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Mar “gigante” com ondas enormes fez a alegria dos surfistas no Rio de Janeiro nesta semana com o swell do ciclone subtropical Potira que atuava no Oceano Atlântico a Sul-Sudeste do Rio com vento perto de 100 km/h em alto mar. O swell trouxe ondas enormes nos principais “picos¨ do surfe da cidade do Rio de Janeiro e em Niterói, além da Baía de Guanabara.

Os surfistas aproveitaram as ondas em picos como Itapuca, Praia do Flamengo, nos postos 5 e 6 de Copacabana, Caroço do Laje (“Laje da Besta”), Peró e outras praias da região do litoral fluminense.


O surfista e fotógrafo especializado em surfe Eduardo Barão (veja seu trabalho), foi um dos que caiu no mar para aproveitar a ondulação ciclônica e fazer imagens incríveis das ondas na cidade do Rio de Janeiro.

Surfista Gabriel Sodré em big ride no posto 5 de Copacabana com o mar grande no Rio de Janeiro | Eduardo Barão

Swell do Ciclone Potira trouxe enormes ondas no Rio de Janeiro | Eduardo Barão

Surfista Tiago Arraes em tubo perfeito no posto 5 de Copacabana | Eduardo Barão

Em semana de “Pipeline”, Rio de Janeiro teve mar para big riders em alguns dos seus principais picos | Eduardo Barão

Com efeito, o que mais chamou atenção foi a a Laje da Besta. O swell com ressaca trouxe grande número de surfistas para a Laje da Besta, na entrada da Baía de Guanabara, onde por regra as águas são calmas e a ondulação trouxe ondas imensas. A ondulação atraiu ainda grande número de curiosos para o local, interessados em testemunhar ou fotografar o swell do ciclone.

Laje da Besta foi atração nesta semana no Rio de Janeiro | Eduardo Barão

O mar com ondas gigantes também traz riscos. Um bombeiro desapareceu no mar quando fazia treinamento na Barra da Tijuca. Drones e motoaquáticas foram empregadas nos esforços de busca. Em Copacabana, um surfista se afogou e foi resgatado quando o leash da sua prancha arrebentou. O próprio fotógrafo Eduardo Barão teve uma prancha quebrada pela violência do mar ao surfar em Copacabana.

Pranchas não resistiram à força das ondas no swell de Potira | Eduardo Barão

A tendência é de diminuição gradual da ondulação à medida que o sistema ciclônico no oceano enfraquece até a sua completa dissipação, mas o período frio deste ano reserva ainda muitos outros eventos de grande swell com a formação de ciclones extratropicais no Atlântico Sul.

Por que as ondas enormes no Rio de Janeiro?

O ciclone Potira provocou ondas enormes nos litorais do Sul e do Sudeste do Brasil. O sistema gerou uma pista de vento que trouxe ondas de grande tamanho nos litorais do Sul e do Sudeste. O campo de vento de um ciclone subtropical, assim como ocorrem com os ciclones extratropicais, alcança uma área muito maior que as dos ciclones de natureza tropical.

Tempestade subtropical Potira (ciclone) na costa do Sudeste e um grande centro de alta pressão (anticiclone) ao Sul geraram muito vento sobre o oceano e o swell no Sul e no Sudeste | DECEA/Redemet

O ciclone atípico se formou ontem em alto-mar, nas coordenadas 27°S e 43°W, sendo classificado no começo da semana como depressão com ventos estimados por satélite entre 25 e 30 nós (45 a 55 km/h). Seu centro se encontrava a aproximadamente 300 milhas náuticas (555 km) a Leste da costa do estado de Santa Catarina e a 250 milhas náuticas (450 km) ao Sul da costa do estado do Rio de Janeiro. O seu deslocamento era lento para Leste-Nordeste. Depois, com sua intensificação, o ciclone passou à categoria de tempestade por alguns dias, antes de ser rebaixado para novamente a condição de depressão neste sábado.

Por que o sistema é atípico?

A regra é que ciclones (centros de baixa pressão) não tenham características subtropicais ou tropicais no litoral do Brasil, mas em quase todos os anos ocorre ao menos um. Já os ciclones extratropicais são muito comuns no Atlântico Sul e se formam principalmente das latitudes do Rio Grande do Sul para o Sul.

Por que este ciclone tem nome e a maioria não recebe?

Ciclones extratropicais, freqüentes no Atlântico Sul, não são nomeados. Ciclones atípicos de natureza subtropical ou tropical, entretanto, recebem nomes na costa brasileira. Os sistemas passam a ter nome apenas com vento sustentado mais forte. Depressões atmosféricas, mesmo subtropicais ou tropicais, com vento entre 30 km/h e 63 km/h não são classificadas por nome. Por outro lado, se o sistema passar a apresentar vento sustentado de 63 km/h ou mais deixará de ser uma depressão e se converterá em tempestade subtropical ou tropical, recebendo nome.

Com efeito, de acordo com as Normas da Autoridade Marítima para Meteorologia Marítima (NORMAM-19), para que haja a classificação do ciclone como tempestade subtropical ou tropical e a sua nomeação, os ventos deverão ser iguais ou superiores a 34 nós ou 63 km/h.

Entenda os diferentes ciclones

Ciclones podem ser extratropicais (centro de baixa pressão com perfil frio), subtropical (centro da baixa pressão com características extratropicais e tropicais), e tropicais (centro de baixa pressão com perfil quente).

Os sistemas mais intensos costumam ser os tropicais, quando atingem o status de furacão, e os extratropicais que experimentam uma intensificação muito rápida (ciclogênese explosiva).


Diferentemente dos furacões em que o campo de vento é mais concentrado e se dá na parede do olho e ao redor, nos ciclones subtropicais – assim como nos ciclones extratropicais – o campo de vento é mais extenso e capaz de atingir áreas mais distantes do centro da área de baixa pressão.

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Ciclones extratropicais são muito comuns em nossa região. Já os subtropicais e tropicais são anômalos ou atípicos.

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