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A MetSul Meteorologia alerta para condição extremamente perigosa de tempo severo no Centro da Argentina e o Uruguai entre amanhã e terça-feira. O cenário é condizente com o risco de onda de temporais violenta na região nos dias 24 e 25 com tempestades de variada intensidade, algumas muito severas, com grandes acumulados de chuva, vento até destrutivo e granizo de diferente tamanho (mesmo grande). Dados são indicativos de alta probabilidade de tornados na região do Prata. Podem ocorrer volumes extremos de chuva localizados, de 100 mm a 200 mm em poucas horas, até com marcas superiores em alguns pontos, com alto risco de inundações e alagamentos. Entre o final deste domingo e a madrugada de segunda pode se formar mais ao Sul do Centro da Argentina intensas áreas de instabilidade com algumas supercélulas, mas o cenário se deteriora muito é no decorrer da segunda e madrugada da terça-feira. Enfatizamos, com ênfase, que está não é apenas mais uma onda de tempo severo nos países vizinhos, mas uma com possibilidade de apresentar singularidade histórica pelos seus efeitos.



Saídas do modelo americano das 18Z de sábado com projeções de pressão em superfície, vento em 850 hPa (faixa de atuação do jato de baixos níveis) e índices de instabilidade CAPE e Lifted para Rosário na Argentina (esquerda) e a cidade de Buenos Aires (direita)  

As áreas mais castigadas devem ser as províncias argentinas de Santa Fé, Entre Rios, Córdoba e Buenos Aires, e ainda o Sul e o Oeste do Uruguai. Outras áreas da Argentina, no Norte do país e do Uruguai, contudo, também poderão ter fenômenos severos. Os índices de instabilidade projetados pelos modelos atingem valores altíssimos, raros de se observar, particularmente para a cidade de Buenos Aires e o Norte da província, Sul de Santa Fé, Sul de Entre Rios e o Sudoeste do Uruguai (Colônia). Projeção do modelo que é rodado pelo Centro Meteorológico Europeu indica para a capital argentina e a região de Colonia no Uruguai valores de CAPE de até 4500 J/JKg no final da segunda-feira, na hora da festa de Natal. Valores desta grandeza são raros e correspondem a um risco extremo de tempo severo.


São esperados vendavais com alto potencial destrutivo (rajadas acima de 120/150 km/h na zona de alerta do Centro da Argentina), associados a frentes de rajadas (gustfronts) ou downbursts (microexplosões) na Argentina. O risco de vento destrutivo é acentuado no país vizinho, inicialmente. por enorme variação térmica que é esperada. Para a cidade de Córdoba, o modelo americano prognostica temperatura em 850 hPa (a 1500 metros) impressionante de 25ºC para a noite de segunda e de apenas 9ºC na manhã de terça-feira. Outro fator agravante será a pressão atmosférica, por demais baixa em toda a região, e que deve cair a valores ao redor de 990 hPa. Não bastasse, se espera fluxo de ar muito quente e úmido com elevadíssimo ponto de orvalho nos níveis mais baixos da atmosfera. E o cenário se complica ainda mais com a presença de corrente de jato (vento) em baixos níveis da atmosfera que criará ambiente propício à gênese de supercélulas de tempestade com potencial tornádico na Argentina. Os índices de helicidade, usados para a análise do risco de tornados (imagens Gruma/UFSM) são muito altos no Norte e no Centro da Argentina, mas será o Centro argentino a região de maior risco.


Temporais muito isolados podem ser registrados neste domingo e na segunda-feira aqui no Rio Grande do Sul em consequência do intenso calor, sobretudo na Metade Oeste. Da tarde para a noite de terça e na madrugada de quarta, porém, os temporais devem ser mais generalizados pelo Estado com chuva forte a intensa localizada, vendavais (alguns fortes a intensos com elevado risco de danos) e granizo. Preocupa-nos também a possibilidade de vendavais muito fortes no Estado antes e durante a passagem de uma frente fria entre a segunda metade da terça e a madrugada e manhã de quarta. Antes, pela atuação de uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera (ver mapa abaixo do modelo europeu) que pode ser mais intensa que a da última quinta-feira, trazendo fortes a intensas rajadas de vento Norte quente e seco no decorrer da terça-feira. Durante a passagem dos temporais de chuva e vento, em razão de nuvens de grande desenvolvimento vertical, da tarde para a noite de terça e na madrugada e manhã de quarta.



O ponto que não é claro ainda é a segunda metade da semana no Rio Grande do Sul. Os modelos divergem demais sobre a melhora ou não do tempo e os volumes de chuva. Há projeções de chuva apenas isolada quinta e sexta no Estado, mas o modelo Europeu, em sua saída deste sábado, mantém a instabilidade intensa no território gaúcho de quarta até sábado com volumes elevados a extremos de chuva (100 a 250 mm), com volumes muito altos até na região de Porto Alegre. A possibilidade de chuva volumosa é a questão a ser melhor clarificada no decorrer da semana, mas desde já se antecipa tal possibilidade. Em síntese, desenha-se uma importante onda de tempo severo na primeira metade da semana no Cone Sul da América do Sul. O pior deve se concentrar na Argentina, mas o Uruguai e o Rio Grande do Sul também podem ter eventos muito severos com alto risco de danos e transtornos à população.

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