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Cheia foi muito grave no lado boliviano da fronteira na virada do mês. Pessoas só conseguiam andar de barco em áreas inundadas depois que o Rio Acre transbordou em Cobija, na Bolívia, em 29 de fevereiro. | STRINGER/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A mesma enchente que deixa quase todos os municípios do Acre em situação de emergência (veja fotos), afetando mais de cem mil pessoas com uma das maiores cotas do Rio Acre já observadas na capital Rio Branco, causa problemas no outro lado da fronteira, em cidades da vizinha Bolívia com graves prejuízos na Amazônia boliviana.

Moradores de cidades bolivianas enfrentaram inundações com perda de pertences quando as águas invadiram as suas casas. Damaris Hidalgo não sabe por onde começar. Suas roupas, os documentos de sua casa, seus eletrodomésticos, tudo está coberto de lama. Assim como os demais moradores da cidade boliviana de Cobija, ela voltou apenas no domingo para casa a fim de recuperar seus pertences após uma grave enchente.

A mulher, de 39 anos, passou três dias com a mesma roupa no corpo e se alojou na casa de uma amiga, em uma área mais afastada de Cobija, 1.200 quilômetros ao Norte de La Paz. “Coloquei algumas cunhas (pedaços de madeira) para deixar as minhas coisas no alto”, contou Hidalgo à agência de notícias AFP. Só que não foi suficiente, afinal a água chegou ao telhado de sua casa.

O transbordamento do rio Acre, no departamento de Pando, na Amazônia boliviana, ocorreu há uma semana devido às chuvas torrenciais. Cerca de 3.600 pessoas foram afetadas pelas enchentes e a água atingiu os telhados de cerca de 200 casas, segundo o governo de Pando.


Ao longo das estradas de terra, ainda com poças de lama, há um amontoado de tudo, de móveis destruídos a galhos de árvores e outros entulhos que os moradores dos 17 bairros afetados removem de suas casas, após a passagem da água.

O nível do rio Acre, que divide Cobija de Brasileia, município do Sul do Acre, atingiu 17 metros, nível histórico que superou o de 2015, quando alcançou 15,5 metros, segundo a Unidade de Gestão de Riscos da Bolívia. Pelo menos estou viva”, consola-se Hidalgo, enquanto organiza os documentos que conseguiu encontrar, completamente molhados.

Cheia sem precedentes inundou a cidade boliviana de Cobija com milhares de pessoas fora de casa e deslocadas para abrigos ou casas de amigos e familiares. Nível do Rio Acre passou de 17 metros. | STRINGER/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Pessoas resgatam pertences de suas casas inundadas pelo transbordamento do rio Acre em Cobija, Bolívia. Pelo menos 40 pessoas morreram como resultado da contínua estação chuvosa na Bolívia, que causou intensas inundações em muitas partes do país. A estação chuvosa do país sul-americano, que começou em dezembro e deve continuar até março, foi agravada pelo fenômeno climático El Nino, que causou o transbordamento dos rios. | STR/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Moradores fizeram de tudo para salvar seus pertences, mas a elevação rápida do Rio Acre fez com que muitos moradores de Cobija, na Bolívia, perdessem tudo que tinham na grande enchente | STR/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Pessoas dormem em um abrigo temporário depois que suas casas foram inundadas pelo transbordamento do rio Acre em Cobija, Bolívia, na virada do mês | STRINGER/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Hidalgo vendia comida para sustentar as duas filhas. Agora, a sua principal demanda é que as autoridades se comprometam a enviar água limpa e a garantir a segurança. Três botijões de gás desapareceram de sua cozinha. Já Catalina Alvarado, vítima do bairro Villa Montes, também relata roubos nas casas à noite. A polícia prendeu três pessoas e realizou operações esporádicas.  A casa de Alvarado está “em ruínas”, diz à AFP. A mulher de 57 anos tinha um comércio em um dos cômodos, que se transformou em um quarto cheio de lama. Terá que jogar fora os produtos que vende.

Cobija, na fronteira tripartite com Peru e Brasil, tem 100 mil habitantes e foi declarada área de desastre em consequência das enchentes. Segundo estudos da Fundação Terra, a Bolívia passou por um período de seis meses de seca e as chuvas ocorridas nas últimas semanas se concentraram em um intervalo muito pequeno. A Prefeitura considera diversas opções para reconstruir os bairros mais afetados, incluindo a possibilidade de transferi-los para áreas mais altas.

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