Chuva de 9 de abril de 2019 trouxe a grande maioria dos maiores volumes em 24 horas registrados pela prefeitura do Rio de Janeiro e a capital fluminense colapsou com inundações e deslizamentos de terra | CARL DE SOUZA/AFP/ARQUIVO/METSUL METEOROLOGIA

O Rio de Janeiro é uma região do Brasil de muito alto risco e propensa a episódios de chuva extraordinária em volumes no começo do outono. Alguns destes eventos podem ser muito graves com acumulados de precipitação espantosamente altos em um dia ou numa sequência de dias, trazendo inundações e deslizamentos de terra.

As dez maiores medições de chuva em 24 horas na rede do Alerta Rio da Prefeitura do Rio de Janeiro ocorreram todas no mês de abril. Os episódios ocorreram em 6/4/2010, 9/4/2019 e 1/4/2022. A maioria teve acumulados superiores a 300 mm em 24 horas.

O primeiro lugar do ranking é o registro de 360,2 mm em 24 horas no Sumaré em 6 de abril de 2010. O segundo, de 343,4 mm em 24 horas na Rocinha em 9 de abril de 2019. Dos dez maiores volumes em 24 horas anotados pelo Alerta Rio na cidade do Rio de Janeiro, oito se deram no dia 9 de abril de 2019.

Por que, então, essa época é propícia para chuva com volumes extraordinário no Rio de Janeiro. Tudo passa pelo avanço das primeiras massas de ar frio de outono. No fim de março e em abril começam a ingressar as primeiras massas de ar frio mais fortes que encontram o ar tropical quente e úmido no Sudeste com chuva forte que é potencializada em áreas junto à Serra do Mar.

Primeiro, uma frente fria chega ao litoral do Sudeste do Brasil e traz chuva na costa de São Paulo e no litoral do Rio de Janeiro, não raro forte. Segundo, e muito mais importante, na sequência se estabelece enorme de umidade do mar para o continente com a atuação de uma massa de ar frio no oceano na costa do Sul e do Sudeste do Brasil.

E a infiltração de umidade marítima traz a excepcionalidade da situação ao interagir com a topografia local. O relevo é determinante para estes eventos de chuva extrema. A umidade que vem do mar com ar mais frio encontra ar mais quente sobre o continente e a barreira física dos morros da Serra do Mar, gerando que se denomina de chuva orográfica.

Chuva orográfica nada mais é que precipitação induzida pelo relevo. Umidade que vem do oceano, trazida por vento do quadrante Sul a Leste, em razão de uma massa de ar frio de trajetória oceânica e que atua na costa, ao encontrar a barreira do relevo da Serra, ascende na atmosfera e encontra temperatura mais baixa. Isso leva à condensação e à ocorrência de chuva induzida pelo relevo.

Episódios de chuva orográfica são de alto risco porque costumam trazer acumulados de precipitação muito altos e que não raro até acabam superando as projeções dos modelos numéricos. Os litorais de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro são os de maior risco de eventos de chuva extrema de natureza orográfica no Brasil.

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