A MetSul Meteorologia alerta que o Guaíba já supera a cheia da semana passada e que tende a subir mais entre hoje e amanhã com a chegada de maior vazão dos rios, podendo atingir a cota de alerta de 2,5 metros no Cais Mauá.

LUCIANO LANES/PMPA
Os picos de vazão dos rios Taquari e Caí vão alcançar o Guaíba nas próximas 48 a 72 horas ao mesmo tempo que a vazão das cheias do Jacuí, Sinos e Gravataí seguirá chegando à área da capital nos próximos dias.
No final da madrugada desta quinta-feira (30), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 2,15 metros e a tendência é de gradual elevação com subida mais acentuada hoje (30) e ainda na sexta (31).
Os dados são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cujo medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.
A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados da régua do Gasômetro. A que fazemos uso está no ponto oficial de medição por 150 anos e tem cota de inundação de 3,00 metros, que é a conhecida amplamente pela população.
Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora.
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A SITUAÇÃO DOS RIOS CONTRIBUINTES DO GUAÍBA
O Guaíba tem cinco rios contribuintes: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A condição de cada um deles, em conjunto, conta a história de uma cheia do Guaíba. Os dois maiores contribuintes são o Taquari e o Jacuí.
No final da madrugada de hoje, o Rio Taquari em Lajeado alcançava 23 metros em Lajeado e baixava. O pico da cheia no vale foi ontem à noite com quase 24 metros, perto de um metro abaixo do máximo observado na semana passada.
Já o Rio Caí em São Sebastião do Caí estava com 13 metros e baixava, mas ainda subirá entre Montenegro e Nova Santa Rita. O pico da cheia foi de 13,2 metros, acima dos 11,4 metros da cheia da semana passada.
O Rio dos Sinos em São Leopoldo estava em 4,76 metros na régua de São Leopoldo com quase estabilidade. Há grande vazão descendo a partir das nascentes, especialmente da contribuição do Rio Paranhana, o que vai elevar o Sinos na Grande Porto Alegre ainda mais nos próximos dias com risco de cheia de maior gravidade.
O Rio Gravataí está em Gravataí neste começo de manhã com 4,96 metros, ou seja, acima da cota de inundação de 4,75 metros, e ainda subia. Assim como no caso do Sinos, há água ainda por chegar das nascentes e a tendência é de elevação maior nos próximos dias.
Outro rio que preocupa, que mal baixou da chuva da última semana, é o Jacuí. Com o que choveu ao longo da bacia, o nível já elevado tende a subir ainda mais durante os próximos dias com inundações no Centro do estado, na Região Carbonífera e na parte final junto ao delta na região de Eldorado do Sul e Porto Alegre.
A primeira onda de vazão a alcançar o Guaíba será a do Taquari nas próximas 48 horas. Na sequência, haverá gradualmente a do Rio Jacuí e do Caí. Ao mesmo tempo, aumentará nos próximos dias a chegada de água dos rios Gravataí e Sinos.
ILHAS DE PORTO ALEGRE TERÃO INUNDAÇÃO
Diante do cenário dos rios contribuintes, esta nova cheia já é maior que a da semana passada que teve pico de 2,11 metros no Cais Central na sexta-feira (2). A tendência é de o Guaíba subir mais com alta probabilidade de atingir a cota de alerta de 2,5 metros e baixa probabilidade, pelos dados de agora, de alcançar a cota de inundação de 3 metros.
A MetSul Meteorologia enfatiza que o risco em Porto Alegre nos próximos dias deverá se concentrar nas ilhas da capital, no bairro Arquipélago, onde os primeiros alagamentos ocorrem quando a medição do Cais Central da Mauá indica cotas de 2,0 a 2,2 metros.
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Uma vez que o Guaíba vai se elevar mais, a marcas entre 2,30 metros e 2,50 metros, nas próximas 48 horas, a tendência é que pontos mais baixos das ilhas tenham alagamentos. No pico da cheia, diferentes pontos das ilhas podem ter alagamentos e inundações com provável remoção de famílias de suas casas.
A COMPLEXIDADE HIDROLÓGICA DO GUAÍBA
Prever o nível do Guaíba é tão, mas tão complexo e difícil, com variáveis diferentes de prognosticar o nível de um rio apenas, que não é apenas vazão dos rios (hidrologia) que desaguam que determina o seu nível. Aliás, o fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba.
No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba, assim o cenário exige atenção não apenas nos próximos dois a três dias, mas ainda no começo da semana que vem.
Há também a variável do vento (meteorológica). Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos. Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.
Nos próximos dias, quando chegar a onda principal de vazão dos rios, a previsão é de o vento soprar de direções que favorecem o escoamento das águas para a Lagoa dos Patos. Na segunda metade da semana que vem, com o Guaíba ainda alto, há risco de vento Sul.
Enfatizamos que a cheia dos próximos dias não repetirá as grandes de novembro de 2023 e maio de 2024. O cenário é de alerta, mas não se deve esperar uma inundação de grandes proporções ou extrema como nos dois episódios.