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Chuva voltou a cair com maior intensidade na área da represa de Furnas, em Minas Gerais, a previsão é que as precipitações vão seguir abundantes na região nos próximos dias e semanas | DOUGLAS MAGNO/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A chuva retornou na época tradicional, diferentemente do ano passado em que atrasou mais de um mês, e os volumes registrados entre o final de setembro e o começo deste mês de outubro permitiram uma melhora da situação hídrica no país com alívio na crise energética, o que leva o Operador Nacional do Sistema (ONS) a descartar de momento a possibilidade de que os brasileiros enfrentem racionamento de luz.

A MetSul Meteorologia havia antecipado que outubro traria chuva volumosa e acima da média em muitas áreas do Centro do Brasil, incluindo na bacia do Rio Paraná, que responde por grande parte da geração de energia hidrelétrica do país. Acumulados de precipitação altos no Alto Paranaíba e na bacia do Rio Grande, em Furnas, contribuem significativamente para uma melhora da situação.


O mesmo ocorre com o Paraná, onde tem chovido muito em diversas áreas neste mês. Em diversos pontos as precipitações superaram 100 mm nos primeiros dez dias de outubro e em alguns os registros ficaram entre 200 mm e 300 mm. Em Minas, várias estações próximas ao lago de Furnas tiveram acumulados de 150 mm nos últimos 15 dias, casos de Passos e Machado. Volumes de 50 mm a 100 mm no Sul do Goiás também contribuíram para a melhora da situação dos rios.

A boa notícia é que vem mais água. Com um padrão atmosférico que favorece mais frentes frias na América do Sul e aumento da chuva no Centro do Brasil com incursões de ar frio no Sul do país, o restante de outubro promete volumes de chuva generosos para estas regiões que tanto precisam de água.

O mapa acima traz a projeção de chuva para sete dias do modelo meteorológico alemão Icon, disponível ao assinante na seção de mapas com quatro atualizações diárias, em que se observa a perspectiva de chuva generalizada no Centro-Sul do Brasil e com volumes elevados em muitas áreas. Os volumes no período devem ficar perto ou superar 100 mm em importantes bacias do sistema interligado nacional (SIN).

O que diz o ONS sobre a chuva

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou novos estudos seus que indicam um cenário mais otimista, com o período úmido chegando dentro do prazo normal. O órgão acautela que, embora o cenário esteja melhor, sem risco de racionamento e com disponibilidade energética para o atendimento de potência, “a situação hidroenergética ainda é sensível à eventual frustração e as medidas excepcionais que vem sendo gradualmente adotadas serão mantidas”.

De acordo com as projeções do ONS, o aumento do volume de chuvas em algumas regiões do país, com destaque para o Sul, já refletiu positivamente nos reservatórios, que chegaram ao final de setembro com índices superiores ao mês de agosto. E, esta tendência, conforme os técnicos, se mantém para outubro. Com isso, o volume do reservatório equivalente do sistema em setembro teve uma melhora de 2,0 p.p. em relação ao previsto, fechando o mês em 24,1% da energia armazenada máxima.

Para o fim de outubro e novembro foram traçados dois cenários. O primeiro considera uma oferta adicional de 4.800 MWmed. O segundo cenário projeta 5.900 MWmed adicionais. Em termos de Energia Natural Afluente (ENA), ou seja, a quantidade de água que chega em uma usina e que é capaz de ser transformada em energia, pelo estudo atual, houve um aumento de energia no SIN de 10.285 MWmed para o período outubro-novembro, em relação ao cenário traçado anteriormente pelo órgão.

As previsões do setor elétrico

O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) com as previsões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para a semana de 09 a 15 de outubro, indica uma grande melhora na Energia Natural Afluente (ENA) para as regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul, que devem chegar a 112% e 153% da MLT (média de longo termo), respectivamente.

Essa atualização na previsão de vazões foi o principal fator que influenciou na queda de 53,37% do Custo Marginal de Operação (CMO) em todos os subsistemas, passando de 426,20/MWh para os atuais R$ 198,74/MWh.


Ainda de acordo com o relatório, as afluências no Norte devem chegar a 75% da MLT, enquanto no Nordeste ficarão em 33% da MLT. Já os níveis dos reservatórios apontam sinais de recuperação em relação ao início do mês.  O Sul deve terminar outubro com 49,5%, seguido pelo Norte com 45,8% da capacidade. Os reservatórios do Nordeste devem ficar com 35,5% e do Sudeste/Centro-Oeste, com 15,2% do volume.

A situação, entretanto, está longe do considerada ideal com o enorme déficit de chuva acumulado, o que leva à manutenção das usinas térmicas. Com isso, a conta de luz do consumidor vai seguir muito cara porque uma crise hídrica de anos não se soluciona em poucos dias ou semanas.

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