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Nuvens polares estratosféricas na Europa | P-M HEDENTT NEWS AGENCY/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Nuvens polares estatosféricas têm surpreendido moradores da Europa nos últimos dias em um fenômeno raro que está diretamente ligado ao que ocorre nas camadas mais altas da atmosfera na região polar. Estas nuvens apareceram em locais distantes do polo, em diversos países da Europa, e em áreas em que o avistamento é raríssimo, tão ao Sul quanto na Itália.

NASA

O que favoreceu o aparecimento das nuvens é um resfriamento sem precedentes em década da estratosfera no Ártico. O modelo climático MERRA-2 da NASA aponta que a estratosfera na região do Ártico atingiu um resfriamento recorde de 40 anos neste mês de dezembro.


Isso acabou por gerar um súbito aparecimento de nuvens estratosféricas polares além dos seus limites habituais do Ártico. Observações recentes revelaram um aumento notável nas nuvens estratosféricas polares, muitas vezes referidas como as nuvens mais bonitas da Terra devido às suas cores semelhantes às da aurora.

Estas nuvens se formam sob condições extremamente frias, normalmente em torno de -85°C na estratosfera sem nuvens. O resfriamento recorde na estratosfera fez com que essas nuvens, geralmente confinadas às áreas da região polar e seu entorno, fossem observadas até em latitudes médias da Europa, como Turim, na Itália, e Lausanne, na Suíça.


As nuvens estratosféricas polares ou nacareadas são fenômenos atmosféricos que ocorrem na alta atmosfera, especificamente na estratosfera, a uma altitude entre 15 e 25 quilômetros acima da superfície terrestre. Essas nuvens são conhecidas por sua aparência única e espetacular, destacando-se por sua coloração vibrante em tons de azul, verde e vermelho durante o crepúsculo. Essa coloração peculiar é resultado da dispersão da luz solar pelas partículas de gelo presentes nas nuvens.

Formadas normalmente em regiões polares, essas nuvens são mais frequentemente observadas durante os meses de inverno e primavera, quando as condições atmosféricas propiciam a formação de cristais de gelo em altitudes elevadas. Sua presença é indicativa de temperaturas extremamente baixas na estratosfera e pode estar relacionada a mudanças climáticas globais. Elas já apareceram no passado na América do Sul.

Além de seu apelo estético, as nuvens estratosféricas polares desempenham um papel importante na pesquisa atmosférica, fornecendo informações valiosas sobre a dinâmica e composição da estratosfera. Estudos científicos buscam entender melhor os processos que levam à formação dessas nuvens e sua possível relação com as mudanças climáticas em curso.

Estudos sugerem que o aumento das temperaturas devido ao aquecimento global pode influenciar a frequência, a altitude e a composição das nuvens polares estratosféricas. Está documentado que na baixa atmosfera, a troposfera, onde estão as nuvens que vemos, o aumento do dióxido de carbono leva a um efeito de aquecimento, enquanto na estratosfera e na mesosfera, nas partes altas da atmosfera, causa resfriamento.

Assim, não surpreende que, com o Ártico batendo recordes de aquecimento em superfície, a estratosfera esteja batendo recordes de resfriamento com aparição rara de nuvens polares estratosféricas polares em lugares incomuns e em latitudes médias do Hemisfério Norte.

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