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Um voo da empresa aérea azul enfrentou a tempestade de areia que atingiu ontem a cidade de Campo Grande e vários outros municípios do estado do Mato Grosso do Sul. Os vendavais que levantaram uma enorme de terra e poeira, fenômeno conhecido como haboob, com rajadas perto e acima de 100 km/h, provocaram muitos estragos e deixaram a cidade de Dourados em situação de emergência. Em Corumbá, uma embarcação com 21 ocupantes virou com a força do vento e seis pessoas morreram. Uma está desaparecida.

Se a experiência em terra já foi assustadora para os moradores de Campo Grande, onde o vento derrubou árvores e causou destelhamentos, imagine para quem estava em um avião que teve de atravessar a tempestade de areia. Foi o que ocorreu com um voo da Azul que fazia a rota entre Campo Grande e Campinas, e que decolou do Mato Grosso do Sul às 14h45h

A psicóloga Cris Duarte, de 47 anos, disse ao portal Campo Grande News que a tempestade de areia atingiu a aeronave assim que o aparelho levantou voo do aeroporto de Campo Grande. “Foi questão de dois minutos, o avião decolou, aí já veio aquela nuvem de areia e imediatamente a aeronave desestabilizou”, disse. Segundo a passageira, logo depois a turbulência se tornou severa com pessoas passando mal e vomitando com medo tomando conta dos passageiros e tripulação.

“Foi um desespero total, os passageiros começaram a passar mal, a vomitar. Deu para sentir o nervosismo dos próprios comissários, já que eles também não podiam levantar das suas poltronas por conta da turbulência”, afirmou. A psicóloga estima que a aeronave demorou cerca de dez minutos para atravessar a tempestade de areia.

“A comandante pediu para que todos tivessem calma e disse que estava tentando conduzir a viagem com segurança, mas os passageiros sentiram que não tinha nada de comum no que nós estávamos passando. A aeronave desceu em queda livre, subiu, inclinou para direita, para esquerda, enquanto a comandante tentava desviar da tempestade, mas parecia que não tinha para onde ir”, contou ao Campo Grande News.

A passageira do voo da Azul relatou ainda que toda a viagem até Campinas foi marcada por muita turbulência e desconforto à bordo. Isso se explica pela mesma situação que levou à grande tempestade de areia no estado do Mato Grosso do Sul. Uma frente fria avançava do Paraguai para o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo com uma linha poderosa de tempestades com vento muito forte que se estendia por centenas de quilômetros.

Uma massa de ar frio avançava pelo Norte da Argentina e o Paraguai, na retaguarda da frente fria, e reforçou muito a instabilidade frontal ao encontrar o ar muito quente que estava sobre o Norte do Paraguai, o interior de São Paulo e o território sul-mato-grossense. A rápida troca de massas de ar, de quente para fria, gerou vento muito intenso.


As imagens de satélite mostravam uma linha bem definida de nuvens com topos apresentando temperatura de -70ºC a -80ºC, logo nuvens extremamente carregadas e com altíssimo potencial de causar tempo severo. É muito provável que em alguns pontos o vento não tenha tido características de frente de rajada e possam ter ocorrido eventos severos isolados de vento como microexplosões (downbursts).

Os pilotos das aeronaves contam com moderna tecnologia de radar meteorológico onboard nas aeronaves que permitem desviar de tempestades, o que rotineiramente fazem, entretanto no caso de ontem, quando havia uma linha de tempestades com centenas de quilômetros de extensão, não é possível desviar das formações de temporal e o comandante busca evitar as áreas de instabilidade mais intensa.

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