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Santa Cruz do Sul voltou a sofrer com alagamentos | Alencar da Rosa/Gazeta do Sul

O Rio Grande do Sul teve nesta sexta-feira (12) o quinto dia seguido com temporais. Ainda no começo da tarde, tempestade com chuva torrencial e rajadas de vento atingiu Pelotas. A chuva torrencial alagou ruas e um raio atingiu subestação da CEEE com falta de luz em 80 mil unidades consumidoras da cidade. Choveu 35 mm em curto intervalo.

Também no Sul gaúcho, a chuva muito forte provocou alagamentos em Bagé, a ponto de a água invadir casas, e nas áreas do Chuí e de Santa Vitória do Palmar. Alagamentos foram registrados também na cidade do Chuí. Proprietários rurais atendidos pela MetSul em Santa Vitória do Palmar relataram que em algumas de suas propriedades a chuva atingiu 180 mm ou quase duas vezes a média do mês em um par de horas. Em Jaguarão, a chuva somou 75 mm.

Em Camaquã, à tarde, no interior do município, uma grande nuvem funil se formou e a circulação de vento por muito pouco não chegou a tocar brevemente o solo, o que caracterizaria um tornado, mas não houve estragos na localidade. O que foi registrado foram alagamentos em Camaquã pela intensa chuva.

No fim da tarde, chuva torrencial atingiu Santa Cruz do Sul e Vera Cruz. Repetindo as cenas do temporal do fim de janeiro, as ruas de Santa Cruz novamente viraram rios . Até às 20h, a estação da Unisc havia registrado 95 mm e no auge do temporal a taxa de chuva chegou a 250 mm/hora.

No fim da tarde também, um temporal se abateu sobre Caxias do Sul. A chuva torrencial causou alagamentos em diferentes pontos e houve queda de árvores pelo forte vento em alguns pontos, como na Rota do Sol.

Previsão 

Os temporais isolados já eram alertados pela MetSul que reforçou nesta sexta o aviso de chuva extrema localizada no Rio Grande do Sul com possibilidade de vendavais e granizo isolados.

A MetSul destaca que o risco destes temporais isolados, alguns fortes a severos, persiste até segunda-feira no Estado, mas a instabilidade forte deve alcançar menos pontos no fim de semana que o verificado nesta sexta-feira. O domingo, como será mais quente com forte calor em diversas cidades, exige mais atenção pelo maior risco de severidade em temporais isolados.

Dias de tempestades

A sequência de dias com temporais teve início na segunda-feira com muita chuva sobre o Extremo Sul gaúcho. Somente entre segunda e terça choveu mais de 150 mm na região do Chuí e Santa Vitória do Palmar. Na terça, granizo de grande tamanho causou danos no Centro-Sul gaúcho. Ontem, vendaval de 120 km/h causou estragos em Capão do Leão e interrompeu a programação de evento agrícola, e ainda se formou um tornado na Lagoa dos Patos.

Nesta quinta-feira, um temporal de verão com chuva intensa atingiu a cidade de Santiago. A forte precipitação causou alagamentos no município e veio acompanhada de muitos raios, granizo isolado e fortes rajadas de vento que chegaram a provocar a queda de árvores.

Entenda a chuva e os temporais de verão

Diferentemente de uma frente fria, que é um sistema meteorológico que se estende por centenas de quilômetros e costuma trazer chuva mais generalizada, ou da instabilidade associada a um sistema de baixa pressão que igualmente afeta uma área mais ampla, tais instabilidades convectivas geradas pelo calor e a umidade são formações locais que ocorrem mais da tarde para a noite. Costumam se formar e se dissipar na mesma região e, se progridem para outras áreas, não avançam muito.

Assim, não é chuva que vem da Argentina ou do Uruguai, como é a regra do imaginário, mas que se forma na própria região. E, devido a sua natureza, são formações isoladas ou muito isoladas.

Por isso, com grande frequência parte de uma cidade pode ter um verdadeiro “dilúvio” com chuva de 50 mm a 100 mm em apenas uma hora e a poucos quilômetros, muitas vezes dentro da mesma cidade, ou mal chove ou uma gota sequer cai.

Estas formações isoladas que podem trazer chuva forte às vezes chegam com vento forte e queda de granizo, afinal são geradas por nuvens carregadas de grande desenvolvimento vertical e cujos topos alcançam grandes altitudes. Em dias de muito calor cresce o risco destas pancadas de chuva trazem junto tempestades com vendavais ou granizo.

É importante assinalar, e não nos cansamos de reiterar, que uma vez que estas ocorrências de tempo severo, seja por chuva extrema ou temporais, tendem a ser predominantemente isoladas, não é possível prever que pontos exatamente podem ser afetados com grande antecedência, mas apenas delimitar as regiões de maior risco. 

Não raro tempestades severas nesta época do ano atingem apenas parte de uma cidade, na escala de bairros, sem causar qualquer transtorno em outros pontos do mesmo município.

A probabilidade de ocorrência destes eventos de chuva forte ou de temporais pode ser antecipada dias ou horas antes, mas não é possível antever quais cidades serão afetadas porque eventos bastante localizados. 

Em municípios de maior dimensão territorial, neste tipo de situação, não raro se observa chuva muito volumosa em um temporal em parte da cidade e em locais não muito distantes dentro da mesma cidade pouco ou nada de chuva.

Os modelos numéricos que geram projeções de volumes, ademais, não conseguem prever exatamente tais eventos de chuva extrema isolados, por isso prevêem volumes de 15 mm a 20 mm para um dia em determinado município e no fim, por um temporal, acaba chovendo 100 mm. 


Os meteorologistas que enxergam o cenário macro da atmosfera é que conseguem alertar para este risco de eventos porque não se limitam a observar projeções numéricas de chuva de modelos, atentando para as condições gerais da atmosfera que sinalizam o risco de episódios localizados extremos de precipitação.

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