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Fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina tem céu laranja e chuva de fuligem com incêndios | Sargento Andrade/CBMRS/SBT

A paisagem assumiu contornos distópicos na fronteira do Brasil com a Argentina entre as cidades de São Borja e Santo Tomé com os graves e fora de controle incêndios que assolam o lado argentino da zona fronteiriça por dias e  e que ganharam intensidade desde o final da semana passada.

As chamas consomem enormes áreas na localidade argentina de Santo Tomé, gerando uma enorme quantidade de fumaça que avança para o setor brasileiro da fronteira com correntes de vento de Oeste associadas ao avanço de ar quente antes de uma frente fria.

A quantidade de fumaça emanando dos incêndios em Corrientes é tão grande que imagens de satélite neste domingo mostravam o céu enfumaçado em grande parte do Sul do Brasil e até no Mato Grosso do Sul, o que fez com que em diversas cidades da parte meridional do país o céu ficasse acinzentado.

Ontem, em São Borja, a fumaça no céu chegava a dificultar a observação do sol, apesar do tempo bastante aberto. O céu foi tomado pela fumaça e o odor de queimado dominou a cidade da fronteira, o que espantou os moradores pela raridade da situação.

Nas redes sociais da MetSul Meteorologia, moradores do município escreveram para descrever o dia atípico na localidade fronteiriça e que chegou a ter precipitação de fuligem resultante de queimadas em uma região que tanto precisa de chuva para aplacar os efeitos da seca severa.

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Marco Bonito

A paisagem se transformou com os incêndios na região e o céu tomou um aspecto alaranjado pela densa fumaça presente na atmosfera. O Rio Uruguai, já muito baixo pela seca severa que deixa vários pontos com terra à mostra, oferecia imagens quase irreconhecíveis com o céu laranja e o sol muito vermelho pela presença do material particulado no ar.

Marco Bonito

A origem da fumaça e da fuligem está no outro lado do Rio Uruguai, no município de Santo Tomé, província argentina de Corrientes. A cidade argentina que faz fronteira com São Borja, vive uma emergência de fogo pela seca severa e o verão muito quente com calor extremo em vários dias. O fogo atinge o local há mais de mês, mas se intensificou nos últimos três dias na região e chega a queimar 20 mil hectares por dia.

Marco Bonito

A estimativa é que mais de 800 mil hectares tenham sido afetados nos mais de 50 dias de incêndios na província de Corrientes, onde mais de 9% do território provincial já ardeu. Em Santo Tomé, um foco com “redemoinhos de fogo” surpreendeu vários campos produtivos na quarta-feira, afetando pastagens e florestas.

“É impressionante. Devastou tudo em seu caminho, à beira da Rota 42. Não havia nada que pudéssemos fazer”, disse um empreiteiro florestal da região para o Jornal Misiones Online. O fogo fora de controle traz ainda um grande impacto no ecossistema local com grande número de animais mortos.

O flagelo no município de Santo Tomé ocorre na área de Paraje Los Bretes, seguindo a Rota Nacional 121, muito perto da área urbana da cidade. Algumas casas chegaram a ser ameaçadas pelo fogo que se alastrava rapidamente com a força do vento. Um caminhão-tanque com aproximadamente 30 mil litros de gás foi atingido pelas chamas que consumiam as pastagens junto à Rota 14, mas o motorista não se feriu.

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Município de São Borja tem precipitação de fuligem com enormes incêndios em Corrientes | @liviasaggin/Twitter

Bombeiros militares do Rio Grande do Sul se deslocaram para a cidade de Santo Tomé, na divisa com São Borja, para auxiliar no combate ao incêndio florestal que atinge a província de Corrientes, na Argentina. O embaixador da Argentina no Brasil registrou em suas redes sociais a ajuda oferecida pelo governo do Rio Grande do Sul.

Dezoito integrantes da Força de Resposta Rápida (FR2) do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul foram designados para a ocorrência. A FR2 atua em missões de busca, salvamento e resgate em situações extremas, especialmente quando há condição climática adversa. O efetivo se deslocou para o país vizinho com três caminhões auto-bomba tanque e três picapes 4×4.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Argentina em janeiro teve 7199 focos de calor, muitíssimo acima da média histórica mensal de 1648, valor que superou por ampla margem o recorde mensal anterior de 4624 de 2002.

Neste mês de fevereiro, até o dia 19, os satélites do Inpe registraram 3625 focos de calor na Argentina, muito acima da média histórica de fevereiro de 1193 e o maior número no mês de toda a série histórica, batendo o recorde mensal de 2585 de 2003 mesmo a dez dias do mês terminar.