Subiu para cinco o número de mortos provocados pelo vento que atingiu os estados de São Paulo e Rio de Janeiro entre a tarde e a noite de quarta-feira (29). Impulsionada pela chegada de uma frente fria, a ventania trouxe rajadas superiores a 120 km/h, derrubou árvores, destelhou imóveis, deixou centenas de milhares de consumidores sem energia e causou grandes transtornos no transporte.

Equipes trabalharam durante toda a noite para remover árvores caídas nas ruas do Rio de Janeiro | PABLO PORCIUNCULA/AFP/METSUL
Em São Paulo, três mortes foram confirmadas. A primeira ocorreu em Santos, onde um homem em situação de rua morreu após ser atingido por uma árvore. A cidade registrou rajadas de 111,8 km/h. Outra vítima foi um motorista em Cesário Lange, no interior paulista. O carro em que ele estava foi atingido pela queda de uma árvore durante o vendaval.
A terceira morte ocorreu em São Sebastião, no Litoral Norte paulista. Um pescador de 50 anos morreu depois que a embarcação em que estava naufragou em meio aos ventos intensos. Outras quatro pessoas foram resgatadas com vida.
No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central da capital. Também houve buscas por um pescador desaparecido em Angra dos Reis.
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As rajadas mais intensas ocorreram em Itaporanga e Itaí, no interior paulista, onde a Defesa Civil registrou 124,9 km/h. Em Taquarituba, o vento chegou a 117 km/h. Em Itanhaém, alcançou 103 km/h. Na cidade de São Paulo, as rajadas atingiram 75,3 km/h no bairro da Saúde e passaram de 70 km/h na região do Aeroporto de Congonhas. Na cidade do Rio de Janeiro, o vento chegou a 105 km/h no Galeão.
O vento provocou dezenas de quedas de árvores, destelhamentos, desabamentos de muros e danos à rede elétrica. Somente na área de concessão da Enel em São Paulo, mais de 100 mil consumidores chegaram a ficar sem energia durante o pico da tempestade.
O transporte aéreo também sofreu impactos. No Aeroporto de Congonhas, voos foram cancelados e diversos outros tiveram horários alterados por causa das condições meteorológicas. Em Guarulhos, aeronaves precisaram ser desviadas para outros aeroportos devido às fortes rajadas.
Na capital fluminense, o cenário também foi de caos. A falta de energia interrompeu a circulação das linhas do metrô, dos trens e do VLT, afetando milhares de passageiros durante o horário de maior movimento.
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Os aeroportos Santos Dumont e Galeão registraram cancelamentos e desvios de voos. O sistema BRT teve estações danificadas, enquanto a Ponte Rio-Niterói enfrentou longos congestionamentos.
O Corpo de Bombeiros do Rio atendeu centenas de ocorrências relacionadas ao vendaval, incluindo cortes de árvores, salvamentos de pessoas e desabamentos.
Eventos com rajadas superiores a 100 km/h são considerados potencialmente destrutivos. Ventos dessa intensidade têm força suficiente para arrancar telhados, derrubar árvores de grande porte, deslocar contêineres, causar interrupções no fornecimento de energia elétrica e comprometer seriamente os sistemas de transporte terrestre, marítimo e aéreo.
A combinação da frente fria intensa com forte contraste de temperatura e pressão atmosférica entre o ar quente no continente e a massa de ar frio de trajetória marítima avançando pelo Atlântico favoreceu as rajadas muito intensas.