O Oceano Pacífico Equatorial está agora em condições de Super El Niño por todos os critérios de monitoramento utilizados no monitoramento da agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, mostram dados divulgados nesta segunda-feira pela NOAA.

NOAA
De acordo com o boletim semanal publicado hoje pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a anomalia de temperatura da superfície do mar pelo tradicional índice ONI (Índice Oceânico Niño) é de +2,9ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito forte e no limite de intenso. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño.
A NOAA passou a utilizar neste ano um segundo índice, chamado de Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que faz uma compensação com o aquecimento dos oceanos tropicais, e que mostra hoje uma anomalia na Região Niño 3.4 de +2,0ºC, na categoria de El Niño muito forte.
É a primeiro boletim semanal da NOAA que informa o índice RONI com anomalia de +2ºC ou superior. Assim, pela primeira vez no evento de 2026-2027 o critério de Super El Niño foi alcançado pelos dois indicadores usados pela agência norte-americana.
A última vez em que o índice RONI esteve na categoria de Super El Niño em um boletim semanal da NOA foi em 10 de fevereiro de 2026, no episódio do fenômeno de 2015-2016, com anomalia semanal de +2,1ºC. No evento da década passada, o maior valor do RONI foi de +2,7ºC, na semana de 18 de novembro de 2015.
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Entenda a diferença entre os índices ONI e RONI
O ONI (Oceanic Niño Index) é o índice tradicional usado pela NOAA para acompanhar o El Niño e a La Niña. Calcula a média trimestral da anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, utilizando como referência uma média climatológica de 30 ANOS e atualizada periodicamente.
Já o índice RONI (Relative Oceanic Niño Index) foi desenvolvido para reduzir o efeito do aquecimento global sobre a classificação dos eventos de El Niño e La Niña. Em vez de comparar a temperatura do Pacífico com uma média climatológica fixa, o RONI utiliza uma referência ajustada ao aquecimento observado, permitindo avaliar melhor o quanto o oceano está anormalmente quente ou frio.
Na prática, o ONI tende a apresentar valores mais altos porque incorpora parte do aquecimento de longo prazo do oceano como anomalia. O RONI procura retirar esse componente de tendência.
El Niño de 2026 entre os mais intensos da história
A intensidade do episódio do El Niño de 2026-2027, com anomalia de +2,9ºC pelo índice ONI, já coloca o evento deste ano entre os mais intensos já observados na era moderna e perto de um recorde, superando episódios marcantes das últimas décadas.
Levantamento da MetSul com base em dados semanais da NOAA e calculados pelo método ONI mostra que o maior valor de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño foi registrado no evento de Super El Niño 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana de 18 de novembro de 2015, seguido por 2,6°C no Super El Niño de 1982-1983, na semana de 29 de dezembro de 1982.
Com dados do ONI, nunca nos tempos modernos o Pacífico atingiu o patamar de Super El Niño tão precocemente como em 2026. O primeiro dado semanal com anomalia de +2ºC foi na semana de 8 de julho. No Super El Niño de 1982-1983, a anomalia só alcançou +2ºC na semana de 24 de novembro. No Super El Niño de 1997-1998, a primeira semana com intensidade muito forte apenas ocorreu em 3 de setembro. E no grande evento de 2015-2015, o patamar de Super El Niño foi atingido pela primeira vez somente na semana de 16 de setembro.
Modelos indicam pico no fim do ano
Modelos numéricos apresentam consenso que o pico deste El Niño, como normalmente ocorre, deve se dar no final do ano. Algumas simulações apontam a intensidade máxima em novembro e outros em dezembro.
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A mediana dos dados hoje aponta que o atual El Niño pode atingir no pico de intensidade no final deste ano valores próximos ou ao redor de +4°C de anomalia na principal região de monitoramento do El Niño (Niño +3.4), com base no tradicional índice de monitoramento ONI (Oceanic Niño Index).
Caso se confirme, será valor muito acima do patamar de +2°C utilizado para caracterizar informalmente um Super El Niño, o que pelo índice ONI já foi atingido ainda em julho e pelo índice RONI agora em setembro, e não apenas superaria por larga margem os picos de todos os eventos do fenômeno no século 20 como colocaria o episódio atual em território excepcional e jamais observado em 170 anos de observações.
Atenção sobre intensidade e consequências
A intensidade de um El Niño, medida pela temperatura das águas do Pacífico Equatorial, não determina de forma proporcional a dimensão dos impactos no clima global ou regional. Um evento mais quente não significa, necessariamente, efeitos maiores em todas as partes do planeta. A relação entre intensidade e impactos não é linear.
Cada episódio de El Niño tem uma história própria e ocorre dentro de uma configuração atmosférica e oceânica diferente. A posição das águas mais quentes, a circulação atmosférica, os ventos, a temperatura dos demais oceanos e a interação com outros padrões climáticos podem modificar significativamente a resposta observada durante cada evento.
Por isso, os impactos também variam tanto regionalmente quanto em magnitude. Um El Niño muito intenso pode provocar efeitos extraordinários em determinadas áreas e relativamente modestos em outras, enquanto eventos de menor intensidade podem produzir consequências importantes em regiões específicas.
O El Niño de 2026 é muito mais forte que o de 2023, por exemplo, e até o momento trouxe menos chuva que três anos atrás no Rio Grande do Sul enquanto em São Paulo foi responsável por grandes ondas de calor há três anos e agora causa excesso de chuva até com enchentes.