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ANDY BUCHANAN/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Apesar de seus 12 anos e 1,40 metro de altura, o colombiano Francisco Javier Vera é uma grande figura na COP26, onde defende o meio ambiente e os direitos humanos com uma eloquência incomum que lhe rendeu ameaças de morte em seu país. Seja em cima de uma mesa no meio da rua para falar com os manifestantes, seja dando entrevista aos jornalistas que o abordam pelos corredores da conferência climática de Glasgow, este ativista com óculos e covinhas nas bochechas é puro carisma.

“Acredito que os meninos e meninas, ao contrário do que as pessoas dizem de que somos o futuro, somos o presente e temos uma opinião e uma voz como cidadãos”, disse à AFP com sua fala rápida e apaixonada acompanhada de muitos gestos e um doce sorriso. “Mas não permitem que nos expressemos”, acrescenta, mostrando ao seu redor que dentro da COP26 não se vê muitas outras crianças.


Francisco pede aos líderes mundiais “que governem para a vida e não só para o clima, para uma vida digna, uma educação, saúde, direitos humanos” e “que tenham compromissos reais”. Ele foi convidado pelo programa Euroclima+ da União Europeia, que o designou “embaixador de boa vontade” pela sua luta ambiental.

A história de Francisco Javier Vera

Tudo começou em março de 2019, quando o pequeno grande defensor dos animais tinha 9 anos e viu a Amazônia e as florestas da Austrália queimarem. Inspirado pela jovem ativista sueca Greta Thunberg, mas também por figuras como a paquistanesa Malala Yousafzai, saiu da escola um dia e disse aos seus pais que queria fundar um movimento.

ANDY BUCHANAN/AFP/METSUL METEOROLOGIA

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Francisco começou com seis amigos dando um discurso na prefeitura de Villeta, sua pequena cidade do departamento de Cundinamarca, a cerca de 90 km de Bogotá. Seu grupo foi crescendo e agora conta com 400 crianças, participando de eventos com figuras como o prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta.


“Falar na COP26 é muito diferente de viver onde está acontecendo a mudança climática”, afirma, destacando que em seus poucos anos já percebeu a perda de diversidade nas exuberantes cascatas de Villeta. Agora mesmo, ele deveria estar na escola, mas preferiu “perder uma semana de aula para estar com os líderes do planeta” em Glasgow.

“É como disse Greta, (…) se não temos nem presente nem futuro não poderemos estudar, então isso também é uma prioridade”, afirma. Nas redes sociais, ele já recebeu ameaças de morte por simplesmente pedir conectividade para que todas as crianças pudessem estudar à distância. Francisco não quer falar das ameaças e considera mais importante o apoio que recebeu por causa delas, “porque me fez perceber que tenho com quem contar”. (Com informações da AFP)

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