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Ciclone bomba na costa do Noroeste dos Estados Unidos às 14h deste domingo (hora de Brasília) | Zoom Earth

O ciclone bomba que se formou na costa do Noroeste dos Estados Unidos com uma ciclogênese explosiva pode ser o mais intenso já registrado na região, de acordo com o serviço oficial de Meteorologia norte-americano. É o segundo ciclone bomba no Pacífico, na mesma área, em apenas três dias e com muito mais força que o primeiro.

De acordo com o Centro Nacional de Previsão Oceânica do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, a previsão é que a pressão mínima central do ciclone extratropical sobre o Pacífico na costa do Noroeste do país desça até 942 hPa. No começo de manhã de hoje, o OPC/NWS já reportava 943 hPa. Como comparação, o ciclone bomba de 1º de julho de 2020 que trouxe destruição no Sul do Brasil tinha pressão sobre o Atlântico de 970 hPa.

Para se ter ideia, este valor de pressão corresponderia a de um furacão categoria 3 em ciclone tropical no Atlântico. Como este ciclone de hoje não é tropical e sim extratropical, o seu campo de vento atinge uma área mais extensa e com menor força de que um furacão, mas nas áreas próximas do centro da tempestade o vento tem força de furacão.

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Levantamento do National Weather Service (NWS) revela que para esta parte do planeta (20ºN a 40ºN de latitude e 120ºW a 140ºW de longitude), dados mostram que este sistema pode ser o mais intenso já registrado na área.  A tempestade mais forte conhecida nesta região na série histórica 1974-2021 foi o ciclone pós-tropical Harriet de 1977 que teve pressão central mínima de 943 hPa, logo acima do que o serviço projeta para o de hoje.

A tempestade em segundo lugar no ranking até hoje na mesma área foi um ciclone em meados de novembro de 1981 que teve pressão central mínima de 947 hPa. Já o terceiro lugar foi o ciclone bomba que atuou na região no final da semana passada com pressão mínima de 951 hPa. Assim, dois dos cinco ciclones mais poderosos junto ao Noroeste dos Estados Unidos em uma série de quase 50 anos ocorreram apenas entre quinta e hoje.

O ciclone bomba do final da semana passada trouxe ondas de 12 metros nas Ilhas Aleutas, no Alasca e 10,6 metros junto à costa de British Columbia (Canadá). Já as rajadas de vento chegaram a 133 km/h no Alasca e 127 km/h em British Columbia com o ciclone extratropical. O vento intenso em alto mar derrubou contêineres no oceano e causou incêndio em embarcação.

Nível máximo de alerta na Califórnia

O Centro e o Norte da Califórnia vão sofrer os efeitos neste começo de semana do poderoso ciclone bomba e de um rio atmosférico com intensidade incomum que se estende pelo Oceano Pacífico e trará quantidade de chuva e neve enorme.

Serão registradas precipitações em dias que não ocorreram em anos em algumas áreas do estado norte-americano. O NWS emitiu um raro aviso de alto risco por chuva para áreas do Norte da Califórnia com previsão de acumulados extremos no Vale do Silício e na área da baía de San Francisco.

A chuva, além de apagar os incêndios florestais remanescentes, vai trazer alívio para uma seca histórica de muitos anos. A Califórnia e grande parte da Costa Oeste dos Estados Unidos passam por uma seca extrema que fez disparara o número de incêndios florestais. As temporadas de fogo de 2021 e de 2021 na Califórnia são as piores da história, desde o início dos registros.

Dias atrás, a cidades de Califórnia de Sacramento, a capital do estado, teve a maior sequência de dias sem registro de chuva apreciável de sua história. Foram 212 dias seguidos sem qualquer registro de precipitação, o período mais longo desde o recorde anterior de 194 dias do ano de 1880. Com chuva muito escassa, as áreas montanhosas de Sierra Nevada tiveram pouquíssima neve é justamente o degelo da neve que garante o abastecimento de água para milhões de californianos.


Inundações e deslizamentos

Se tanta chuva vai ser um tremendo alívio para a seca e o abastecimento de água, será também uma fonte de problemas e perigos para a população local. Os acumulados excepcionais de chuva devem trazer deslizamentos de terra, queda de barreiras e enchentes. O vento também será forte a intenso com rajadas acima de 100 km/h em áreas costeiras.

A maioria das áreas do Centro e Norte da Califórnia precisa hoje ao menos de 150 mm a 300 mm de chuva, ou quantidade equivalente de neve, para que a seca extrema seja amenizada. Muitas localidades não apenas terão tais volumes como devem superá-los com folga.

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