A atuação de um poderoso rio atmosférico com chuva extrema, vento intenso e grande ressaca do mar deixa ao menos três mortos, cinco feridos e 76 desabrigados ou desalojados, além de provocar grandes estragos em diversas regiões do Chile.

Foto mostra inundações no Chile

Rio atmosférico castiga o Chile com chuva, vento e ressaca do mar | GUILLERMO SALGADO/AFP/METSUL

A tempestade, que começou na quarta-feira, é acompanhada por chuva intensa, ventos que passam de 100 km/h e forte ressaca, afetando cerca de dois terços do território chileno.

As autoridades alertam que o episódio ainda está longe do fim. A previsão indica que as condições meteorológicas adversas devem persistir pelo menos até domingo, mantendo elevado o risco de novos alagamentos, deslizamentos, interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos provocados pelo mar agitado.

O ministro do Interior, Claudio Alvarado, confirmou a morte de três pessoas durante a emergência. Segundo ele, as condições mais severas do sistema frontal ainda estavam por ocorrer, razão pela qual fez um apelo para que a população siga rigorosamente as orientações dos órgãos de emergência e evite deslocamentos desnecessários.

O Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) informou que, além das vítimas fatais, cinco pessoas ficaram feridas e 76 foram diretamente afetadas nas regiões de Maule, Biobío e La Araucanía. Outras 231 pessoas precisaram ser acolhidas em abrigos temporários, principalmente em função de evacuações preventivas.

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Os danos às moradias também são significativos. O balanço oficial aponta quatro casas completamente destruídas, 18 com danos graves, 271 com danos leves e outras 123 residências ainda em avaliação pelas equipes técnicas.

A tempestade provocou ainda um grande colapso no fornecimento de energia elétrica. No momento mais crítico da emergência, mais de 539 mil consumidores ficaram sem luz em todo o país. As regiões mais afetadas foram La Araucanía, Biobío, Valparaíso, Maule, Los Lagos e Los Ríos. Na manhã desta sexta-feira, embora parte do serviço já tivesse sido restabelecida, cerca de 305 mil clientes continuavam sem eletricidade. Somente na região de La Araucanía, mais de 109 mil consumidores ainda permaneciam sem energia.

A força do mar também impressionou. Na região de Biobío, cerca de 500 quilômetros ao sul de Santiago, enormes ondas avançaram sobre bairros costeiros, invadindo casas e arrastando móveis, cercas e diversos objetos pelas ruas.

Em relato dramático à agência France-Presse, uma moradora descreveu o momento em que acreditou que não sobreviveria à invasão do mar. “As ondas entravam pela janela levando tudo junto. Em determinado momento, abracei minha filha para me despedir porque achei que aquele seria o nosso fim”, contou, ainda bastante abalada após perder praticamente todos os bens da residência.

Outro episódio que chamou a atenção ocorreu na cidade de Coquimbo. Uma grande grua utilizada em uma obra desabou devido às rajadas de vento e caiu sobre seis casas. Apesar dos expressivos danos materiais, nenhuma pessoa ficou ferida no acidente. O governo chileno determinou a abertura de uma investigação para esclarecer as causas do desabamento. Segundo autoridades locais, já existiam orientações para que equipamentos desse tipo fossem devidamente protegidos diante da previsão de ventos extremos.

As fortes chuvas também provocaram alagamentos em diversos bairros da cidade de Quilpué, onde canais transbordaram e a água invadiu dezenas de residências. Na Região Metropolitana de Santiago, o temporal provocou acidentes de trânsito e congestionamentos em importantes vias da capital.

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A Direção Meteorológica do Chile ainda emitiu alerta para possibilidade de tempestades com raios em quatro regiões do centro do país, incluindo áreas de Coquimbo, Valparaíso, Metropolitana e O’Higgins, aumentando as preocupações das equipes de emergência.

Diante da situação, o presidente José Antonio Kast afirmou que milhares de servidores públicos estão mobilizados para prestar assistência às populações atingidas. Segundo ele, o mais importante neste momento é agir de forma preventiva para reduzir os riscos e proteger vidas.

Kast confirmou ainda que viajaria às regiões de Biobío e Maule para acompanhar de perto os trabalhos de resposta e avaliar a extensão dos danos provocados pela tempestade. As autoridades mantiveram a suspensão das aulas nesta sexta-feira em diversas regiões, desde Atacama até La Araucanía, enquanto equipes seguem monitorando rios, encostas e áreas costeiras.

Meteorologistas chilenos afirmam que o país não registrava um sistema frontal tão prolongado e com precipitações tão intensas havia cerca de duas décadas, tornando este um dos episódios meteorológicos mais significativos dos últimos anos no Chile.