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A temperatura na tarde de ontem (19) chegou a 37,5ºC no Rio Grande do Sul em um dia de calor histórico no Estado para agosto. Quase todas as cidades gaúchas superaram 30ºC e muitas passaram dos 35ºC. Em Campo Bom, a máxima de 36,1ºC foi a mais alta para agosto desde o começo das medições em 1984. Porto Alegre, que possui dados desde o ano de 1910, teve uma das cinco tardes mais quentes de agosto em toda a sua série.

A dúvida de muitos é justificada. Calor tão intenso e em algumas cidades até muito fora do normal nesta época do ano é um sinal de que o nosso verão será muito quente e com calor de castigar? Seria este período muito quente desta semana um prenúncio de que o nosso próximo verão terá calor também em níveis recordes?


É importante ter em mente que este tipo de associação é muito questionável. Dias quentes em agosto ocorrem quase todos os danos. Nos 37 anos da série histórica de Campo Bom somente três anos não tiveram temperatura igual ou acima de 30ºC em agosto.

Assim, se fossemos assumir que período quente em agosto leva a um verão tórrido significaria na prática que quase todos os verões teriam que ter ser sido por demais quentes ao longo das últimas décadas, e por óbvio isso não ocorreu.

O agosto mais marcante em termos de calor, sem dúvida, foi o de 2012. Campo Bom teve 16 dias com temperatura igual ou superior a 30ºC no mês, situação completamente fora do normal e extraordinariamente rara. Foi um agosto incomum no Rio Grande do Sul em que a temperatura média mensal ficou absurdamente acima do normal.

Agosto, nove anos atrás, terminou com as médias das máximas em relação às médias máximas históricas em +6,2ºC em Encruzilhada do Sul, +4,9ºC em Campo Bom, +4,6ºC em Campo Bom, +4,5ºC em Santa Maria, +4,1ºC em Bom Jesus, +3,6ºC em São Luiz Gonzaga, +2,7ºC em Bagé e +2,6ºC em Passo Fundo. São desvios, em se tratando de médias climatológicas, muitíssimos raros de se ver.

Como foi, então, o verão seguinte em 2013? Quente, mas não muito mais quente do que padrões históricos. O verão seguinte, sim, teria uma poderosa onda de calor em fevereiro que trouxe a segunda maior temperatura máxima da série histórica de 111 anos de Porto Alegre, quase superando o recorde de 40,7ºC de 1º de janeiro de 1943.

Anomalia de temperatura observada no Brasil no trimestre de verão de 2013 | Inmet

É preciso ter em mente que no Sul do Brasil como de resto em grande parte do país, na última década, verões mais quentes do que a média histórica predominaram. Há nítida tendência pelo cenário global de aquecimento de os verões se tornaram cada vez mais quentes e com extremos de calor.

Então, já é possível ter uma idéia de como serão os próximos meses em termos de calor? Para isso, os modelos computadorizados de clima são valiosa ferramenta de previsão, a despeito de não terem a mesma performance de acerto de modelos de tempo, que trazem projeções de curto prazo.

E a quase unanimidade dos modelos de clima indicam hoje que os próximos meses tendem a ser predominantemente mais quentes do que o normal. Em algumas simulações, alguns meses chegam a ser excepcionalmente quentes em parte do Rio Grande do Sul.

Um destes modelos é o North American Multi-Model Ensemble (NMME), modelo que é um ensemble (média) de vários modelos de clima rodados nos Estados Unidos e Canadá. O cenário que este modelo apresenta chama muito atenção.

A projeção do NMME indica que os próximos meses devem ser extremamente quentes, em um cenário de enormes ondas de calor com recordes, no Centro da Argentina. O modelo concentra as anomalias muito positivas em províncias como Córdoba, Santa Fé, Entre Rios, Corrientes e Buenos Aires. A região de temperatura acima da média se estende ao Sul do Brasil com anomalias muito positivas no Oeste.

Projeção de anomalia do modelo North American Multi-Model Ensemble (NMME) para o trimestre de primavera | MetSul/NOAA

Projeção de anomalia do modelo North American Multi-Model Ensemble (NMME) para o trimestre do verão 2021/2022 | MetSul/NOAA

Na primavera, segundo este modelo, grande parte do Centro-Sul do Brasil teria temperatura acima da média ao passo que no verão o Sul seguiria mais quente que a média e o Brasil Central poderia ter marcas abaixo da média em diferentes pontos por chuva mais volumosa e freqüente.

Sempre é importante destacar que média mascara extremos. Imagine um mês em que a primeira quinzena é absurdamente quente com temperatura fica 5ºC acima do normal e que a segunda quinzena seja incrivelmente fria com 5ºC abaixo do normal. O mês vai terminar com a média normal, apesar de ter sido tudo menos normal.

Enfom, projeções trimestrais que apontam temperatura acima da média podem esconder alguns períodos de frio enquanto projeções trimestrais que apontem temperatura abaixo da média podem mascarar períodos muito quentes e curtos.


Por fim, é importante ter em mente que recém estamos em agosto e projeções de modelos para o verão podem sofrer significativas alterações. Assim, é importante ficar atendo ao que os dados vão indicar nos próximos dois a três meses para se ter uma ideia mais clara a precisa sobre o verão de 2022.

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