Uma enchente atinge a Tríplice Fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina na região de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, com alagamentos, elevação dos rios e famílias retiradas de áreas inundadas. As chuvas persistentes provocaram transtornos nos três países ao mesmo tempo que as autoridades monitoram os níveis dos rios Iguaçu e Paraná diante da continuidade da cheia.

ARMADA DO PARAGUAI
Em Foz do Iguaçu, o volume de chuva acumulado nos primeiros 12 dias de outubro já ultrapassou a média histórica esperada para o mês inteiro. Segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), foram registrados 261,8 mm entre os dias 1º e 12, quando a média mensal é de 251,1 mm. O total corresponde a aproximadamente 104% da precipitação normalmente observada durante todo o mês.
Alagamentos atingiram ruas de quatro bairros de Foz do Iguaçu. Equipes municipais acompanham as ocorrências e os pontos sujeitos a novos alagamentos.
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A elevação do Rio Paraná preocupa especialmente na região da Ponte da Amizade. Conforme o boletim hidrológico da Itaipu Binacional divulgado na segunda-feira (12), o nível do rio chegou a 115,53 metros por volta das 11h. A previsão apresentada naquele dia indicava possibilidade de elevação até 116,56 metros nesta terça-feira (13).
Na região do Porto Meira, em Foz do Iguaçu, a água da enchente avançou sobre as instalações de uma empresa que opera no Porto de Areia. Os funcionários haviam deixado o local preventivamente e aguardavam a redução do nível para retomar as atividades. Áreas próximas aos clubes Maringá e Iate Clube também foram afetadas pela subida das águas.
No Paraguai, a situação da enhente é pior. A cheia obrigou famílias a deixar suas casas em Ciudad del Este. Moradores de bairros como San Rafael, Remansito e outras áreas atingidas foram encaminhados a abrigos temporários.
As equipes de assistência distribuem alimentos, água potável e materiais de limpeza, enquanto a prefeitura organiza apoio às pessoas afetadas. Relatos divulgados na região indicavam cerca de cem pessoas fora de suas residências.
✅ ITAIPU acompaña de cerca la evacuación en el barrio San Rafael de Ciudad del Este, ante la crecida del río Paraná. Más de 100 familias ya recibieron asistencia. La prioridad es proteger la vida y la seguridad de las personas afectadas por las inundaciones.
✅ El director… pic.twitter.com/mlMYn1ksL0
— ITAIPU Binacional Py (@itaipuparaguay) October 12, 2026
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As chuvas também provocaram restrições nas Cataratas do Iguaçu. No lado brasileiro, a passarela que permite a aproximação das quedas foi interditada preventivamente após a vazão do Rio Iguaçu atingir 8,8 milhões de litros por segundo no domingo. Na manhã de segunda-feira, o volume chegou a 11,8 milhões de litros por segundo, quase oito vezes a média histórica de 1,5 milhão.
O Parque Nacional do Iguaçu permaneceu aberto no Brasil, com a Trilha das Cataratas e os mirantes acessíveis, enquanto os caminhos do Poço Preto e das Bananeiras foram fechados temporariamente. No lado argentino, a visitação ao Parque Nacional Iguazú foi suspensa preventivamente.
O excesso de chuva que causa enchente no Paraguai e no estado do Paraná tem relação direta com o evento de El Niño intenso. Por meses, os modelos de clima indicam que nesta primavera o Oeste e outras regiões do Paraná seriam as áreas mais atingidas por chuva excessiva nesta primavera. A tendência é seguir chovendo com volumes muito acima da média na região.
