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Bandeira da China tremula em frente a uma usina de energia movida a carvão em Datong, província de Shanxi, no Norte da China, em 3 de novembro, em meio ao crescente uso do combustível fóssil poluente no país. | CLAUS CELIS/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Maior emissor de gases estufa do mundo, a China aumentou dramaticamente a sua produção de carvão em meio a uma crise de energia que provocou apagões e forçou o fechamento de fábricas nos últimos meses. A produção média diária de carvão em meados de outubro foi 1,1 milhão de toneladas maior do que no final de setembro, de acordo com o governo chinês. As reservas domésticas de carvão atingiram 112 milhões de toneladas no início desta semana, um “nível normal para a média do ano”, disse Pequim, mas 31 milhões de toneladas a mais em relação ao fim de setembro.

De acordo com a agência Reuters, o China Energy Group, maior mineradora de carvão do país, produziu 50,64 milhões de toneladas em outubro, aumento de 9,1% no comparativo anual. Nos primeiros três dias de novembro, a produção diária atingiu 1,77 milhão de toneladas, um recorde que ajudou a estabilizar o mercado de carvão. Enquanto isso, os estoques de carvão no porto de Qinghuangdao, um importante pólo de transporte de carvão no Norte da China, ultrapassaram 5,1 milhões de toneladas na quarta, um nível ainda maior do que há um ano.


Com mais carvão sendo usado e com a proximidade do inverno, a capital da China mergulhou na poluição nesta sexta, apesar que os dias de má qualidade do ar terem se tornados menos frequentes nos últimos anos com uma maior prioridade na proteção ambiental. A visibilidade hoje em Pequim era de menos de 200 metros com a forte poluição misturada ao nevoeiro (smog) envolvendo a capital chinesa.

Pequim mergulhada na poluição

Com isso, Pequim emitiu seu primeiro alerta de poluição excessiva da temporada outono-inverno, exigindo a suspensão de algumas construções ao ar livre, operações de fábrica e atividades escolares ao ar livre. Algumas rodovias foram fechadas. A visibilidade foi severamente limitada com o topo dos edifícios mais altos da cidade desaparecendo na nuvem de poluição. Uma onda de frio chega da Sibéria no fim de semana e deve dispersar a poluição.

Prédio da Televisão Central da China (CCTV), no Centro da capital chinesa, quase encoberto hoje de manhã em meio à forte poluição que tomou conta de Pequim | JADE GAO/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Moradores da capital chinesa enfrentam péssima qualidade do ar hoje que forçou suspensão de atividades ao ar livre em escolas e provocou o fechamento de estradas em meio a um salto na produção e uso da carvão poluente pela crise energética. | GREG BAKER/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A China pretende reduzir as concentrações de pequenas partículas transportadas pelo ar perigosas conhecidas como PM2.5 em uma média de 4% ao ano nas principais cidades neste inverno, disse o ministério do meio ambiente no mês passado.


O nível de PM2.5 (material particulado) em áreas urbanas atingiu 234 microgramas por metro cúbico hoje, de acordo com a Embaixada dos Estados Unidos em Pequim, indicando um ar muito insalubre. A embaixada norte-americana possui uma medição independente que mostra índices de poluição mais próximos da realidade em Pequim que as estações de monitoramento do governo chinês.

As autoridades em Pequim atribuíram a poluição de hoje a uma combinação de “condições climáticas desfavoráveis ​​e propagação da poluição regional” e disseram que a poluição provavelmente persistirá até pelo menos sábado à noite. Ambientalistas discordam. “A causa da poluição no Norte da China é a queima de combustível fóssil”, disse o gerente de clima e energia do Greenpeace no Leste Asiático, Danqing Li. A China gera cerca de 60% de sua energia com a queima de carvão.

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