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O Instituto Nacional de Meteorologia divulgou nota a respeito dos eventos meteorológicos extremos ocorridos no mês de janeiro de 2022 em que destacou os volumes excepcionais de chuva em parte do país. No ranking das estações do INMET que registraram maior acumulado mensal de precipitação estão Ibirité, Florestal e Cercadinho, na Grande Belo Horizonte, com volumes que oscilaram entre 660 e 760 mm no mês.

Para efeito de comparação, o total anual de Porto Alegre é 1320 mm, ou seja, em apenas um mês a  região da Capital mineira teve praticamente metade do que deveria chover em um ano inteiro na Capital gaúcha. Ficou fácil entender a dimensão da tragédia que atingiu Minas Gerais. Em São Paulo também choveu bastante e, segundo dados do INMET e Centro Nacional de Monitoramento e Prevenção de Desastre (CEMADEN) , em muitas cidades os acumulados oscilaram entre 250 a 350 mm, com alguns municípios que chegaram a somar  mais 400 mm.


ALERTA PARA CHUVA VOLUMOSA E MAIS TRANSTORNOS


Uma nova frente fria ingressa em São Paulo neste domingo, 6, e ao longo da semana, se conecta ao corredor de umidade da Amazônia e configura um novo episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) com expectativa de vários dias consecutivos de instabilidade. Interessante destacar que a ZCAS irá se formar com a frente fria na altura de Minas Gerais, ou seja, a faixa de maior risco de chuva volumosa e excessiva deverá ser Minas Gerais, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo.

Entre o domingo e a segunda-feira, a frente fria poderá provocar pancadas de chuva e temporais em São Paulo com volumes irregulares de precipitação pelo Estado. A Metsul adverte para episódios de chuva forte a torrencial que poderão causar alagamentos em áreas urbanas, inclusive, da Região Metropolitana. Além da chuva forte, há risco de vendavais e muitos raios. Entre Minas Gerais e Sul do Rio de Janeiro também há risco de chuva isolada acompanhadas de tempestades.

A partir de segunda a frente fria amplia sua atuação entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Sul do Espírito Santo onde deverá atuar ao menos até a sexta-feira compondo um novo episódio de ZCAS. Portanto, serão vários dias seguidos de muitas nuvens e pulsos de chuva forte que ao final do período poderão gerar volumes muito altos. Modelo canadense projeta volumes de 200 a 250 mm em áreas do Centro/Sul de Minas Gerais e Oeste do Rio do Janeiro, sobretudo, em áreas serranas. De forma mais isolada projeta-se volumes de até 300 mm. O volume normal mensal para fevereiro é ao redor de 200 mm nessas áreas que deverá chover mais.

A chuva excessiva ocorrida em janeiro nessas regiões cria ambiente instável com solo encharcado, rios altos com elevado risco e vulnerabilidade diante de um novo episódio de chuva volumosa. É fundamental que autoridades e população fiquem atentas às áreas de risco e alertas meteorológicos de curto prazo para não se exporem ao risco.

Franco da Rocha, em São Paulo

FILIPE ARAUJO/AFP

O que é a ZCAS?

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é conhecida por uma faixa de nebulosidade que atravessa o Brasil. Este corredor de umidade, um verdadeiro rio atmosférico, tem uma orientação climatológica típica de Noroeste para Sudeste, estendendo-se da região da Amazônica até o litoral da Região Sudeste.

Em alguns casos, especialmente durante o verão, a orientação da ZCAS chega a levar a faixa de maior instabilidade até os litorais do Paraná e de Santa Catarina, o que explica o tempo às vezes muito chuvoso durante o verão no litoral catarinense enquanto o Oeste de Santa Catarina enfrenta estiagem e falta de chuva.

Os eventos de ZCAS são sazonais. São comuns entre os meses de novembro e março, ou seja, é um fenômeno típico de estação quente e podem durar até dez dias consecutivos, causando grandes volumes de precipitação nas áreas de atuação. Tais eventos podem ser iniciados com a participação de frentes frias, que atravessam o Sul do Brasil e que ao chegarem na Região Sudeste passam a gerar convergência de umidade da região amazônica até o Oceano Atlântico.

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