Serra de Corupá segue totalmente interditada na BR-280, no trecho entre os quilômetros 84 e 120. São diversos pontos com encostas instáveis e risco de deslizamento iminente, alertou a Polícia Rodoviária Federal | PRF/DIVULGAÇÃO

A Polícia Rodoviária Federal, em Santa Catarina, emitiu um grave aviso sobre as condições das estradas no estado. “Os deslizamentos de encostas vão se multiplicando”, informou o órgão em suas redes sociais na madrugada desta quarta-feira ao noticiar inúmeros bloqueios de estradas e grandes desvios para os motoristas que pretendem viajar entre Santa Catarina e o Paraná.

“Chove torrencialmente neste momento na Serra de Corupá. Novas ocorrências de deslizamentos de encostas vão se multiplicando na região. A BR-280 está interditada entre os quilômetros 84 e 120 e sem previsão de liberação”, publicou a Polícia Rodoviária Federal em sua conta do Twitter.

A Serra do Corupá está localizada no Norte de Santa Catarina, nas áreas dos municípios de São Bento do Sul e Corupá. A chuva nesta semana na região atinge volumes extremos. Dados das estações meteorológicas apontam acumulados desde o fim de semana de 289 mm em Corupá e 271 mm em São Bento do Sul.

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A MetSul Meteorologia enfatiza que o risco de deslizamentos de terra segue extremo no Leste e no Nordeste de Santa Catarina. São vários dias seguidos com chuva, os volumes registrados de precipitação são extraordinariamente altos e há previsão de mais chuva forte.

De acordo com o prognóstico da MetSul, o risco de precipitações localmente fortes segue nesta quarta no Leste Catarinense, inclusive na região de Florianópolis. O aporte de umidade do mar para o continente deve aumentar e ao encontrar a Serra do Mar gerará chuva por vezes muito forte.

O vento que sopra do oceano para o continente vem carregado de umidade. O ar úmido ao encontrar a barreira física dos morros e montanhas acaba ascendendo na atmosfera. Quanto mais alto na atmosfera, mais frio. E o ar úmido, ao se elevar, acaba encontrando ar mais frio e termina por se condensar, gerando nuvens e chuva.

Este tipo de chuva é chamado de orográfica ou induzida pelo relevo, e em determinadas situações pode gerar volumes de precipitação muito altos, como está ocorrendo agora no Leste de Santa Catarina e do Paraná.

No Paraná, a BR-376 segue bloqueada no município de Guaratuba por conta do deslizamento de terra enorme que atingiu e soterrou diversos veículos. Duas mortes foram confirmadas até o momento e há um número indeterminado de desaparecidos. Imagens aéreas mostram um cenário assustador no local com apenas as rodas dos veículos pesados aparecendo e grande quantidade de terra encobrindo outros veículos.

ADRYEL PABST/PREFEITURA DE GARUVA 

Foi identificada a primeira vítima da tragédia na BR-376. Trata-se de um profissional de 60 anos que dirigia o caminhão que ficou pendurado no momento do deslizamento. José Maria Pires conduzia a carreta e a família reconheceu pelas primeiras imagens o caminhão com container vermelho.

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Seis pessoas foram resgatadas com vida no local do deslizamento em Guaratiba. Uma força-tarefa continua trabalhando no local nos esforços de buscas por vítimas e de desobstrução da via, que continua sem previsão de liberação. Bombeiros tanto de Santa Catarina como do Paraná atuam na ocorrência.

O enorme deslizamento de terra que atingiu a BR-376, no município de Guaratuba, perto da divisa com Santa Catarina, ocorreu durante a vigência de alerta de chuva extrema com risco extremo de queda de barreiras e desmoronamento de encostas em consequência das precipitações em índices excepcionais.

CBMSC

O desastre na rodovia que liga os estados de Santa Catarina e do Paraná, portanto, não foi uma tragédia que possa se dizer inesperada. Desde a semana passada a MetSul Meteorologia vinha advertindo que a região poderia receber acumulados de chuva tão extremos como 500 mm a 600 mm com algumas projeções por parte de modelos apontando até marcas de 600 mm a 700 mm em poucos dias.

A área do Nordeste de Santa Catarina de divisa com o Litoral Sul do Paraná e a serra adjacente era justamente a região para o qual os modelos numéricos de computador analisados pela MetSul, e cujos mapas foram reproduzidos em todos os alertas, apontavam os acumulados mais extremos de chuva.