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Paisagem incinerada pelos incêndios arrasadores que atingiram o Oeste do Rio Grande do Sul nos últimos dias | Redes sociais

O Rio Grande do Sul vive um janeiro de fogo como não se registrava há quase 20 anos. De acordo com dados Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o número de focos de incêndios captados por satélites entre os dias 1º e 19 de janeiro no Estado foi de 133, quase o dobro da média histórica de janeiro inteiro de 1998-2021 de 71.

A última vez que o mês registrou tantos focos de calor observados por satélite foi em 2005 com 186, ano em que o território gaúcho também passava por uma severa estiagem. O recorde pertence ao ano de 2002 com 263 focos captados por satélites.


Os piores dias de incêndios, conforme os dados do Inpe, foram 11 (20 focos), 12 (15 focos), 13 (20 focos), 14 (11 focos de calor) e 16 (47 focos).

Foram os dias em que vários incêndios irromperam fora de controle no Oeste do Rio Grande do Sul sob calor acima de 40ºC. Os municípios de Alegrete, Uruguaiana e Itaqui foram os mais castigados com propriedades destruídas e grande número de animais mortos no campo.


O mapa com os dados de focos de incêndios do sensor MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer) a bordo do satélite Terra e do VIIRS (Visible Infrared Imaging Radiometer Suite) do satélite Suomi NPP mostram que nos últimos sete dias houve um número acima do normal de queimadas no Rio Grande do Sul, mas um número extraordinariamente alto para esta época do ano no Nordeste da Argentina e no Paraguai.

Conforme dados do Inpe, a Argentina tem neste mês até o dia 19 um total de 5613 focos de calor identificados por satélites do Sul ao Norte do país. Mesmo faltando mais de 10 dias para terminar o mês, o número é quase o triplo da média histórica de janeiro de 1998-2021 de 1648. O valor parcial do mês bate o recorde de janeiro de 4624 de 2002.

Já o Paraguai registrou nos primeiros 19 dias de janeiro nada menos que 2678 focos de calor. O número corresponde a 310% da média histórica do mês inteiro de 861. O recorde histórico de janeiro de 2122 focos, no ano 2000, foi amplamente superado agora. A grande quantidade de fumaça gerada pelos incêndios tornou a qualidade do ar muito ruim em diversas cidades paraguaias e o ar foi descrito como “insalubre” em alguns momentos em Assunção.

As contagens de focos do INPE  e da NASA  são excelentes indicadores da ocorrência de fogo na vegetação e permitem comparações temporais e espaciais, mas não devem ser consideradas como medida absoluta da ocorrência de fogo que certamente é maior do que a indicada pelos focos, destaca o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

A MetSul Meteorologia está alertando que a bolha de calor instalada sobre o Rio Grande do Sul, Nordeste da Argentina e o Paraguai há mais de uma semana deve se intensificar ainda mais nos próximos dias com uma escalada na temperatura que levará a temperatura a valores de até 45º. O calor extraordinário vai aumentar muito o risco de incêndios em vegetação e os números de focos de calor devem sofrer um salto maior nas observações por satélites.

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