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Um furacão no meio do Atlântico está impressionando os meteorologistas devido à sua estrutura que costuma fugir do comum. Larry, descrito como um furacão “impressionante” alcançou o patamar de intenso com categoria 3 e vento sustentado de até 200 km/h. O que chamou a atenção em Larry entre os especialistas em ciclones tropicais foi seu gigantesco olho.

NOAA

Imagens de satélite mostravam na segunda-feira que Larry tinha um olho gigantesco de 113 quilômetros de diâmetro, praticamente a distância de Porto Alegre até Tramandaí, uma parede do olho muito espessa e virtualmente nenhuma espiral externa de nuvens.


Estas características são de um tipo especial de furacão conhecido como “anular”, explicou o meteorologista Jeff Masters da Yale Climate. Este tipo de furacão tende a se formar quando a atmosfera ao seu redor está seca, tornando difícil para a tempestade manter faixas espirais extensas de nuvens a partir do seu centro.

O que é um furacão anular? Nos ciclones tropicais intensos, os ventos mais fortes estão localizados dentro da parede do olho principal. À medida que a parede externa do olho assume o controle, ela “sufoca” a parede interna e, eventualmente, a substitui. Isso tende a enfraquecer o ciclone tropical, pois ele se organiza com sua parede do olho recém-formada.

Assim que o ciclo de substituição da parede do olho estiver completo, a tempestade terá uma nova parede do olho menor e pode voltar a se intensificar dependendo do ambiente para o qual está se propagando. É o que em Inglês se chama de ciclo de substituição da parede do olho ou eyewall replacement cycle (EWRC).

No entanto, às vezes um ciclo de substituição da parede do olho pode levar a um furacão que forma uma grande parede anular do olho. Isso ocorre quando uma parede do olho é cercada por um anel espesso e organizado de intensa atividade de tempestades, mas o ciclone carece de algumas características convectivas distintas fora da parede, como chuva. Isso tende a dar ao ciclone uma aparência de pneu de caminhão ou de rosca conforme o olho se expande, tornando-se maior e mais simétrico.

Ao contrário dos ciclones tropicais intensos típicos, este tipo de formação não está sujeita às flutuações de intensidade que acompanham um ciclo de substituição da parede do olho. Os ciclones tropicais anulares tendem a manter suas intensidades de pico por um período mais longo do que os ciclones tropicais mais intenso, como Ida que chegou aos Estados Unidos dias atrás.

Assim, os furacões anulares têm características únicas que a maioria dos outros furacões não apresenta. Um grande centro simétrico e denso, uma parede do olho espessa, e a aparência de uma grande rosca ou pneu. Eles têm olhos grandes e simétricos com quase 100 quilômetros de diâmetro e tendem a ser mais resilientes em face de condições atmosféricas hostis como ar seco e vento divergente forte. Furacões anulares não enfraquecem tão rapidamente quanto outros furacões e isso muitas vezes leva a grandes erros nas previsões de intensidade porque é difícil prever com que rapidez eles enfraquecerão.


Larry seguirá em um ambiente atmosférico favorável para a manutenção como um grande furacão e o National Hurricane Center (NHC) está prevendo que será um grande furacão de categoria 3 até amanhã à noite, quando se aproximará das Bermudas.

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O grande tamanho e a longa duração de Larry com força de categoria 3 faz com que o furacão vire uma “máquina de ondas” no oceano e as Antilhas Menores enfrentaram grandes ondas e correntes perigosas no mar segunda-feira. O sweell se espalha e atingirá grande parte da Costa Leste dos Estados Unidos e das províncias marítimas canadenses nessa quarta com mar muito agitado e grandes ondas.

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