A chegada de uma frente fria provocou transtornos, mortes e caos nesta quarta-feira (29) em cidades próximas da costa no Sudeste do Brasil. Rajadas de vento extremamente fortes, que em alguns pontos passaram dos 100 km/h, deixaram um rastro de destruição em cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, com mortes, queda de árvores, interrupção de transportes, falta de energia elétrica e danos à infraestrutura.

LUIZ SOUZA/NURPHOTO/AFP/METSUL
O destaque ficou para a velocidade do vento registrada no estado de São Paulo. Dados da Defesa Civil apontaram rajada máxima de 117 km/h em Taquarituba, uma intensidade comparável à observada em tempestades severas. Também foram registrados 111 km/h em Itanhaém, 96,8 km/h em Itaporanga, 88,6 km/h em Itaberá e 83,7 km/h em Santos, onde os efeitos da ventania foram amplamente sentidos.
Na Baixada Santista, a força do vento provocou uma das situações mais graves do dia. Um homem morreu após ser atingido pela queda de uma árvore na região do Canal 5, em Santos. Informações preliminares indicam que a vítima vivia em situação de rua.
As rajadas extremamente intensas derrubaram árvores, postes, semáforos e estruturas metálicas em diversos bairros de Santos. Também houve destelhamentos, queda de muros e danos em edificações, exigindo a atuação de equipes da Defesa Civil e dos bombeiros ao longo de toda a tarde.
O impacto atingiu diretamente o maior porto da América Latina. A Autoridade Portuária de Santos interrompeu a navegação no estuário por medida de segurança durante várias horas. As operações na Ilha Barnabé, especializada na movimentação de granéis líquidos, produtos químicos e combustíveis, também foram suspensas preventivamente.
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Dentro da área portuária, a ventania deslocou contêineres em terminais, derrubou árvores de grande porte e provocou o desabamento de parte do muro de uma empresa sobre caminhões estacionados. As imagens registradas mostraram a dimensão dos danos causados pela força do vento.
Os reflexos também atingiram o transporte regional. As travessias de balsas entre Santos e Guarujá, Vicente de Carvalho e Santos, além da ligação entre Bertioga e Guarujá, foram interrompidas devido às condições inseguras de navegação impostas pelas rajadas.
Em Cubatão, a prefeitura contabilizou diversas ocorrências de queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Quinze escolas tiveram as aulas suspensas em razão dos danos provocados pelo temporal.
Enquanto isso, o Rio de Janeiro enfrentou uma situação igualmente crítica. A chegada da frente fria fez a velocidade do vento ultrapassar os 100 km/h, com registro de 105 km/h na estação do Galeão, uma das maiores rajadas observadas na capital fluminense nos últimos anos.
Os ventos provocaram duas mortes em Santa Teresa, onde um muro desabou sobre vítimas, segundo o Corpo de Bombeiros. Ao mesmo tempo, dezenas de árvores caíram em diferentes bairros da capital, bloqueando ruas, atingindo veículos e comprometendo a circulação.
A ventania desencadeou ainda um apagão de grandes proporções. A interrupção do fornecimento de energia atingiu bairros da Zona Sul, Centro, Tijuca, Barra da Tijuca e também municípios da Baixada Fluminense, causando impactos em praticamente toda a região metropolitana.
Sem energia, diversos sinais de trânsito deixaram de funcionar, agravando os congestionamentos justamente no horário de maior movimento. A falta de eletricidade também interrompeu completamente a circulação dos trens metropolitanos e do metrô durante parte da tarde.
Passageiros ficaram presos dentro de composições entre estações subterrâneas, enquanto outros enfrentaram plataformas lotadas aguardando o restabelecimento da operação. O sistema só começou a voltar gradualmente ao funcionamento no início da noite.
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A aviação também sofreu impactos importantes. O Aeroporto Santos Dumont suspendeu pousos e decolagens durante o período de maior intensidade do vento. No Aeroporto Internacional do Galeão, embora as operações tenham sido mantidas, diversos voos precisaram ser desviados para outros aeroportos.
Na orla carioca, imagens mostraram banhistas deixando rapidamente as praias quando a ventania chegou. Guarda-sóis, cadeiras e equipamentos foram lançados pelo vento, ilustrando a intensidade das rajadas associadas à chegada da frente fria.
Segundo a Defesa Civil paulista, os ventos registrados superaram a intensidade inicialmente prevista, motivando o envio de alertas severos para a população. A orientação foi procurar abrigo imediatamente, evitar áreas abertas e manter distância de árvores, postes, placas e estruturas metálicas.
Eventos com rajadas superiores a 100 km/h são considerados potencialmente destrutivos. Ventos dessa intensidade têm força suficiente para arrancar telhados, derrubar árvores de grande porte, deslocar contêineres, causar interrupções no fornecimento de energia elétrica e comprometer seriamente os sistemas de transporte terrestre, marítimo e aéreo.
A combinação da frente fria intensa com forte contraste de temperatura e pressão atmosférica entre o ar quente no continente e a massa de ar frio de trajetória marítima avançando pelo Atlântico favoreceu as rajadas muito intensas.