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Milhares de exemplares de livros foram perdidos em livraria inundada pela chuva extrema que atingiu a cidade de Petrópolis. Comércio local sofre grandes prejuízos e cidade conta quase 200 mortos pelo temporal da tarde do dia 15. | MAURO PIMENTEL/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Em poucas horas, as chuvas extremas que devastaram Petrópolis inundaram o porão da principal livraria da cidade, estragando milhares de exemplares. Títulos infantis, manuais de engenharia mecânica, thrillers psicológicos, o clássico “O Hobbit”: todos os gêneros que compunham o vasto acervo da livraria Nobel ficaram submersos sob o esgoto misturado à lama arrastada pela tempestade.

“Como tenho um subsolo, onde a gente guarda o estoque, alaga muito rápido porque ficamos com 20 centímetros de água aqui dentro, mas lá tem 3 metros, então subiu até o teto”, conta à AFP a proprietária, Sandra Correa Neto, atrás do balcão do salão principal da livraria, que não sofreu grandes danos.


Os milhares de livros no porão, no entanto, terão que ser descartados. Desde que as águas baixaram, eles estão empilhados na calçada em frente ao local, em uma montanha de páginas molhadas e lamacentas cuja imagem viralizou nas redes sociais. Os exemplares que ficaram inteiros “não podemos nem doar” porque ficaram submersos no esgoto por pelo menos 36 horas e podem transmitir infecções, alerta Correa.

“É uma dor grande”, lamenta a mulher que administra a livraria com a família e estima o prejuízo em 500 mil reais, segundo declarações à imprensa. Ao saber que a livraria havia perdido parte de seu acervo, Lisa da Costa ofereceu ajuda para reconstruir o negócio. “Estamos muito tristes”, lamenta a voluntaria de 18 anos. Pelo menos 176 pessoas morreram depois que fortes chuvas provocaram deslizamentos de terra e inundações em 15 de fevereiro.


A chuva avassaladora transformou as ruas em rios que arrastaram árvores, carros e ônibus, e provocaram deslizamentos de terra nos bairros que ficam nas encostas das montanhas que cercam a cidade de 300 mil habitantes, ao Norte da cidade do Rio de Janeiro. Em poucas horas, um volume de água equivalente a um mês de chuva caiu sobre a cidade turística que foi a capital de verão do império brasileiro no século XIX.

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