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Quando em dezembro o estado da Bahia sofreu com chuva extrema foi porque um canal de umidade se organizou e trouxe precipitação volumosa para o Brasil Central e o estado baiano. O cenário se repetiu nos últimos dias de 2021 e os primeiros deste ano em Minas Gerais quando o canal de umidade primário da América do Sul, um grande rio voador que se origina no Norte do país e transporta umidade da Amazônia, estava atuando em áreas mais ao Norte da Região Sudeste.

Assim, a posição do canal principal de umidade na atmosfera sobre a América do Sul determina onde vai chover mais e menos no território brasileiro. Durante o verão costuma atuar mais na faixa central do Brasil, reforçando-se em eventos da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).


Já no inverno, pelo bloqueio da estação seca do Brasil Central, o canal é forçado para o Sul e o rio voador é frequente no Centro e Nordeste da Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É o que explica em grande parte as médias de precipitação serem as mais altas durante os meses de inverno e de começo de primavera no território gaúcho.

Com os gaúchos assolados por uma seca severa em muitas cidades e centenas de munícipios em situação de emergência pela estiagem, que seca rios e dizima lavouras com prejuízos de dezenas de bilhões de reais, a melhor notícia que poderia haver neste momento seria o grande rio voador com a umidade da Amazônia se posicionar mais ao Sul que sua localização normal climatológica desta época do ano, aumentando desta forma a chuva no território gaúcho.


É o que vai ocorrer! Os dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam que nestes últimos dias de fevereiro e, principalmente, nos primeiros de março o canal primário de umidade do continente vai estar mais ao Sul que a climatologia normal, alcançando o território gaúcho. Veja nos mapas abaixo como vai mudar o cenário do caminho que percorre a umidade nestes dias finais de fevereiro e na primeira semana de março.

Com isso, a perspectiva é de a chuva aumentar muito no Rio Grande do Sul nestes últimos dias de fevereiro e no começo de março, prevendo-se desde já que os acumulados de precipitação podem ser significativamente elevados em algumas regiões. O aumento da umidade, por outro lado, trará maior risco de temporais isolados com chuva intensa e extrema localizada em curto período, vento forte e granizo.

Um dos riscos neste tipo de situação em que há abundante umidade, o que vai se verificar em especial na primeira semana de março, são eventos localizados de chuva muito volumosa e até excessiva com altíssimos índices de precipitação em setores isolados, às vezes apenas parte de uma cidade, com alagamentos e inundações repentinos com possibilidade de transbordamento de arroios e córregos pela grande carga de água em curto período.

A abundante umidade na atmosfera durante o verão tem como efeito ainda fazer com que os dias fiquem mais abadados. A elevada umidade relativa do ar impede calor muito intenso, uma vez que a atmosfera se instabiliza rapidamente à medida que a temperatura fica alta, fazendo com as máximas não subam muito. À noite, entretanto, o ar úmido impede maior resfriamento e deixa as mínimas mais altas.

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