Jamais se observou um episódio de El Niño com tamanha intensidade no começo do mês de outubro como no evento deste ano, mostram dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de clima dos Estados Unidos.

NASA
De acordo com o último boletim semanal da agência, divulgado ontem, a anomalia de temperatura da superfície do mar era de +3,3ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global, conforme o índice ONI. Já pelo novo índice relativo (RONI), a anomalia era de +2,4ºC.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito intenso. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño. Também pelo RONI, a anomalia está na categoria de Super El Niño.
A NOAA passou a utilizar neste ano um segundo índice, chamado de Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que faz uma compensação com o aquecimento dos oceanos tropicais, e que mostra hoje uma anomalia na Região Niño 3.4 de +1,8ºC, na categoria de El Niño forte.
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De acordo com dados da NOAA levantados pela MetSul Meteorologia, com base no índice ONI, que a MetSul e grande parte da comunidade meteorológica considera como a melhor métrica para comparação histórica do El Niño, a anomalia da temperatura da superfície do mar no começo de outubro era de +2,0ºC no Super El Niño de 1982-1983; +2,0ºC no Super El Niño de 1997-1998; +2,1ºC no Super El Niño de 2015-2016; e +1,5ºC no Super El Niño de 2023-2024.
Já pelo novo índice RONI, a anomalia da temperatura da superfície do mar no começo de outubro era de +2,3ºC no evento de 1982-1983; +2,0ºC no episódio de 1997-1998; +1,6ºC no Super El Niño de 2015-2016; e 0,9ºC no evento de Niño de 2023-2024.
Tendência é de o El Niño se fortalecer ainda mais
Todos os modelos de clima analisados pela MetSul Meteorologia indicam que a tendência é de o El Niño seguir se fortalecendo ao longo deste mês de outubro na faixa equatorial do Oceano Pacífico.
As projeções dos modelos sinalizam que o pico de intensidade do episódio do El Niño de 2026-2027 vai se dar no final deste ano, com quase todas as projeções apontando que o máximo de intensidade ocorreria em novembro ou dezembro com posterior redução da força de forma gradual a partir do começo de 2027.
Embora haja consenso de que o evento teria a sua maior intensidade no final deste ano, há divergências sobre qual seria o valor nominal do pico. A maioria dos dados aponta uma anomalia máxima entre 3,5ºC e 4ºC, mas há modelos que chegam a indicar que o El Niño poderia ter anomalia acima de 4ºC no seu pico, na chamada Região Niño 3.4.
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Cada evento tem sua própria história
A intensidade de um El Niño, medida pela temperatura das águas do Pacífico Equatorial, não determina de forma proporcional a dimensão dos impactos no clima global ou regional. Um evento mais quente não significa, necessariamente, efeitos maiores em todas as partes do planeta. A relação entre intensidade e impactos não é linear.
Cada episódio de El Niño tem uma história própria e ocorre dentro de uma configuração atmosférica e oceânica diferente. A posição das águas mais quentes, a circulação atmosférica, os ventos, a temperatura dos demais oceanos e a interação com outros padrões climáticos podem modificar significativamente a resposta observada durante cada evento.
Por isso, os impactos também variam tanto regionalmente quanto em magnitude. Um El Niño muito intenso pode provocar efeitos extraordinários em determinadas áreas e relativamente modestos em outras, enquanto eventos de menor intensidade podem produzir consequências importantes em regiões específicas.
O El Niño de 2026 é muito mais forte que o de 2023, por exemplo, e até o momento trouxe menos chuva que três anos atrás no Rio Grande do Sul enquanto em São Paulo o evento de 2023 foi responsável por grandes ondas de calor há três anos e agora o de 2026 causa excesso de chuva até com enchentes. O mesmo ocorre no Paraná. O estado está sendo muito mais afetado por chuva e tempestades que no episódio de três anos atrás.