A segunda metade de julho será radicalmente distinta da primeira quinzena do mês no clima do Centro-Sul do Brasil com muito mais chuva no Sul e temperatura acima a muito acima da média histórica em praticamente todas as áreas do Centro-Oeste, Sudeste e o Sul, projeta a MetSul Meteorologia.

Foto mostra calor e chuva em clima extremo

ARTE SOBRE FOTOS DA PREFEITURA DE CUIABÁ E ALEX ROCHA/PMPA

Julho é o segundo mês do denominado inverno climático, que é compreendido pelo trimestre dos meses de junho, julho e agosto. Por isso, julho é o mês central da estação inverno e, como efeito, historicamente costuma registrar ondas de frio.

No Rio Grande do Sul, pelos padrões históricos, julho costuma ser um mês chuvoso enquanto no Centro do Brasil se instala a estação seca com precipitações escassas no Centro-Oeste, no Sudeste e mesmo em parte do Paraná, o que favorece o aporte de umidade em direção às latitudes médias como do Centro da Argentina, Uruguai e o estado gaúcho.

No caso de Porto Alegre, julho tem uma temperatura mínima média histórica de 10,4ºC, a menor entre os meses do ano. Já a temperatura máxima média é de 19,7ºC, também a mais baixa entre todos os meses do calendário. A temperatura média mensal de julho na capital gaúcha é de 14,1ºC, a menor entre os meses do ano, 0,7ºC abaixo da de junho que é a segunda mais baixa e 1,6ºC inferior à de agosto, a terceira menor entre todos os meses do ano.

Já a precipitação média no clima em julho na cidade é de 163,5 mm, a mais alta entre todos os meses do ano, sendo seguida por outubro (153,2 mm), setembro (147,8 mm) e junho (130,4 mm).

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Em São Paulo, o clima em julho marca o auge da temporada da seca do ano e, por isso, chove pouco. De acordo com a climatologia 1991-2020, a precipitação média histórica de julho na capital paulista é de apenas 48,4 mm em contraposição aos 292,1 mm de janeiro, o auge da temporada chuvosa.

A média mínima de julho na cidade de São Paulo, com base nos dados do Mirante, é de 12,5ºC. Trata-se da menor entre os meses do ano. Já a média máxima é de 22,9ºC, igual a de junho como a menor entre os meses do ano na capital paulista.

Como será a chuva na segunda quinzena de julho

A primeira metade do mês teve episódios de chuva com acumulados altos no início de julho entre o Norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná a ponto de ter causado cheias de rios e inundações em algumas localidades.

Os dados analisados pela MetSul Meteorologia projetam que a segunda metade do mês deve ter ainda mais excessos de chuva com precipitação acima a muito acima da média histórica em grande parte do Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul.

Projeção de chuva de 15 dias do modelo europeu

Projeção de chuva de 15 dias do modelo europeu | METSUL

Os acumulados devem ser especialmente altos no território gaúcho com marcas em 15 dias de 100 mm a 200 mm em muitos municípios e de 200 mm a 300 mm em alguns, não se descartando até marcas superiores no período em algumas localidades, muito em razão de um episódio de intensa instabilidade nos próximos dias com uma frente semi-estacionária sob um padrão de bloqueio atmosférico.

Já no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, a tendência é de uma segunda metade de julho de precipitação escassa. A chuva deve ficar abaixo da média na maior parte das cidades e perto da climatologia em algumas. Grande número de municípios paulistas, mineiros e goianos não deve ter chuva até o fim de julho.

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Clima quente na segunda quinzena

A segunda metade de julho deve ter temperatura muito acima da média em quase todo o Centro-Sul do Brasil com enormes desvios positivos no clima em relação à climatologia histórica em diversos estados. Serão pequenas as áreas com temperatura perto ou pouco abaixo do normal desta época do ano.

Projeção de anonalia de temperatura (desvio da média) de 15 dias do modelo europeu

Projeção de anonalia de temperatura (desvio da média) de 15 dias do modelo europeu | METSUL

As temperaturas muito acima do normal vão decorrer de um padrão de bloqueio, que vai provocar muita chuva no Sul. Inicialmente, agora no começo da segunda quinzena, ar muito quente toma contas da Região Sul com marcas até 10ºC a 15ºC acima da média em alguns dias. Na sequência, com chuva, mesmo sem extremos de máximas, mínimas e máximas seguirão acima da média.

Ar mais frio até chega a avançar mais ao Sul do Brasil depois do evento de instabilidade, mas deve chegar com fraca intensidade e sem força para compensar os desvios muito positivos de temperatura do início da quinzena.

Já no Centro-Oeste e no Sudeste, sob uma massa de ar quente seco, o calor será a marca desta segunda metade do mês. No Mato Grosso, a maioria dos dias desta segunda quinzena de julho deve ter máximas de 35ºC a 40ºC. O calor se fará sentir forte ainda em áreas do Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

A cidade de São Paulo terá muitos dias com máximas perto, em torno e acima de 30ºC nesta segunda metade de julho. Também a cidade do Rio de Janeiro terá vários dias de calor mais forte a partir da semana que vem. Esquenta acentuadamente também em Belo Horizonte a partir do meio da próxima semana.