Um raro e violento tornado atingiu na segunda-feira (24) a pequena cidade de Pomas, no sul da França, deixando um cenário de destruição e moradores em estado de choque. Em poucos minutos, casas foram danificadas, veículos ficaram destruídos ou virados, árvores foram arrancadas e partes de telhados foram lançadas pelos arredores.

Moradores buscam pertences em casa destruída após a passagem de um tornado em Pomas, no sudoeste da França | IDRISS BIGOU-GILLES/AFP/METSUL
O prefeito Hervé Giné resumiu a dimensão do desastre com uma comparação dramática. “Não fomos bombardeados por mísseis. Fomos bombardeados pela natureza”, afirmou. Segundo ele, a população ainda tenta entender o que aconteceu diante da violência excepcional do fenômeno.
Pomas tem cerca de mil habitantes e fica entre Perpignan e Toulouse. A cidade foi atingida de forma extremamente rápida. Por volta das 17h, crianças brincavam e moradores preparavam a festa local, prevista originalmente para o fim da semana.
Uma hora depois, o cenário havia mudado completamente. “Às 18h, a vila e a população estavam aniquiladas”, relatou o prefeito. Para Giné, a sensação entre os moradores é semelhante à de estar em uma zona de guerra, principalmente nas proximidades do salão comunitário, onde muitas pessoas buscaram abrigo.
Nas ruas, os sinais da violência do vento são encontrados por toda parte. Há destroços espalhados, árvores arrancadas pela raiz, telhas e pedaços de estruturas. Diversos veículos foram amassados, virados ou severamente danificados pela força dos ventos.
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Casas tiveram janelas estouradas, persianas arrancadas e partes das coberturas destruídas. Em alguns pontos, construções ficaram praticamente irreconhecíveis. Os maiores danos foram registrados na parte baixa da cidade, onde alguns loteamentos foram atingidos de maneira particularmente severa.
Entre os moradores que voltaram para verificar os estragos estava Djibril Yazid. Ele encontrou o carro de sua tia completamente destruído. O veículo permaneceu no mesmo lugar, mas ficou com aparência de uma estrutura que tivesse capotado várias vezes.
“É como se tivesse dado cinco ou seis voltas”, descreveu o jovem. Ele estava trabalhando quando recebeu uma ligação do irmão, que chorava ao telefone. Ao chegar em casa, encontrou telhas, vidros, janelas e claraboias espalhados pelo chão.
“Foi um desastre”, afirmou. Yazid contou que sempre viveu naquele local e que ver a casa de sua infância daquela maneira provocou forte impacto emocional. “Não diria que acabou, mas é um golpe muito grande”, relatou.
A escola municipal Petit Prince também sofreu danos. Uma parte da torre foi destruída e os ponteiros do relógio permaneceram parados exatamente no horário da passagem do tornado: 17h04. O detalhe se tornou uma espécie de registro do instante em que a tempestade atingiu a comunidade.
Na manhã seguinte, equipes de bombeiros trabalhavam para retirar estruturas perigosas e verificar possíveis riscos de desabamento. Moradores e familiares percorriam as áreas atingidas em busca de objetos que pudessem ser recuperados entre os escombros.
Um casal que se prepara para se casar procurava as alianças perdidas depois que a própria residência foi completamente destruída. A cena resume a dimensão das perdas provocadas pelo tornado, que atingiu não apenas estruturas físicas, mas também a rotina e os planos dos moradores.
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A solidariedade chegou rapidamente de municípios vizinhos. José Gomes foi até Pomas para ajudar um amigo ferido. Segundo ele, a casa do conhecido desabou enquanto o homem estava dentro. A vítima sofreu ferimentos na cabeça e fraturou várias costelas.
Outras pessoas também chegaram trazendo alimentos, água e oferecendo ajuda. Ao mesmo tempo, o prefeito demonstrou irritação com empresas que começaram a procurar moradores para oferecer serviços de reconstrução enquanto a comunidade ainda estava em estado de choque.
Apesar da destruição, o fato de não haver mortes é considerado um verdadeiro milagre. Giné informou que aproximadamente 300 das 476 casas da cidade foram atingidas e afirmou que alguns loteamentos foram literalmente varridos pela tempestade.
A área rural também apresenta marcas impressionantes, com fragmentos de telhados, móveis e materiais de isolamento espalhados entre campos e vinhedos. Até uma construção histórica do século XVI perdeu elementos da cobertura.
Para o prefeito, a ausência de mortes é o principal motivo de alívio diante da dimensão da tragédia. “Poderíamos ter tido 20 ou 30 mortes”, afirmou. Depois de uma tarde que começou com crianças brincando e moradores preparando uma festa, Pomas terminou diante de um cenário de destruição que lembra, segundo seus próprios moradores, uma zona de guerra.