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Oeste dos Estados Unidos e do Canadá vai enfrentar calor sem precedentes. Será o segundo episódio extremo de calor neste mês e que afetará áreas mais ao Norte da Costa Oeste norte-americana. Seattle deve ter a maior temperatura da sua história. | Patrick Fallon/AFP/MetSul Meteorologia

Oeste dos Estados Unidos e do Canadá vai enfrentar calor sem precedentes. A Meteorologia dos dois países adverte que o Noroeste norte-americano e a região da província canadense de British Columbia devem se preparar para enfrentar temperatura alta jamais vista na região com calor extremo em que as máximas vão superar os 40ºC.

As máximas previstas para a região nos próximos dias excedem as maiores máximas até hoje registradas. A previsão do National Weather Service (NWS), o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, órgão oficial de previsão do tempo no país, é que as máximas alcancem em Seattle 39ºC no domingo, 41,1ºC na segunda e 32,7ºC na terça. A maior máxima desde que as medições tiveram início em 1945 foi de 39ºC em 29 de julho de 2009. O recorde oficial de junho é de 35,5ºC, observado em três anos: 1955, 1995 e 2017.


Em Portland, o recorde de maior máxima no aeroporto pode cair. A marca de 41,6ºC foi alcançada em 8 e 10 de agosto de 1981, e ainda em 30 de julho de 1965. O recorde de junho é de 38,8ºC em 26 de junho de 2006. A maior sequência de dias de calor extremo na cidade ocorreu entre 13 e 17 de julho de 1941.

Calor sem precedentes ameaça trazer crise de saúde pública

É grande a preocupação das autoridades com o calor extremo e a falta de preparo da população e das moradias para enfrentar valores tão altos de temperatura. A região tem um clima muito úmido e costumeiramente mais frio que costuma inibir episódios de calor muito intenso. Seattle e Vancouver são cidades conhecidas pelo clima muito chuvoso.

Seattle e Portland, pelo seu clima mais ameno e úmido, estão entre as três grandes cidades dos Estados Unidos com menor número de aparelhos de ar-condicionado por moradia. Em razão disso, há reiterados apelos para que as pessoas busquem os chamados “cooling centers”, locais com ar-condicionado em que a população pode buscar refúgio das altas temperaturas.

O temor é que o calor se transforme numa crise de saúde pública ante o alto risco de temperatura extremamente alta causar mortes por choque de calor em pessoas desacostumadas com clima muito quente.

Por que vai fazer tanto calor no Oeste dos Estados Unidos e do Canadá?

O calor extremo que afetará o Noroeste dos Estados Unidos e o Sudoeste do Canadá vai ser resultado do que se chama de um “heat dome” ou “bolha de calor”. Quando uma bolha de calor se instala numa região, um centro de alta pressão se instala em altitude e traz movimentos descendentes na atmosfera, o que se denomina de subsidência, o que garante uma sequência de dias de tempo firme e seco com gradual aquecimento.

Tempo muito aberto no Noroeste dos Estados Unidos e em British Columbia neste sábado com a bolha de calor | NWS/NOAA

A cada dia, com muito sol e ar seco, a temperatura se eleva mais. O calor fica aprisionado naquela região sob influência do centro de alta pressão, o que gera a expressão bolha de calor. 

No caso do Noroeste dos Estados Unidos e do Sudoeste do Canadá haverá ainda o agravante da região ter cadeias montanhosas.

Espera-se a ocorrência de vento quente e seco vindo das montanhas, o que aumenta ainda mais a temperatura pelo que se chama de aquecimento adiabático em que o ar desce de partes altas para as planícies e ao descer se comprime, elevando muito a temperatura.

A tendência é que o aquecimento adiabático suplante os efeitos da brisa marítima mais fria, o que explica a previsão de calor para a cidade de Seattle.

Oeste norte-americano tem segundo evento extremo de calor em dias

Este será o segundo evento extremo de calor no Oeste dos Estados Unidos agora em junho. Na metade deste mês, uma brutal onda de calor derrubou muitos recordes diários de temperatura em sete estados: Califórnia, Arizona, Novo México, Utah, Colorado, Wyoming e Montana.


Estados norte-americanos do Arizona, Califórnia e Nevada tiveram grande onda de calor na metade deste mês | Patrick Fallon/AFP/MetSul Meteorologia

Em Phoenix, no Arizona, a temperatura superou 46ºC por seis dias seguidos, um recorde, e chegou a 47,7ºC no dia 17. Em Tucson, também no Arizona, teve recordes diários de temperatura entre os dias 12 e 17 deste mês, sendo que os dias 15 e 16 entraram para a estatística histórica como os 4º e 10º mais quentes de toda a série histórica.

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Salt Lake City, no estado de Utah, igualou o seu recorde de máxima absoluta no dia 15 com 41,6ºC. A cidade de Billings, no estado de Montana, também igualou o seu recorde de máxima absoluta da série histórica com 42,2ºC.

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