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Atlântico está muito mais quente que o normal | NASA

Cientistas da comunidade do clima estão alarmados com o aquecimento em curso do Atlântico, especialmente na região tropical, numa enorme área entre o Caribe e o Nordeste do Brasil e o continente africano. A temperatura do mar que deveria estar perto dos seus mínimos anuais em vastas áreas do Atlântico estão perto do que se anota costumeiramente no verão do Hemisfério Norte.

As águas do Atlântico Norte completam um ano inteiro em patamar recorde. O que no começo, em março e abril do ano passado, sugeria ser uma tendência passageira passou a ser uma constante. Dia após dia por um ano a temperatura da superfície do mar está em níveis jamais observados.

“Está significativamente mais quente do que nunca nesta época do ano”, disse Brian McNoldy, pesquisador climático da Escola Rosenstiel da Universidade de Miami, ao portal Vox, dos Estados Unidos. “Isso é profundamente preocupante”, descreveu.

O Atlântico quente é sinal de que o planeta, como um todo, está a aquecer. As águas do mar em patamar recorde coincidem com o inverno menos frio já observado até hoje nos Estados Unidos a ponto de em muitas áreas do país 2024 ser descrito como o “ano sem inverno”. O planeta completa nove meses seguidos de recordes de temperatura global e os oceanos da Terra atingiram em fevereiro o maior valor médio de temperatura já visto.


Os cientistas ainda não possuem todas as respostas ainda para explicar o aquecimento do Atlântico tão fora do normal. Existe uma série de conjecturas, além das mudanças no clima geradas pelo homem a partir das emissões de gases do efeito estufa.

“Não sabemos realmente o que está acontecendo”, disse Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, para uma reportagem da revista New Yorker sobre o superaquecimento dos oceanos. “E não sabemos realmente o que está acontecendo desde março do ano passado”. Ele chamou a situação de “preocupante”.

“Não estamos quebrando recordes de vez em quando”, afirmou Brian McNoldy para a matéria da New Yorker. “É como se todo o clima tivesse avançado cinquenta ou cem anos para a frente. Isso parece estranho”.

Estima-se que em 2023 o conteúdo de calor nos dois mil metros superiores dos oceanos da Terra aumentou em pelo menos nove zetajoules. Para efeito de comparação, o consumo anual de energia mundial equivale a cerca de 0,6 zetajoules.

Aquecimento do Atlântico impresiona os cientistas pela sua velocidade. Cientistas afirmam que o esperado em um século está ocorrendo em poucos anos. | CLIMATE REANALYZER

Uma hipótese é que algumas regiões do Atlântico têm sido menos ventosas. Vento não apenas esfria a superfície do oceano, mas também transporta areia e poeira do Saara sobre o mar a grandes distâncias, o que faz com que parte da luz solar retorne de volta ao espaço (o que ajuda a resfriar o oceano).

Outra hipótese muito debatida entre os pesquisadores do clima é o acordo internacional para reduzir as emissões de enxofre por navios. A menor quantidade de aerossóis, no caso poluição, estaria fazendo com que os oceanos absorvessem mais radiação solar e desta forma aquecendo mais acentuadamente.

Águas tão quentes já nesta época do ano se persistirem nos próximos meses podem levar a uma temporada de furacões muito mais ativa que o normal. “Altas temperaturas da superfície do mar em fevereiro muitas vezes se correlacionam com temporadas ativas de furacões”, escreveu o meteorologista Jeff Berardelli. “Todos os sinais apontam para uma temporada ativa de furacões”, disse ao explicar que a combinação com La Niña no segundo semestre no Pacífico com Atlântico muito quente pode gerar uma temporada de furacões hiperativa.

O superaquecimento do Atlântico entre as Américas e a África pode ter efeitos ainda no Brasil. As chamadas ondas de Leste que se deslocam do continente africano para a costa do Nordeste do Brasil avançam sobre estas águas muito quentes e isso pode levar a eventos mais extremos de chuva no Nordeste brasileiro, especialmente em cidades costeiras.

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