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A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta terça (2) que o mundo deve se preparar para a volta do El Niño e para seus impactos sobre o clima global. A entidade destaca que o fenômeno pode contribuir para a ocorrência de eventos meteorológicos extremos em diferentes continentes, em um momento em que as temperaturas do planeta já se encontram em níveis historicamente elevados.

Foto mostra projeções de modelos para o El Niño

FABRICE COFFRINI/AFP/METSUL

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os sinais observados no Oceano Pacífico indicam uma elevada probabilidade de desenvolvimento de um episódio de El Niño nos próximos meses. As projeções apontam que o fenômeno pode ganhar força durante o segundo semestre deste ano e permanecer ativo até o fim da primavera no Hemisfério Sul.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica global e influencia os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. Seus efeitos podem ser sentidos muito além da região do Pacífico.

A OMM advertiu que o retorno do fenômeno pode agravar episódios de calor extremo, secas e enchentes. Em muitas regiões, os impactos do El Niño tendem a ser amplificados pelas condições atuais de aquecimento global, aumentando o potencial para eventos climáticos mais severos.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou a necessidade de preparação por parte dos governos e das comunidades. Segundo ela, sistemas de alerta antecipado e medidas preventivas são fundamentais para reduzir perdas humanas e econômicas associadas aos eventos extremos.

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O alerta ocorre após uma sequência de anos marcados por recordes de temperatura global. A combinação entre o aquecimento provocado pelas atividades humanas e um novo episódio de El Niño pode favorecer a ocorrência de novos recordes de calor em escala planetária.

A ONU observa que o fenômeno pode provocar impactos distintos em cada região. Algumas áreas tendem a registrar chuvas acima da média e aumento do risco de enchentes, enquanto outras podem enfrentar períodos prolongados de estiagem e agravamento da seca.

O setor agrícola está entre os mais vulneráveis aos efeitos do El Niño. Alterações nos regimes de chuva e temperatura podem comprometer a produção de alimentos em diferentes países, afetando tanto produtores rurais quanto consumidores.

A entidade também chama atenção para possíveis consequências sobre a disponibilidade de água e a saúde pública. Ondas de calor mais intensas e mudanças nos padrões climáticos podem aumentar riscos para populações mais vulneráveis.

Outro aspecto destacado pela ONU é a necessidade de fortalecer a adaptação às mudanças climáticas. O retorno do El Niño ocorre em um contexto em que os efeitos do aquecimento global já são evidentes em diversas partes do planeta.

Para os especialistas, o desenvolvimento do fenômeno nos próximos meses exigirá monitoramento constante das condições do Pacífico Equatorial. A evolução das temperaturas do oceano será determinante para definir a intensidade dos impactos observados ao longo do segundo semestre.

A mensagem da ONU é que governos, setores econômicos e comunidades estejam preparados para enfrentar possíveis extremos climáticos. O fenômeno é natural, mas seus efeitos podem ser amplificados pelas condições atuais do clima global.

Caso as projeções se confirmem, os próximos meses poderão ser marcados por uma maior frequência de eventos extremos em várias regiões do planeta. Por isso, a recomendação é de vigilância, planejamento e adoção de medidas preventivas para reduzir os riscos associados ao retorno do El Niño.