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O mundo não acabou, mas a semana que termina foi um “festival” de eventos extremos e até bizarros. Um dos maiores responsáveis pela sequência de episódios de tempos severo e até incríveis de frio estava a milhares de quilômetros do Rio Grande do Sul, no distante Sul da América do Sul. Um impressionante, pela grande extensão e intensidade, centro de baixa pressão avançou do Oceano Pacífico e cruzou o Sul do continente entre quarta e quinta-feira.



A baixa impulsionou ar polar pela Argentina que na quarta-feira, a dois dias do começo oficial do verão, trouxe incrível precipitação de neve para os Andes Centrais da Argentina e do Chile. Houve nevasca na região de Malargue, em Mendoza, que chegou a bloquear rodovias. A estação de esqui de Las Leñas, que no último domingo não tinha nada de neve no solo com temperatura do ar de 20ºC, caiu a 7ºC abaixo de zero e estava coberta de neve na metade da semana. Cenas de julho quase no Natal. O mesmo se repetiu nas estações de esqui de Farellones e Valle Nevado, situadas ao lado de Santiago do Chile (fotos de divulgação).


Estação de esqui de Las Leñas, na Argentina, sem neve e 19ºC no último domingo e tomada de neve com 1ºC na quarta


Las Leñas com paisagem de julho e 7ºC negativos na manhã de quinta-feira

Estações de Farellones e Valle Nevado cobertas de neve perto do Natal

O ar mais frio e seco, ao encontrar o ar bastante quente, úmido e de pressão atmosférica muito baixa, contribuiu para sacudir com o tempo na região central da América do Sul. O ingresso de ar quente e úmido pré-frontal fez com que a cidade argentina de Posadas, quase no Noroeste do Rio Grande do Sul, registrasse em apenas um dia mais de 200 mm, sendo 138 mm em apenas três horas, fato sem precedentes desde 13 de junho de 1997, quando se instalava o Super El Niño de 1997/1998, um dos mais intensos do século XX. Mais ao Sul, Mais ao Sul, na cidade argentina de Rosário, província de Santa Fé, a chuva apenas da quarta-feira somou 180 mm. A cidade mergulhou no caos. O temporal foi descrito como o pior das últimas décadas, o que confirma porque a MetSul estava a alertar para um quadro grave no Centro da Argentina. No mesmo dia, Uruguaiana teve quase 200 mm de precipitação em alguns pontos.


A instabilidade intensa então avançou pelo Noroeste do Uruguai com vendavais de 130 km/h em Bella Unión e 120 km/h em Artigas no final da madrugada da quinta-feira, o que causou queda de árvores e destelhamentos. No departamento uruguaio de Soriano choveu de 160 a 180 mm, conforme dados da Meteorologia local. No começo da manhã de quinta, o céu enegreceu em Quaraí, sinalizando a chegada da linha de instabilidade pré-frontal que faria estragos em outras cidades gaúchas mais tarde no dia.


Chegada do temporal em Quaraí na manhã de quinta por Daniel Arbiza

Enquanto isso aqui no Estado se registrava muito vento quente e seco de Norte, gerado por uma corrente de jato (vento) em baixos níveis da atmosfera que era alertada pela MetSul. Foi o que fez a temperatura subir a 39,1ºC em Porto Alegre (leia mais sobre o calor em Porto Alegre) e a 39,7ºC em Campo Bom. A máxima no Jardim Botânico, na Capital, foi a maior para dezembro desde 11 de dezembro de 1994 (leia mais). As máximas, em geral, da quinta só ficaram atrás neste ano das anotadas no pico da onda de calor de fevereiro (19/2), mas a sensação térmica foi maior na quinta-feira, beirando os 50ºC na Grande Porto Alegre. O forte vento Norte provocou destelhamentos e estragos em várias regiões, como no Litoral Sul e na Campanha.


Destruição pelo vento em Bagé por Francisco Bosco/Correio do Povo


Efeitos do vendaval em Rio Grande por Fábio Dutra/Jornal Agora/Reprodução O Sul


Temporal em Guaporé por Caroline Hauschild

Com calorão e umidade alta, formaram-se nuvens carregadas pelo Estado com chuva forte, vendavais e granizo. Cruz Alta teve 112 km/h e Canoas 102 km/h. Em Porto Alegre o temporal chegou no meio da tarde da quinta-feira e a temperatura de 39ºC logo caiu para 25ºC. Houve queda de árvores e mais uma vez falta de luz na Capital. Com o vento muito forte, formaram-se nuvens de poeira em cidades da região metropolitana.


Chegada do temporal em Porto Alegre por Fernando Mainar


Nuvens escuras cobriram a Capital por Lucas Amaral


Nuvem de poeira sobre Eldorado do Sul por Fernando Mainar


Nuvem de poeira em Eldorado do Sul por Fernanda Hartmann

Na sexta-feira, a chuva. Com a frente fria organizada e mais intensa sobre o Estado, choveu em todas as regiões gaúchas. Os volumes foram elevados. Entre quinta e sexta-feira choveu até 100 mm em pontos do Oeste, como na região de São Borja, e de 70 a 80 mm em alguns bairros de Porto Alegre. Não houve temporais, mas a chuva prejudicou a recuperação dos danos registrados na rede elétrica no dia anterior.



Primeiro dia do verão foi chuvoso na Grande Porto Alegre por Rodrigo Rodrigues/GES

O feriadão tem o predomínio do sol no Rio Grande do Sul com calor extremo segunda-feira e terça, o que trará temporais isolados no Estado. Na Argentina e Uruguai, o Natal terá fortes a violentas tempestades com prováveis danos e muitos transtornos. Esta última semana do ano (24 a 31 de dezembro), aliás, vai ser outro período de tempo muito severo na região do Cone Sul da América do Sul, o que será detalhado em boletim da MetSul Meteorologia nesta página ainda neste sábado.

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