a forte pelo sistema antigo de monitoramento e fraco a moderado pelo novo método RONI.

Os efeitos do El Niño no Brasil

Nenhum episódio de El Niño é igual ao outro e uma série de fatores atmosféricos em paralelo, que variam muito, determinam que as consequências sejam mais ou menos graves nos diferentes estados brasileiros a cada episódio. No episódio deste ano, os efeitos no clima serão sentidos mais a partir do segundo semestre, especialmente no fim do inverno e na primavera.

Historicamente, no Norte do Brasil, o El Niño costuma provocar diminuição das chuvas, especialmente no Norte e no Leste da Amazônia. O resultado é um período mais seco e quente, que favorece a propagação de queimadas e agrava incêndios florestais.

No Nordeste, os efeitos são ainda mais críticos: a redução acentuada das precipitações pode levar a episódios de seca, comprometendo o abastecimento de água e causando prejuízos significativos à agricultura.

METSUL

No Centro-Oeste, historicamente, os impactos tendem a ser mais moderados, com uma leve tendência de chuvas acima da média em algumas áreas, mas acompanhadas por temperaturas mais elevadas. Episódios de calor intenso se tornam mais frequentes, sobretudo no final do inverno e durante a primavera, enquanto as queimadas aumentam no Pantanal.

Já no Sudeste, o principal sinal do fenômeno é o aumento das temperaturas médias, com períodos mais quentes que o normal e extremos de calor, sem um padrão claro e consistente de mudança no regime de chuvas.

No Sul do Brasil, o fenômeno costuma ter efeitos mais marcantes, com aumento significativo das chuvas e maior frequência de eventos extremos. São comuns episódios de precipitação volumosa, que elevam o risco de cheias de rios e enchentes, principalmente no inverno e na primavera do primeiro ano do fenômeno e no outono do ano seguinte. Temporais se tornam mais frequentes, assim como a ocorrência de ciclones, alguns deles intensos, enquanto as temperaturas tendem a ficar acima da média, apesar de eventuais incursões de frio.