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Dois ciclones se destacam nas imagens de satélite do hemisfério nesta quinta-feira (9). Um é tropical e o outro extratropical. O ciclone tropical Larry é um furacão categoria 2 que está no Oceano Atlântico, em mar aberto, no hemisfério Norte. O ciclone extratropical atua na América do Sul, no hemisfério Sul, entre o Centro da Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul.

NOAA

O furacão Larry, que chegou a ser anular, tem uma dimensão na imagem muito menor que a do ciclone extratropical que está trazendo vento hoje no Rio Grande do Sul. Mesmo assim é um sistema muito mais intenso e que somente não está provocando estragos porque se encontra em mar aberto e distante do continente.


A comparação é uma evidência que em se tratando de ciclone, tamanho não é documento. Dimensão da espiral de nuvens não se traduz em intensidade. Mesmo centros de baixa pressão medíocres podem produzir belas imagens de satélite. Os ciclones extratropicais costumam ter uma dimensão da espiral maior ou até muito maior que a dos furacões, até porque o campo de vento dos sistemas extratropicais é mais amplo que dos sistemas tropicais.

Um exemplo clássico de que o tamanho não significa intensidade é o furacão Catarina de março de 2004. Não foi um ciclone tropical de grandes dimensões geográficas. Os danos se concentraram essencialmente por onde passou a parede do olho, na parte mais ao Norte do Litoral gaúcho e no Sul de Santa Catarina, além de pontos da Serra por onde o sistema avançou ao adentrar terra e rapidamente perder intensidade e se dissipar com a perda de alimentação do oceano e o atrito com as grandes elevações do Nordeste gaúcho e do Planalto Sul Catarinense.

Ciclones extratropicais costumam ter dimensões muito maiores e possuem um campo de vento que alcança áreas muito superiores a de um ciclone tropical. Já se viu ciclones intensos com Ciclogênese explosiva na altura das ilhas Malvinas, ou seja, a milhares de quilômetros, causando vento forte no ingresso de potentes massas de ar polar.

Furacão Larry

Águas ainda quentes e vento divergente fraco fornecerão um ambiente favorável para Larry se manter como um furacão no Atântico Norte. O tamanho e a longa duração de Larry enquanto esteve com categoria 3 geraram um enorme swell com mar muito agitado nas ilhas do Caribe, Bahamas, Bermudas e na Flórida com ondas grandes e correntes perigosas. O swell agora se estende a outros pontos da Costa Leste dos Estados Unidos e alcançará as províncias marítimas canadenses.

Larry deve começar a tomar um rumo mais para Nordeste, trazendo-o para a costa ou mesmo o Sudeste de Newfoundland, no Canadá, na sexta-feira à noite ou na manhã de sábado. Larry provavelmente será um furacão de categoria 1 e estará em transição para uma poderosa tempestade extratropical, de acordo com a projeção do National Hurricane Center dos Estados Unidos.

Ciclone extratropical na América do Sul

O ciclone extratropical se formou sobre terra, o que não ocorre com ciclones tropicais, ontem na província argentina de Buenos Aires. Provocou muita chuva e vento com danos na província do país vizinho, especialmente na costa.

O vento chegou ao Rio Grande do Sul e se faz sentir em diversas regiões gaúchas nesta quinta, inclusive em Porto Alegre, apesar do centro da tempestade estar a quase mil quilômetros de distância da capital gaúcha.


A tendência, de acordo a análise da MetSul, é este ciclone mover-se para Leste-Sudeste durante a sexta-feira e perder força sobre o Oceano Atlântico, a Leste da foz do Rio da Prata.

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Na sequência, o sistema vai perder muita organização e a espiral de nuvens que hoje impressiona nas imagens de satélite tende a ficar menos chamativa e se dissipar.

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