Quatro estados do Sul e do Sudeste do Brasil enfrentam cheias de rios e enchentes, por conta de volumes excessivos de chuva nos últimos dias, uma consequência direta do El Niño de excepcional intensidade. A situação é de maior gravidade no Paraná e em São Paulo, onde choveu mais, mas há problemas também em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Enchente atinge o município de Eldorado, Vale do Ribeira, em São Paulo, nesta segunda-feira | FREDERICO VIEGAS/ISA
No estado de São Paulo, desde o fim de semana o excesso de chuva traz enchentes, alagamentos e elevação dos níveis dos rios em diferentes regiões. No Vale do Ribeira, moradores precisaram deixar casas e comércios diante do avanço das águas.
Em Eldorado, ruas amanheceram alagadas nesta segunda-feira (14). A cheia do Rio Ribeira de Iguape elevou o nível do rio em cerca de nove metros desde o início das chuvas. A situação também preocupa em Sete Barras, onde o transbordamento do Rio Ribeira de Iguape inundou vias e propriedades rurais. Pelo menos 50 moradias foram afetadas.
Em Eldorado, 54 famílias foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil no domingo. A orientação das autoridades é para que moradores de áreas de risco procurem locais elevados. A tendência é de que os rios continuem subindo. A alta vazão da represa do Rio Capivari, no Paraná, aumenta o volume de água que chega ao Ribeira de Iguape.
Dos 29 pontos monitorados pela SP Águas na bacia do Ribeira, seis estão em extravasamento. Um ponto, em Registro, está em nível de emergência, enquanto outros seis permanecem em alerta.
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No interior, o Rio Tietê também apresenta vazão elevada. Em Salto, chegou a 652 metros cúbicos por segundo, muito acima da faixa normal, de 30 a 250 metros cúbicos por segundo. A cheia provocou alagamentos em Salto, Cabreúva e Araçariguama. Nesta última, moradores ficaram ilhados e cerca de 30 famílias precisaram deixar suas casas. Em Salto, a enchente também carregou toneladas de resíduos plásticos para o Rio Tietê. A Defesa Civil mantém o monitoramento e recomenda evitar áreas próximas às margens dos rios.
Enchentes no Paraná
As fortes chuvas que atingem o Paraná provocaram impactos em 71 municípios, segundo a atualização mais recente da Defesa Civil estadual. O balanço aponta 21.107 pessoas afetadas, 2.128 desalojadas e 395 desabrigadas. Os temporais também provocaram três mortes e deixaram três pessoas desaparecidas. Ao todo, 2.867 casas foram danificadas em diferentes regiões do estado.
A situação é pior no Vale do Ribeira, nos municípios de Cerro Azul, Adrianópolis e Rio Branco do Sul. A região registra deslizamentos, quedas de barreiras, danos em estradas e problemas no abastecimento.
Em Adrianópolis, uma erosão provocada pela chuva destruiu parte da BR-476, no quilômetro 6. O bloqueio interrompeu completamente o acesso pela rodovia e deixou a cidade praticamente isolada.
Adrianópolis também enfrenta falta de energia elétrica e problemas no abastecimento de água. A Unidade de Pronto Atendimento funciona com o auxílio de um gerador, enquanto caminhões-pipa e equipamentos são enviados ao município.
Em Cerro Azul, deslizamentos e desmoronamentos atingiram diferentes pontos da cidade e das rodovias. Caminhões-pipa auxiliam no abastecimento, enquanto máquinas pesadas trabalham na retirada de barreiras.
Rio Branco do Sul também enfrenta uma situação preocupante. Duas pessoas estão desaparecidas após, segundo o Corpo de Bombeiros, terem sido levadas pela correnteza de um rio durante o período de chuva. Em Tunas do Paraná, outra pessoa permanece desaparecida. O município registra diversos deslizamentos, com equipes trabalhando para liberar os acessos rodoviários.
Na Região Metropolitana de Curitiba, Almirante Tamandaré registrou deslizamentos que obrigaram cerca de 30 famílias a deixarem suas casas preventivamente. Em São José dos Pinhais, 320 pessoas foram afetadas e 72 imóveis tiveram danos. Em Araucária, 220 pessoas foram afetadas pelas ocorrências de inundação e alagamento. O município contabiliza ainda 63 desabrigados e 40 casas danificadas.
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Em União da Vitória, o nível do Rio Iguaçu chegou a aproximadamente 6,3 metros. A marca supera o nível de 6,1 metros em que o rio começa a deixar a calha, mantendo as equipes em alerta.
Emergência em Santa Catarina
As fortes chuvas dos últimos dias elevaram o nível dos rios e provocaram enchentes em diferentes regiões de Santa Catarina. Em Porto União, mais de 370 pessoas foram afetadas pela elevação do Rio Iguaçu. O nível do rio chegou a 6,22 metros nesta segunda-feira (14), conforme a Defesa Civil. A marca está 20 centímetros acima da cota de alerta e a previsão é de continuidade da elevação.
A enchente já obrigou 196 pessoas a deixarem suas casas e procurarem abrigos disponibilizados pela prefeitura. Outras 58 famílias estão desalojadas e permanecem em casas de parentes. Três escolas municipais estão sendo utilizadas como abrigos e, por isso, as aulas foram suspensas nessas unidades. A inundação também atingiu comunidades e áreas próximas ao curso do Rio Iguaçu.
Segundo a atualização da Defesa Civil divulgada na manhã desta segunda-feira, 237 pessoas estavam desabrigadas e 239 desalojadas em todo o estado. Ao menos 18 municípios decretaram situação de emergência devido aos impactos dos temporais. Entre eles estão Canoinhas, Três Barras, Joaçaba, Herval d’Oeste, Rio Negrinho, Ibirama, Irineópolis, Catanduvas e Águas de Chapecó.
Rio Uruguai sai do leito no Rio Grande do Sul
O Rio Uruguai ultrapassou a cota de inundação em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, na manhã desta segunda-feira (14). O nível superou os 9 metros por volta das 5h. A elevação ocorre devido às chuvas que caíram ainda no começo da semana passada na parte inicial da bacia, entre os Campos de Cima da Serra e o Alto Uruguai. Duas famílias deixaram suas casas e foram para imóveis de parentes, enquanto dois estabelecimentos comerciais da orla precisaram ser fechados.