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Chuva extrema devastou a malha viária da província canadense da Colúmbia Britânica | BC Hydro

O ano de 2021 jamais sairá da memória dos moradores da província canadense da Columbia Britânica. Os extremos do clima impuseram destruição e mortes como jamais se viu antes em uma sucessão de situações excepcionais que espantou a comunidade científica canadense e mundial.

Nesta semana, a província viu a sua estrutura viária ser devastada por volumes de chuva recordes trazidos por um rio atmosférico. A chuva isolou Vancouver do resto do Canadá e provocou enorme destruição em rodovias da região, além de graves inundações.


A cidade de Merritt enfrentou 44,5ºC de temperatura durante uma onda de calor no verão que dizimou todos os recordes e deixou centenas de mortos na região. Logo depois, a cidade foi assolada por uma seca e teve toda a sua população evacuada por incêndios florestais que estavam próximos. Agora, novamente uma ordem para toda a população abandonar a cidade devido às inundações catastróficas trazidas por um rio atmosférico.

É um desastre climático composto em que um extremo climático favorece ou potencializa outro. Com o calor extremo vieram os incêndios. Com os incêndios, veio a alteração na cobertura do solo e vegetação. Com a mudança no solo, os efeitos da chuva acabaram agravados.

As fortes chuvas caíram em áreas montanhosas que, em muitos casos, perderam por completo a cobertura vegetal pelos incêndios devastadores que assolaram a região no final de junho e início de julho. Sem a vegetação, o solo passou a absorver menos água e o terreno ficou mais propício ao escoamento da água em grande volume para as áreas mais baixas, além de mais instável.

Os incêndios florestais foram alimentados por uma onda de calor sem precedentes que trouxe uma temperatura máxima de 49,6ºC para Lytton, a mais alta já registrada no Canadá. A cidade de Lytton foi destruída por um incêndio apenas dois dias depois de ter marcado quase 50ºC. Um estudo de resposta rápida do programa World Weather Attribution apurou que a onda de calor teria sido “virtualmente impossível sem a mudança climática causada pelo homem”.

O estudo de atribuição estimou que o evento teria tempo de recorrência de um a cada mil anos pelo clima de hoje, mas acrescentou que “as temperaturas observadas foram tão extremas que estão muito fora da faixa de temperaturas observadas historicamente e isso torna difícil quantificar com confiança o quão raro o evento foi”.

O que são extremos compostos?

Os extremos compostos, referidos como extremos simultâneos, concorrentes ou coincidentes, podem levar a impactos maiores para a sociedade humana e o meio ambiente do que os extremos individuais isoladamente. Há uma ampla gama de eventos compostos que ocorrem em uma variedade de escalas espaciais e temporais.

Alguns exemplos típicos de extremos combinados incluem seca associada a ondas de calor, inundações costeiras associadas a vento intenso, aumento do nível do mar por ciclones tropicais seguidos de ondas de calor, inundações que se seguem a ciclones extratropicais, etc. Atualmente, a ciência trabalha para melhor compreender todos os tipos de extremos compostos, os processos dinâmicos e físicos associados a eles, a estrutura e os métodos para analisar os extremos e o risco nos climas presentes e futuros.

O que é um rio atmosférico?  

Um rio atmosférico é uma faixa estreita e intensa de ar carregada de umidade comumente associada a áreas de baixa pressão que trazem umidade dos trópicos. Eles lembram as correntes de vento em elevada altitude, as famosas correntes de jato, exceto que estão concentrados nas primeiras centenas de metros acima da superfície. São longos (mais de 2 mil quilômetros) e estreitos (até algumas centenas de quilômetros de largura).

De acordo com estudo do Journal of Hydrometeorology citado pela NASA, a passagem de um rio atmosférico sobre um local costeiro leva em média 20 horas. Os rios atmosféricos podem transportar quantidades imensas de vapor d’água. Durante uma palestra de 2017, o cientista atmosférico Martin Ralph, do Scripps Institution of Oceanography, disse que um rio atmosférico pode carregar 25 vezes mais água do que o Rio Mississippi, o maior da América do Norte.

Os rios atmosféricos geralmente liberam essa água na forma de chuva ou neve após atingirem o continente. Como transportam muita água, são vitais para muitos aspectos da hidrologia local e o abastecimento de água. Em algumas áreas costeiras do Oeste da América do Norte, cerca de metade ou mais da precipitação anual cai devido a tempestades atmosféricas geradas por rios voadores.

Rios atmosféricos e mudanças climáticas

Os rios atmosféricos causam a maior parte dos danos causados ​​por enchentes no Oeste dos Estados Unidos. Uma atmosfera mais quente leva à precipitação mais extrema em todos os tipos de tempestade, aumentando o risco de inundações.


A quantidade de água transportada por tempestades atmosféricas do Pacífico Norte e liberada no Oeste dos Estados Unidos aumentou entre 1948 e 2017, mostraram estudos. Tal aumento está relacionado ao aquecimento da superfície do oceano.

Prevê-se que as tempestades geradas pelos rios voadores aumentem de intensidade e duração na Califórnia em um clima mais quente, com os eventos de chuva intensa se tornando mais frequentes. A elevação da temperatura traz a tendência de a precipitação cair com maior frequência como chuva em vez de neve, aumentando os riscos de escoamento.

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